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as salas de espera dos hospitais

por M.J., em 21.04.17

cheiram a café, álcool, paredes nuas e espera.

cheiram a medo e a fé.

cheiram a olhos vermelhos, mãos apertadas e incerteza.

as salas de espera dos hospitais cheiram a dor que os olhos não veem.

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chávenas

por M.J., em 21.04.17

a mamã é operada hoje.

uma pequenina cirurgia sem prognósticos de complicação pelo que rumei à serra cedinho.

antes de sair da cidade parei numa pastelaria para me assegurar que tomava a dose diária de cafeína:

é incrível a sensação de absoluta paz que me afoga quando entro numa pastelaria ou café, de manhã cedo, muito cedo, e há um chocalhar de sons de porcelanas, talheres, pratos e chávenas. o som da máquina de café, num prenúncio de imutabilidade e de que os dias cinzentos terminam tal como os solarengos e haverá sempre café para melhorar as horas.

 

há uns anos, quando conduzia quilómetros para trabalhar, havia um pequenito café em frente ao escritório onde entrava todas as manhãs, antes de me sentar na secretária.

a dona era gorda e servia café queimado.

as janelas deixavam entrar pouca luz, por má disposição e por vidros não muito lavados. havia bolos secos na vitrine. eu entrava, pousava a mala e a marmita numa das mesas e sorvia o café, com muitas delongas, enquanto desfolhava o jornal da região.

o café era queimado. sempre.

a mulher discorria longamente sobre a vida, fosse para mim ou outro - não havia distinção - num monólogo muito dela. 

eu pensava no quão minúsculos eram os meus dias, no quão infeliz me sentia e no quanto precisava de sair do café, directa a casa, no recomeço de mim. 

 

mas havia um ponto que me acalmava a alma:

o exacto momento em que ela pegava na minha chávena e punha na banca, ao lado das outras provocando som, um tilintar, um toque de louças que ressoava pelo café inteiro. como que se fosse partir mas não fosse. como se as chávenas para ali largadas, sem consideração, sem atenção, pudessem desfazer-se em bocados, num tilintar da fragilidade, acabando por mostrar que não.

eu pagava e saía com menos desalento:

as chávenas ainda não haviam quebrado. 

por mais um dia.

eu também não. 

 

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oh vai ver ali:

banalidades

por M.J., em 20.04.17

dói-me a cabeça.

este tempo definha a alma. 

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publicado às 15:57

há uns tempos escrevi sobre vacinas aqui.

a pessoa de quem falava escrevia ainda, até há uns dias atrás, as suas pérolas de sabedoria no facebook acerca da vacinação. entretanto, foi a tristeza que se sabe com a morte de uma adolescente vinda - segundo as noticias - de uma família que não acreditava nas vacinas.

 

estranhos tempos estes!

estranhos tempos em que a vacinação se torna numa... crendice!

estranhos tempos em que estando mais informados do que nunca chegamos a um ponto de acreditar ou não numa coisa evidente. é como que andássemos todos muito contentes às couves, dizendo que acreditamos nelas mas que podíamos não acreditar. que nunca se sabe. são couves mas também não são.

 

sim. culpo a irresponsabilidade dos pais e culpo o estado por não impor.

a vacinação - pelo menos aquela que for considerada essencial - tem mesmo de ser obrigatória. e se não querem impor a picadinha imponham as consequências da falta dela. imponham as mesmas consequências que impõem a um outro comportamento de risco.

há noticias de um filho tirado a uma mãe numa maternidade por não querer ou poder amamentar.

há mecanismos que permitem a "retirada" das responsabilidades parentais aos pais que recusam transfusões de sangue a filhos.

há pais com queixas crime no lombo porque deram uma estalada num puto mal encarado.

 

e para estes pais? para além do castigo da morte quais são as consequências?

e para o estado? depois de ter permitido que estivesse na disposição de um pai "acreditar" nas vacinas o que pretende fazer agora?

 

não tem mal nenhum impor-se a vacinação. 

impõe-se a escolaridade obrigatória. 

impõe-se a ausência de comportamentos de risco.

impõe-se a limpeza, o cuidar, o estar.

impõe-se a presença e o amor, em códigos bonitos e legislados.

 

por que raio mais obscuro não se impor algo que diz respeito a todos?

 

pessoas que não "acreditam na vacinação":

na morte, acreditam?

ou vamos todos ressuscitar às pintinhas e fumar charros numa horta qualquer?

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oh vai ver ali:

ok, atingimos um novo patamar

por M.J., em 19.04.17

no que diz respeito ao "jornalismo":

 

Capturar.PNG

 E AGORA?

COMO VAMOS SOBREVIVER DEPOIS DESTA TRAGÉDIA?

um... um... um pénis??????

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para-quedas

por M.J., em 19.04.17

este ano faço trinta.

não sei onde se meteu o tempo uma vez que sinto ter vivido muito mais do que era suposto.

não sei o que fiz aos dias e aos anos uma vez que não os vi passar e foi como se de repente, num repentismo estranho, desse conta de mim aqui ainda que, quando me olho ao espelho, não me reconheça.

 

este ano faço trinta e tenho uma série de vídeos de londres.

apareço ora desfocada ora focada de mais, a câmara colada à cara que duplica de tamanho. tenho brancas, imensas apenas de um dos lados (vá-se lá entender) e mal reconheço a minha voz. dizem que nos ouvimos de forma diferente e eu não sou excepção.

fiquei a olhar-me, pernas, tronco e membros a sorrir para a câmara e é como se visse outra.

aquela não sou eu porque não me reconheço em mim.

aquela não tem todos os traços que devia ter, na passagem dos anos.

aquela não tem todas as rugas que devia ter.

aquela não tem um desgaste nos olhos.

aquela não tem mil anos e é estranho porque no tempo que vivi, na evolução que senti em mim, é como se tivesse passado por décadas de vida, muito mais que três, embrulhada num limbo de incertezas.

 

este ano faço trinta anos. 

às vezes dou por mim especada, perdida em centenas de momentos vividos que revivo com uma clareza quase dolorida.

e sinto saudades imensas - mesmo do que doeu a pontos de morte - perdida numa nostalgia velha de que tudo é ténue. revivo pequenos minutos, longos abraços, horas de choro e gargalhadas imensas. embrulho num mesmo espaço e tempo o eu de outrora com o eu de hoje e de repente avalio quem fui com os olhos de quem sou e é uma misturada de sentimentos do que devia ter feito e não fiz e vice-versa.

 

este faço trinta anos e poderia jurar que eram sessenta.

faço trinta anos e não consigo parar de pensar que já vivi o melhor.

que não há muito mais que me espere porque perco juventude. porque daqui não podem vir dias maiores, mais cheios, mais doloridos ou felizes.

faço trinta anos e constato, muito tristemente, que nada mais me pode surpreender a sério, provocar lágrimas de riso ou dar-me aquela sensação absurda de descarga de adrenalina.

quase como se fosse trilhar um caminho vestida de mim mas sendo outra qualquer.

 

faço trinta anos e foda-se, para assinalar o marco vou saltar de para-quedas nesse mesmo dia.

a minha crise dos quarenta chegou dez anos antes.

lindo serviço.

 

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banalidades

por M.J., em 18.04.17

li a culpa é das estrelas e chorei como uma madalena. vi o viver depois de ti e voltei a chorar que nem uma tola. é como que se alguém tivesse pegado nas minhas hormonas e dito que deviam estar altamente emocionais mesmo não estando grávida.

uma consumição.

 

comi pão de ló como se não houvesse amanhã. e saí de casa para ir comprar folar. pediram-me conselhos numa matéria sentimental que não domino e sugeri amêndoas. das de chocolate. há pouca coisa que o açúcar não cure.

sério.

 

uma amiga, mãe há menos de um ano, desistiu de ir trabalhar porque a criança não consegue ficar na creche. chora que se farta e às tantas estão as duas a chorar. se eu estivesse lá chorávamos as três, que nesta matéria de choradeira ando afiada.

tens a bexiga atrás das orelhas, dizia a minha bisavó.

acho que sim, mesmo que nunca me tenha cheirado a xixi quando engulo as lágrimas.

 

quando tinha três anos e me puseram no jardim infantil dei cabeçadas na porta, numa tentativa qualquer de sair dali. ninguém me foi buscar. ninguém acusou a educadora de negligência, tanto mais que, segundo contam, parei à terceira que aquilo doía. e quando a mamã se lamentou a alguém a resposta foi rápida e curta: "se aos três anos já manda imagine aos vinte e três".

foi remédio santo.

 

talvez tenha sido por isso que uma outra amiga, mesmo estando desempregada pôs os dois miúdos na creche. por uma questão de tempo pessoal. entendo perfeitamente. por mim, os meus vão para um colégio militar aos cinco: na sua inteligência desmesurada - basta saírem à mãe - fazem a quarta classe antes de entrarem na escola. 

podem apostar.

 

tenho montes de trabalho atrasado. literalmente montes. há tanta coisa para fazer que mesmo que me dedique a isso o dia inteiro sem uma das cinco pausas de cinco minutos normais que espalho pelas horas, consigo dar adiantamento à coisa. talvez precise de ler menos e chorar menos.

mas custa. 

 

arranjei finalmente uma empregada. uma pessoa chega a um limite de lixívia e vidros e percebe que não tem tempo para tudo e perder tempo em tarefas domésticas é perder vida. a não ser que se goste. ou não se consiga dormir, por exemplo, com a louça por lavar. ou se tenha tal alergia ao pó que seja preciso declarar guerra sem misseis falhados.

uma tristeza.

 

e no filho da mãe do passatempo?

desta vez ninguém participa?

obrigada pela demonstração de interesse de ganhar o raio do bloco de notas.

é por ter as cores da tasca?

passatempo bloco de notas.png

 

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sapos

por M.J., em 17.04.17

ontem fui comprar leitão a um sítio da moda. 

decoração interessante, leitão de alta qualidade (carinho que deus me livre), funcionários muito simpáticos, uma data de prémios à porta a anunciar e atestar capacidade e gosto e depois, meus senhores, mesmo na entrada, uma estatueta de um sapo.

um sapo.

quase a misturar-se com a decoração e as flores.

quase a passar despercebido mas ainda assim ali, quase em lugar de honra. um sapo a avisar que cigano aqui não, obrigada, como uma etiqueta nas caixas de correio a afastar publicidade indesejada. um sapo a dizer que aqui, desculpem lá, não são bem vindos todos, nenhum de vós, por mais educados que sejam.

um sapo.

um sapo que já vi até em lojas do continente (ah pois), em restaurantes e mais sítios do que imaginei.

um sapo, verdinho, em estatueta ou plaquinha, sempre muito rodeado de flores e com ar bonacheirão para não destoar, para parecer quase natural, um elemento decorativo.

um sapo que nem parece conter discriminação.

um sapo que nem parece vir da idade das trevas num racismo que abominamos.

um sapo que nem parece ser crime. 

um sapo a mostrar ao mundo que há sítios bons demais e pessoas boas de menos.

 

o leitão soube-me mal. 

e caro como o raio. 

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medos

por M.J., em 13.04.17

há poucas coisas que despreze mais do que a ideia de que os pais são mártires em função dos filhos.

o sentimento de alguns progenitores, tão generalizado ultimamente, que ouço e leio e vejo, numa espécie de moda contagiante e perigosa de:

* ah, as coisas que eu faço por eles!

* ah, como me mantenho neste trabalho horroroso porque tenho filhos!

* ah, que não me divorcio porque os meus filhos precisam de uma mãe/pai!

* ah, que não leio porque tenho todo o tempo todo ocupado com os filhos!

* ah, que não viajo porque tenho de canalizar todo o dinheiro para os meus filhos!

* ah, que apanho porrada no lombo mas não saio por causa dos meus filhos!

*ah!

 

este sentimento dominante de que o que eu faço está condicionado por um ou dois ou três ou uma equipa de futebol de filhos que pus no mundo é feio, sobretudo se passado para aqueles por quem se é, supostamente, mártir.

escrevo e sinto isto unicamente através da minha posição de filha. e sei, como toda a gente, que a maternidade e a paternidade exigem uma série de sacrifícios, uns maiores, outros menores. faz parte como faz parte todo o amor. sacrificamo-nos, numa ou outra questão, quando amamos. pomos de lado pouco ou muito ou quase tudo de nós - dependendo da forma que somos e vivemos e sentimos - em função do outro. repito, faz parte.

o que não faz parte é colocar nos ombros do outro o peso da nossa decisão de sacrifício. o peso do que amamos.

o que não faz parte é dar ao outro, num indício aqui, num indício ali - sobretudo daquele de quem se é progenitor - uma série de decisões cobardes que se assumiu como dominadoras da vida.

o que não faz parte é colocar na cabeça do outro que a sua existência provoca tanta coisa menos boa. mesmo que se jure a pés juntos que se ama. mesmo que se diga - sentindo - que se morria em função do outro: de que raio vale morrer pelo outro se todos os dias se vive uma existência miserável - a que o outro assiste - e que provoca dores de morte pela culpa que provoca? 

 

em última instância a decisão de ser mãe/pai está em quem o decidiu fazer. é a lógica da batata mas a nossa vida é consequência das nossas escolhas, por mais pequenas que sejam, por mais banais que possam parecer. e se não pensamos nisso na maioria das vezes, comandados por um instinto de sobrevivência que nos impele a seguir sem questionar ou fazer um resumo de todos os e ses, é estupidamente repugnante quando, directa ou indirectamente, incutimos no outro que permanecemos, que ficamos, que sofremos porque amamos tanto.

é ridículo.

é obtuso.

a decisão de permanecer numa relação, de ficar num trabalho, de ter uma casa minúscula, de não viajar, de não ser feliz é sempre, em última, instância de quem decide e não do condicionante.

a decisão de permanecer numa relação abusiva é de quem escolheu aquela relação e tem medo ou pavor ou incapacidade de se mover, usando como escudo protector um ou dois filhos. e incutindo, mesmo sem querer, que a responsabilidade da sua infelicidade é do condicionante. e quando o condicionante voa e sai de casa e há mil oportunidades de sair também, permanece-se porque "é demasiado tarde, porque quando era possível sair havia filhos e não se podia!".

isto não é amar. ou pelo menos é um amor egoísta que provoca traumas inimagináveis naqueles que sendo os "condicionantes" precisam de lidar com uma culpa que não é deles. 

 

há poucas coisas que mais despreze do que mártires por opção e que sendo mártires decidam colocar a responsabilidade do seu espírito de messias na existência do outro.

e é por isso - também - que tenho tanto medo de ser mãe. 

 

 

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fiz duas bolhas nos pés. ou uma bolha em cada pé. não morri na viagem. nem de ida nem de volta, apesar de irem sentados atrás de mim três catraios em excursão escolar que, absolutamente deliciados com a vida, gritavam a palavra sémen. 

ficámos num hotel que se poderia dizer no meio da serra tal o silêncio. foi por acaso que nem reparáramos ao escolher. tinha um enorme jardim no meio para onde o nosso quarto estava virado. não haviam televisões e juro que não ouvi um único barulho durante as três noites. estranhamente o pequeno almoço não tinha bacon.

no metro há uma vida estranha e ainda ouço vozes que me mandam afastar da plataforma.

comemos no mcDonald's e ia morrendo, que depois de três anos sem lhe tocar, o meu corpo não achou piada.

perdi-me no meio de milhares de pessoas num multiculturalismo a que nunca assistira. o constante correr de idiomas transformava-se numa espécie de linguagem universal que calcorreava as estradas com a mesma força dos turistas na procura do big ben.

vimos todos os pontos turísticos que constam dos postais. ou quase todos.

fomos brindados com o verão londrino e nos parques as pessoas deitavam-se na relva, muito naturalmente.

tirei uma fotografia da praxe junto de uma cabine telefónica e falei cinco minutos com uma brasileira na espera de um dos autocarros.

fomos ao museu de história natural, que nerd que se preze não perde tal.

comemos fish and chips numa lojeca estranha perto de uma das mil entradas para o metro.

caminhámos pela city onde as pessoas seguem pelas ruas com um ar de missão séria. senti-me numa espécie de filme de negócios que mudam o mundo. ia dando a volta ao pescoço na imensidão de prédios e não consegui conter a admiração de quem vivendo na serra uma infância, adolescência e parte da juventude entra num cenário que jamais poderia imaginar aos doze anos. pensei na mamã a caminhar por entre os prédios e a ouvir a mistura de idiomas. lembrei da avó que passou uma vida na aldeia ali, a ver o mundo ao seu lado. senti-me triste.

tirámos pouquíssimas fotos mas fiz um monte de vídeos parvos, que nos levaram às lágrimas de riso no hotel.

passámos na torre de londres e jantamos em piccadilly circus num restaurante chinês onde não haviam facas.

entrámos na loja da m&m's, que vende chocolates iguais aos que se compram no lidl mais ranhoso. mesmo assim gastámos dez libras em pintarolas coloridas, absolutamente fascinados.

comprámos pequenas lembranças, que todos os turistas compram e sentámo-nos ao lado de uma fonte a ouvir o mundo.

entrámos na abadia de westminster e fiquei uns vinte minutos em frente ao túmulo de isabel I, uma vez que sou absolutamente fascinada pela época tudor. ouvimos o coro e passei mais tempo do que o planeado no canto dos poetas.

comprámos dois bilhetes para o city tour na vontade de ver o que não veríamos de outra forma.

jantámos num restaurante cubano com uma amiga que eu sentia conhecer desde que nasci e não há cinco anos. o blog segue-me nas pessoas extraordinárias que traz, mesmo noutras partes do mundo. ficámos horas os três, numa conversa animada, como quem se reencontra depois de umas férias, esquecidos de que era a primeira vez que falávamos cara a cara.

não andámos no london eye porque as filas eram descomunais e não fomos ver pessoas em cera porque haviam milhares de carne e osso a passar por nós.

na soho quis sentar-me e ficar dois dias só a observar o que me ficou em em dois segundos e recordo uma imagem que permanece gravada: cinco senhores com vestimentas do tibete caminhavam placidamente seguidos por uma série de coreanos e por nós. na mudança de direcção, parámos todos mesmo ao lado de uma sex shop de onde saíram três inglesas com um sotaque cerrado a rir histericamente, cruzando-nos com senhoras de cara tapada numa burca.

 

cor, sol, amizade, pessoas, idiomas, imensidão, luz, agitação, fervilhar de vida.

 

e agora não consigo sentir outra coisa se não o sentir que não sei nada: a minha aldeia não é tão grande como outra terra qualquer nem eu sou do tamanho do que vejo.

mas seria enorme se fosse do tamanho do que existe para ver.

 

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