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banalidades

por M.J., em 29.05.17

passei o fim de semana a fazer muito e a não fazer nada. 

tive reuniões de trabalho. duas. dormi. de noite, na manhã toda de sábado e na tarde de domingo. transformei dois quilos de tomate em polpa. fiz um bolo de cerejas. comi cerejas. fotografei cerejas. li um bocado. esquartejei um galo do campo que a mamã me mandou. jantei na serra. fiz sopa de batata doce para a semana inteira. fui lanchar um croissant de ovo. fiquei enjoada com o ovo do croissant. ouvi bon iver. arrumei o armário do meu quarto. pensei no passado. uma, duas e três vezes. ou mais. fiz o almoço de sábado. e de domingo. vi três episódios da série "por treze razões". fui ver os spoilers da série "por treze razões". concluí que a "serie por treze razões" é absolutamente idiota e não recomendável a adolescentes impressionáveis. que é como diz a maioria. tive uma terceira reunião de trabalho. passei roupa a ferro. praticamente toda a de verão que retirei do armário depois de ter sido lavada e secada. lembrei do tempo em que passava os serões de domingo num bar com vista para um jardim com um lago. fiquei triste por esse tempo ter passado. constatei que não sei se me insiro muito bem neste tempo. entristeci por estar a envelhecer na consciência da irreversibilidade do que ficou para trás. concluí que não envelhecerei com graciosidade. fui convidada para um baptizado. organizei uma das estantes com livros. tive uma insónia terrível na madrugada de domingo. ouvi johnny cash e bebi um cálice de vinho do porto. estive na varanda às três da manhã.

 

o dia está soturno. 

o fim de semana também esteve.

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oh vai ver ali:

ontem à noite

por M.J., em 29.05.17

a tvi passou uma reportagem no seu telejornal onde constava - entre outras coisas o seguinte:

  • passos coelhos a falar à darth vader com uma narração que o chama de arrogante;
  • costa a saltitar de um lado para o outro com uma narração que diz, assim, preto no branco, que ele não tem vergonha na cara e brinca aos caciques eleitorais;
  • dois ministros soturnos a que a narração chama - seja cão se não é verdade - de bucha e estica;
  • marcelo de capelinha em capelinha, com ar contrito no santuário de fátima - e esta é a melhor - ao som de da música "meu amor tem sempre a vela acesa" da rosinha, esse ícone.

independentemente da veracidade - ou não - da coisa, incluindo a vela acesa do marido da rosinha aliada ao marcelo, não consigo deixar de ficar estupefacta.

 

a tvi tem um telejornal que é um sketch de comédia.
a tvi repescou o prédio do vasco e pôs a judite a apresentar.
a tvi reciclou os batanetes e pôs-lhe o nome de jornal das oito.
a tvi quis mostrar à sic que consegue fazer melhor do que os malucos do riso.
a tvi provou à rtp que consegue fazer melhor do que o eduardo madeira e o beauté a trocar ameaças no facebook.

 

a tvi - de uma penada só - mostrou sem medos que bate aos pontos o microfone da cmtv. afastem o ronaldo da estação!

 

 

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banalidades

por M.J., em 26.05.17

está cinzento e fresco, o que é um alívio nos últimos dias de deserto sufocante. 

abri as janelas todas pela manhã enquanto via a neblina nos cedros. um dos vizinhos da rua passeava o cão castanho que farejava a vida numa excitação contagiante. arrumei a cadeira na varanda onde jantei ontem, sozinha, a ver a mundo que adormecia. às vezes pergunto se é real esta paz, esta serenidade, ou se tudo cairá na brisa mais forte, como o cheiro de um perfume num frasco mal fechado.

 

tomei café e um pão escuro com manteiga.

escolhi um livro ao acaso e li o fim depois do primeiro capítulo, na excitação de perceber se vale a pena e se o posso correr em segurança. não posso controlar todos os imprevistos da vida, mas estes consigo.

 

percorro a lista de coisas a fazer escrita à mão numa letra escangalhada e torta.

quando era criança olhava com descrença a letra do meu pai, apertada e feia e achava que não escreveria assim, nas minhas lides de adulta. foi uma promessa que cumpri porque escrevo pior, uns gatafunhos imprevisíveis, letras que não são letras, desenhadas num turbilhão de quem não tem paciência para moldar cada palavra até ao fim, rabiscando aqui e ali na espera de ser legível. nem sempre é.

 

o problema de sentir esta paz, este conforto nos dias que passam, os cafés na varanda, o trabalho que se faz para mim no ritmo necessário, a ausência da interminável ansiedade que me queimava o peito em úlceras de medo, é - que há sempre um problema - a liberdades da mente para escarafunchar ao sabor de uma espécie de vento incontrolável. na dor da ansiedade, da inconstância, do medo do depois, da sensação de perda de controlo há uma incapacidade quase física de olhar muito para trás ou para a frente. lidamos com o dia na sua completude ampliada porque aquilo já nos dá muito que fazer e não há espaço para mais. agora tenho possibilidade de ir mais além. e se é esse facto que me permite - juro que sim - crescer na sensação de conhecimento próprio e do outro, também me leva por caminhos tortuosos de recordações a esquecer, pessoas que ficaram, momentos que me mataram um bocadinho e aos quais não pude fugir.

e dá-se o caso, nessas alturas, em que arrumar uma cadeira de braços numa varanda deserta, de manhã, numa neblina fresca e desejada, enquanto se repara num cão a farejar a vida com excitação, se transforma numa pequenita experiência de retorno, num voltar a algo que se deixou para trás mas que agora aparece, saltitante e contente a mostrar que enquanto estiver dentro de mim, na recordação do que foi, continua.

 

é por isso que as pessoas também têm filhos, não é?

permanecem neles - numa imortalidade rebuscada - tanto quanto eles permanecerem também. 

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oh vai ver ali:

contem-me

por M.J., em 25.05.17

dos livros lidos este ano, qual o melhor? qual recomendam? porquê?

(sejam os critérios de qualificação do melhor quais forem).

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eu tinha, juro que tinha

por M.J., em 25.05.17

uma cena catita para escrever, muito interessante e engraçada e assim, como é habitual (lol - sempre quis usar a palavra lol e hoje foi o dia) mas depois li que as (in)capazes escreveram que a solução para os problemas do mundo é os homens brancos não votarem durante vinte anos e esqueci-me de tudo ao meu redor.

 

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até do facto de que ao escrever sobre isso estou a dar-lhes exactamente o que elas querem: atenção à sua imbecilidade.

 

oh gente do catano.

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para quem pergunta

por M.J., em 24.05.17

(mesmo não sendo humor para todos, eis um pedacito de um roast).

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leio por ai gente indignada com as piadas feitas à roupa da miúda vestida de algodão doce. que é terrorismo fazer isso a uma criança e que terroristas não são só os que as explodem mas quem goza com isso também. 
 

 

vamos lá ver:
 
* só gente com graves problemas psicológicos pode pôr no mesmo nível mortes de crianças e críticas humorísticas ao que elas vestem. 
 
** ninguém criticou a criança. evidentemente que a criança não ia sozinha para a festa nem tinha vontade - ou autonomia total - sobre o que vestia. as críticas eram para quem a levou naqueles preparos.
 
*** alguém levar uma criança vestida com aqueles trajes carnavalescos a uma festa de adultos, onde estará toda a comunicação social e achar que não pode ser alvo de críticas é só obtuso, sobretudo quando a própria festa é um reflexo dessas críticas.
 
**** a sério que se põe no mesmo nível a vida humana tirada por um terrorista louco, com piadas acerca de uma fatiota?
 
***** o ser humano é maluco.
 

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vou-vos contar um segredo

por M.J., em 24.05.17

desde que vi a pipoca num roast à sic radical fiquei fã da mulher.

 

alguém que consegue manter um blog há anos com dezenas de marcas atrás, escreve o que lhe apetece sobre a brigada do croquete nos globos, é sarcástica e mostra as trombas, corre desalmadamente e goza com o próprio nariz, acabando por se sentar num palco ao lado de meio homem da luta e do sinel...

 

pipoca tamo juntas amiga.

tu em bom, claro está.

 

(agora pelo amor de deus não me digam que não sabem o que é um roast. sabem, não sabem?) 

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oh vai ver ali:

no dia do meu aniversário

por M.J., em 23.05.17

recebi e-mails das seguintes entidades:

* evax;

* multiópticas;

* milennium bcp;

* triumph;

* shiseido; e

* jumbo online.

 

sabem quantos e-mails recebi de alguém que não quisesse vender nada?

sabem?

SABEM?

 

 

agora digam lá que as marcas não são nossas amigas!

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diário dos 30 #2 - segunda

por M.J., em 22.05.17

adormeci de manhã. chamada da tânia a acordar-me. pequeno almoço à pressa regado de café. situação burocrática tratada. manhã eclipsou-se sem dar conta em papeis. almoço frugal a compensar fim de semana: sopa de legumes e pera. tarde comprida com pausa para ir à ótica tratar situação dos óculos. adiei o dia todo ir correr com a promessa de o fazer depois de jantar. não fui. 

novo livro de agatha christie. marinheiras com queijo ao lanche e mais café.

yann tiersen todo o dia.

noite estrelada com vista da varanda.

o post dos globos de ouro foi mais lido que qualquer um dos outros dos últimos tempos. 

 

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