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por M.J., em 19.10.14

ouço e ouço a mesma música vezes seguidas, horas infindas. há uma coisa qualquer que me aperta o peito, em jeito de perdas que se foram, e não consigo recordar caras, nem emoções, nem as mil vidas que já vivi. percebo, num rasgo de loucura, enquanto ouço e ouço mil vezes a mesma coisa, que fui mil pessoas, mil momentos, mil horas.
que a dimensão do que perdi é incomparavelmente minúscula ao que ganhei.
observo com atenção as mil coisas que rodearam a minha vida. dou volta aos pesadelos que me assolam de noite. olho as cicatrizes no meu braço, e percebo, a sério que sim, entre as centenas de coisas de que me rodeio, talvez por mim, talvez não, que ganhei tanto, nas centenas de lágrimas, que não devia nunca, jamais, escrever uma única palavra de desespero que fosse.
respiro fundo e vou acordá-lo, muito devagarinho, na certeza que há qualquer coisa dentro de mim abençoada.
ainda que não entenda bem este pequeno milagre.

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publicado às 11:28



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