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dos objectivos

por M.J., em 26.12.13

Devia fazer qualquer coisa por mim, para mim. Qualquer coisa que me fizesse ser mais. Que me ocupasse a mente e me fizesse sentir útil. Pensei em mil coisas possíveis. Um  curso de escrita criativa; uma formação em qualquer coisa; um curso de cozinha; um curso de inglês; ginásio.
Não é por falta de tempo. Não posso adiantar esse argumento.Sei que temos sempre tempo para as coisas que queremos. Nos últimos tempos alapo-me no sofá, vejo velhas novelas, pouco mais. Tenho o tricô a um canto e rosmoneio enquanto conduzo, num mutismo triste.
Não me preocupo grandemente com o aspecto, ou como estou. Vou andando, um dia a seguir ao outro. Com mais ou menos queixas, com mais ou menos sorrisos. E ainda assim, pasme-se, sei que estes são momentos bons. Pessoas loucas como eu não podem ter grandes mudanças, agitações.
Olhando para trás identifico todos os ciclos, todas as fases da minha vida: as fases calmas, em que não pensei em suicídio e consegui ter uma vida banal; as fases loucas, em que a ideia de me matar era constante, obsessiva, abrangente e em que a minha vida era uma montanha russa. E cada uma dessas fases tem a mesma característica: sem ideia de suicídio equivale a momentos com pouca gente ao meu redor, dias iguais, trabalho/ estudo tranquilo, quilos a mais, poucos amigos, poucas ou nenhumas saídas, nada de novo. Com ideia de suicídio equivale a mil pessoas em meu redor, coisas novas, mudanças, muitos quilos a menos, muita agitação, cor, um dia diferente todos os dias, experiências novas, agitação, uma sensação de mudar o mundo.
A primeira fase anseia pela segunda e a segunda anseia pela primeira. E nestes ciclos, em que vou mudando interiormente como exteriormente, não há um meio termo. Nunca houve. Creio que nunca vai haver.
Ainda assim, um curso qualquer ou ginásio, ou cão ou o caralho de qualquer coisa que me fizesse sentir mais minha amiga, se calhar, era coisa para fazer bem.
Não sei.
Digo eu, para mim mesma.

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publicado às 19:00

...

por M.J., em 24.12.13

Ah... afinal saio à uma....

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publicado às 12:13

do natal

por M.J., em 24.12.13

Só para lembrar as pessoas que falam mal da vida, que hoje é dia 24, que eu levantei o cu da cama cedo, que chove muito, que vim trabalhar e que, saio daqui às sete da noite.

Pronto.
Foda-se. Hoje sou eu que posso reclamar.

ODEIO O NATAL!

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publicado às 11:55

Bom Natal

por M.J., em 23.12.13
às vezes penso em emigrar para muito longe daqui. Deixar tudo, todos (que não são assim muitos, diga-se de passagem), pegar em nada e simplesmente desaparecer na multidão. É um desejo infantil, obscuro, que não passa disso mesmo. De uma ilusão. De como houvesse a possibilidade de recomeçar sozinha e melhor, sem os vícios do passado, sem a bagagem emocional, sem nada do que sou. Como simplesmente renascesse. Às vezes acho que desejo isso. No fundo, no fundo não devo desejar.
A verdade é que não sei o que desejo. Nada, na verdade. Ou tudo, se calhar. Não sei. Sou demasiado complexa e banal ao mesmo tempo, e quando me dou para pensar nunca sai nada de jeito. Na maior parte das vezes apenas pensamentos deprimidos.
Sou demasiado adulta, já passei por demasiadas coisas para culpar alguém por aquilo que sou. Não culpo infância, adolescência, juventude. Não culpo nada nem ninguém pelo que me tornei. Por este feitio irascível, por esta vontade que me pica a pele de simplesmente desistir. Sempre. Por esta coisa qualquer que me impele a ficar quieta e não fazer nada do que é suposto. Não culpo ninguém, nem nada, e não procuro respostas. Já desisti.
Deixo-me simplesmente ir com a corrente, acomodo-me às circunstâncias, num instinto básico de sobrevivência. Nas duas alturas da minha vida que não o fiz tornei-me tão doentia, tão negra que me consumi e transformei a minha existência num pesadelo de dor para todos os que me rodeavam.
E eu não valho tamanha dor dos outros.
Quero muito desistir de pensar, ir apenas. Outras vezes não quero. Se tomar dois ou três comprimidos daquele que o médico me deu para não me agredir a mim própria esqueço tudo, fico numa pasmaceira. Os acontecimentos passam e não recordo deles. Percebi à conta disso que afinal não quero desistir de pensar nem de sentir.
Tenho mais do que mereço, mais do que é suposto ter. E ainda assim, aqui estou, a queixar-me, numa dor que queima a entrada do estomago, numas lágrimas que não choro, porque engulo até se desfazerem.
E penso, na única coisa que me consegue acalmar em dias doloridos como este: Sou apenas um grãozinho de areia no meio do universo. As minhas ações, os meus sentimentos, aquilo que sou, quem sou, em nada contendem com o seguir banal das coisas. Não vale de nada tanto pensamento, tanta treta, tanto sentimento, quando no fundo, sou tão absurdamente insignificante.
Portanto, que se foda isto.
E a propósito
 
Bom Natal a toda a gente!

 

 

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publicado às 10:38

...

por M.J., em 19.12.13

É isto a coisa que mais gosto no Natal!

 

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publicado às 17:47

do propósito

por M.J., em 19.12.13

 

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publicado às 15:00

do morrer

por M.J., em 19.12.13
Tem dias que sinto uma vontade louca de chorar. De lavar a alma com as lágrimas que se acumulam, não sei bem onde, que me matam, que me intoxicam.
Tem dias, como hoje, que queria, desejava, rezo por desaparecer, durante muitos dias, anos, para sempre talvez. Tem dias.
Não posso responder porquê. Não há um motivo válido ou concreto. Não há qualquer razão para esta tristeza, esta melancolia que me esgana lo cérebro. Sinto, e como sinto, assim fico, permaneço.
Há-de chegar o dia em que vou ser diferente. Há-de chegar o dia em que tudo terá um motivo. Em que encontrarei a razão de respirar todos os dias. 
Hoje não é esse dia. E à conta disso suporto essa imensidão de tortura que é estar viva.
Ah poder morrer estando viva, sem matar de dor ninguém!
 

 

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publicado às 12:14

...

por M.J., em 17.12.13

 

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publicado às 15:18

do domingo

por M.J., em 17.12.13
O moço veio no Domingo e fui acometida de uma depressão que me consumiu alma, músculos, carne, sangue, em dores dilacerantes de desejos mortíferos. Tinha feitos tantos planos, tantos desejos, passado horas infinitas a cozinhar. Vira no meu cérebro a minha espera dele, a chegar no aeroporto. Sentira, sem sentir a sua chegada a nossa casa, os nossos corpos enrolados na cama, os dois, depois dos meses de ausência que me pareceram anos.
E ainda assim, ainda assim, por um erro, por uma coisa tão simples, tão mísera, tão pequena que o pobre moço fez, dei comigo, na véspera, sentada no sofá, com uma garrafa de vinho, a ouvir musica que me intoxicou cada pedaço do corpo que tenho.
Não me lembro do domingo. O álcool que me consumiu na noite anterior pôs-me naquele estado que conheço tão bem e onde me refugiava quando estava doente: a dormência da depressão que te faz sentir sem sentir. Não me lembro dele ter entrado no carro, ou de ter sentido a alegria louca que queria sentir. 
Lembro-me de ter destruído, numas únicas horas o que planeara em tantas semanas. E agora que penso nisso, e sinto ainda na pele o que senti e não senti, pergunto-me como aguentei, tanto tempo, tantos meses, tantas horas aquele sentimento louco, aquela doença torpe. 
Tenho a certeza, a mesma certeza como que respiro, como que ouço, com que falo que se voltar a ficar doente, que se voltar a sentir aquilo por mais do que um dia que seja, não suporto, não me permito suportar tamanha amargura, tamanha angustia, tamanho desespero. 
Sou doentia, tóxica, e tem dias que destruo tudo em meu redor.
E é pena.

 

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publicado às 15:12

do diogo

por M.J., em 16.12.13

O Diogo, o meu Diogo, depois de meses calado, quieto, no canto dele, sem dizer nada, veio assim, apareceu, a combinar um jantar.
Fez-me ganhar o dia!

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publicado às 17:24

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