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Isto é esta taberna que lêm:

 

 

Mais velha, mais suja, com gajas meias nuas ao fundo e velhos a jogar cartas de lado, cuspindo para o chão.

Não se iludam. É isto que este blog é.

 

Percebo, olhando muitos outros blogs que são "cantinhos". Muitos e muitos cantinhos.

Assim. Pequenininhos. 

Lindinhos.

Mimososinhos.

Queridinhos.

Catitinhos.

 

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do inspira-me

por M.J., em 28.02.14

sempre achei esta cena do inspira-me do sapo um bocado tola. não tenho culpa. acho o sapo muito bom, mudei do blogspot para aqui e tudo, mas cum camandro. ter coisas para nos inspirar a escrever como "desastres culinários" e "ao lado de quem sentar nos Óscares" faz-me invariavelmente lembrar uma linha editorial ao jeito de pipocas e arrumados e, mesmo sem querer, não controlo o vómito que me vem à garganta.

não é que inveje o casalinho ou o facto de ganharem muito dinheiro com isto. eu própria durante algum tempo achei que podia viver da escrita. nem que fosse a escrever coisas como "ah o meu assado magnifico que a minha mamã e o meu papá deglutiram com gosto" e "a roupa fantástica que se compra na zara". acontece que eu não comando o que escrevo. e tem dias que a única coisa que sai são palavras repletas de porcaria, que se cola aos dedos, que contamina tudo. e isso não dá dinheiro. 

não me incomodo. e entendo que isto não sejam coisas bonitas de ser lidas. eu não tenho filhos paridos nem histórias bonitas acerca deles. nem compro roupa em promoções e faço um alarido disso. nem critico as senhoras do social. podia fazê-lo mas os meus dedos recusam-se. portanto, no meio dos palavrões e da grosseirice que para aqui anda (os comentários que já li por causa disso são incontáveis e os dissabores que isso já me trouxe são inacreditáveis) fica um gosto e um orgulho muito próprio pelo facto de não escrever sobre os meus desastres culinários ou os Óscares.

mas posso escrever sobre reality shows. tem matéria para muito palavrão.

 

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do privado

por M.J., em 28.02.14

Bati com a cara na porta de entrada deste blog. Eu que o lia religiosamente. Eu que descobri nele uma música que me seguiu durante dias, meses, anos (esta) fui assim impedida de entrar, sem uma explicação, sem nada.

Lembrei-me depois que fiz o mesmo a quem seguia a minha anterior taberna, e por isso perdoei-o.

Mas ah se alguém pusesse uma cunha junto do Autor para me deixar entrar...

 

Os3docardeal

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publicado às 12:07

da gaffe

por M.J., em 28.02.14

Pronto.

 

"Bati contra um blog que quero muito tornar um dos meus favoritos.

É quase contrário ao meu. Estas avenidas são invadidas por tolices cheias de adjectivação, por recantos onde a própria dona se perde, o E agora? Sei lá! é o meu encontro bruto com a realidade contada por alguém que usa as palavras como quem lida com terra ou com barro, de modo directo, sem rodeios, muitas vezes cruel, outras tantas grosseiro e muitas vezes sarcástico.

Às vezes penso que, ao ler o que é ali escrito, embato contra a vida nua e crua e sinto-me envergonhada por não conseguir olhar os outros exactamente como eles passam pelas ruas que eu não sei, longe das avenidas frívolas que conto"

http://agaffeeasavenidas.blogs.sapo.pt/a-gaffe-nao-sabe-256369

 

E agora não sei que diga perante isto. Perdi o caralho das palavras.

Esta agora.

É que dizer obrigado torna-se demasiado mesquinho e pouco para a grandeza do que é ali dito.

Esta deixou-me sem palavras. E eu tenho-as sempre pá!

 

 

 

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publicado às 12:00

Follow Friday

por M.J., em 28.02.14

Oh pá, que isto de recomendar tabernas é um bocado triste, mas catano, esta gente vale a pena ser lida.

 

Pensamentos perdidos

A Gaffe e as Avenidas

 

 

 

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publicado às 10:30

do aumento do café

por M.J., em 28.02.14

O café vai aumentar cinquenta por cento. Parece-me bem que isto do português passar tanto tempo em tabernas a emborcar água com café a um preço acessível é ridículo. Quer ir ao café vai, mas bebe um bagacinho ou uma bejeca. Isso sim é de louvar. Beber café devia ser uma coisa elitista e só ao acesso do português que se esforça para esse efeito. Gente que ganha o salário mínimo, estágios profissionais, desempregados, rendimento social de inserção pode beber uma cevadinha e para isso não precisa de ir ao café. Compra a dita no supermercado e bebe-la em casa, sentado numa cadeira dura que isto dos sofás também não pode ser para qualquer um.

Em Madrid bebi um café, num sitio muita giro, mesmo no centro da cidade e custou três euros. Ali sim, senti que a coisa era justa e que o café era bom. Tirando eu não se via ali mais nenhum pobretana. Senti-me rica naquele dia e ia jurar que as outras pessoas que ali estavam pensaram que eu tinha um panamera à minha espera, estacionado na rua.

Ah, lá em Espanha!

Queria sugerir que se aumentasse o pão também para cinquenta por cento. O leite. A batata. Não digo a carne porque enfim, pobre que é pobre come carne. Mas era apologista do aumento do preço da água, mesmo aquela que sai das torneiras lá de casa. Tudo para cinquenta por cento a mais. Mas não aumentem o álcool. Vinhaça, aguardente, cerveja pois que fique no mesmo preço que é essencial à vida.

E assim, tudo o que é pobre podia-se reunir  a beber até cair, com  a sensação que a vida é bonita, vale a pena, e somos felizes numa monumental bebedeira publica, de dentes podres e vomitados nas esquinas.

Eu se fosse presidente, ministra, rei era isso que fazia.

Ah, o vomitado nas esquinas sem cheiro de café...

 

 

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publicado às 10:04

do olho

por M.J., em 27.02.14

dói-me um olho. podia ser caso de rir se não tivesse vontade de chorar. dói-me um olho, o olho direito aliás, não por fora mas por dentro. num sitio que nem sabia que era possível doer. mas dói como a merda e não consigo concentrar-me na carrada de recursos que tenho de fazer e para a qual preciso de puxar pelo dito olho.

é triste.

acordei de manhã com um sentimento negro a chatear-me, uma espécie qualquer de premonição sem sentido, como se o meu mundo fosse desabar e de repente nada fizesse sentido. demorei a levantar-me, perante os braços dele que se agarravam a mim, ao peito, a cabeça encostada à minha, tranquilo, sereno, numa respiração pausada de alguém que descansa. eu queria dormir, queria muito,  mas o despertador e o facto de ter nascido pobre obrigaram-me a levantar, a tomar banho, deprimida, chateada, zangada e a sair de casa. 

na rua chovia outra vez. tinha o carro longe e demorei a dar com ele. molhei-me toda porque não tenho guarda chuva. a chave do carro fugia-me pelas mãos enquanto a tentava descobrir no meio do lixo que tenho na mala. lembrei-me que ontem a deixei cair nas bombas de combustível em cima de uma poça que não era de água mas de uma coisa que cheirava imensamente a gasóleo. a mala também cheira a gasóleo e, consequentemente, todo o lixo também. sinto-me uma espécie de perfuradora de petróleo. 

demorei muito tempo a chegar ao escritório hoje de manhã. havia transito na cidade, e na estrada até aqui. travagens bruscas de um carro perto de uma passadeira e consequentemente, os meus travões a chiar. não me sentia revoltada ou desesperada, os sentimentos típicos dos dias não. apenas triste, numa espécie de paz triste que me fazia querer abrir a porta do carro, deixá-lo vir sozinho para o escritório, enquanto eu caminhasse, à chuva pois claro, pelas ruas repletas de transito. libertando as lágrimas que se confundiriam com a chuva. 

enfim cheguei. o olho começou a doer. por dentro. não é a sensação de ter um lixo ou assim. é mesmo dentro, numa especie de dor de cabeça. passei a manhã toda a resolver coisas. comecei de volta de um recurso. acabei por perceber que não me consigo concentrar em nada e que só me apetece dormir. tomei uma cena para as dores, vamos ver se passa.

amanhã é sexta. e esta quinta tem o sabor de uma segunda, muito feia, muito triste, muito desoladora.

há-de chegar o dia que faço do meu dia única e exclusivamente o que me der na gana.

mas ainda falta tanto...

e o olho dói. 

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publicado às 12:52

das trivialidades

por M.J., em 26.02.14

este fim de semana vou para guimarães. estive lá em tempos, noutra vida, acho eu, com pessoas que morreram naquilo que sou. faço questão de ir agora, de novo, neste outro mundo que tenho e que sou.

no fim de semana que passou andei em plantações. estavam dias magníficos de sol e luz. comprei uma planta de seis euros para pôr num canto da sala, por baixo de uma prateleira que tem as minhas caixas de música (algumas das). ficou catita. o moço, no entanto, todos os dias pega no vegetal e põe-no à janela, em frente à varanda para apanhar sol. e é incrível como não se esquece e tem a preocupação de o fazer. eu, mal a transplantei para um vazo bonitinho, esqueci-me de a regar.

na quinta feira passada fui a um jantar demonstração da bimby. foi do mais bonito que se possa imaginar. depois de um dia de merda, cansada, chateada como sempre fui jantar a casa de uns amigos. eu sabia que a senhora da bimby ali ia estar, mas pensei, muito seriamente, que me ia fazer o jantar e tentar impingir a máquina no espaço de uma hora. pois meus senhores, era meia noite quando comecei a jantar. depois de rogar muitas pragas entre dentes e arrepender-me mil vezes. a moça que vendia aquela cena era tão chata como larga. durante grande parte da noite julguei que estivesse prenha, e perguntei timidamente aos nossos amigos quando ela foi à rua buscar qualquer cena ao carro. disseram-me que sim, e que estava prestes a nascer um pote de manteiga. juro mesmo que julguei que estivessem a fazer uma analogia a um puto gordo, tendo em conta a mãe. depois o moço disse-me preto no branco que ela estava só gorda. a partir daí deixei de ter paciência. já não era uma muito grávida a tentar impingir-me uma bimby, mas uma muito gorda a mandar piadolas tristes sobre a yami e a tentar ser vendedora no pior sentida da palavra. deixei de a ouvir e acabei mesmo por lançar no ar que aquela treta não fazia pizzas, mas sim a massa das pizzas e que isso, também uma máquina de pão de cinquenta euros do pingo doce faz. já depois quando jantávamos à meia noite (fodasse meia noite) mostrou-nos os preços. meus senhores: novecentos e qualquer coisa euros. achei aquilo tão absurdo que me apeteceu enfiar-lhe o frango mal cozido pela cabeça abaixo e perguntar se ela estava maluquinha. acabei por me vir embora, sem dizer nada e com uma puta de uma má disposição.

ontem fui para lisboa o dia todo em julgamento. deixei ficar o carro na mealhada e quando cheguei, já tarde, muito escuro, perdi-me e em vez de ir ter a aveiro fui ter a cantanhede.

e hoje chove.

 

a minha vida é uma espécie de comédia dramática, meia amanteigada.  

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publicado às 17:14

das confissões de bebâda

por M.J., em 21.02.14

Daqui deste sitio de onde vos escrevo, escrevi em tempos, num blog que ofendeu muita gente, creio que nem foi nesta vida, que desistia da vida e que morria. No dia a seguir quiseram-me internar e tudo mudou. No dia a seguir, supostamente começou o tratamento desta coisa que sou hoje. O dia a seguir não devia ter existido. Não estava planeado por mim, fugiu-me ao controlo e trouxe-me infelizmente até aqui.

Foi há dois anos, minha nossa. Há dois anos escrevia, neste exato lugar, perdão, não era bem aqui que estava sentada mas sim naquela mesa, ali ao lado, que estava farta, não aguentava e desistia de tudo. Aquele era o plano. Aquele era, tenho a certeza, o desfecho que devia ter ocorrido, depois de ter passado seis meses a tentar, com todas as forças lutar contra a sobrevivência que me consumia.

Mas enfim, aqui estou. Sentada, com um copo de vinho na mão. Não quero comparar o tempo que foi e o que sou agora. Se o fizer, e afinal já estou a fazer, constato que estou no mesmo lugar e que tristemente a minha vida, e o que fiz dela, foi este nada, este abismo de nada que me preenche os dias. Mas que se lixe. Afinal falta menos um dia para morrer e isso sempre consola.

Há gente da minha idade, da minha idade, veja-se, a ter filhos, a pensar ter filhos e a parir como se não houvesse amanhã. Perante mais uma golada de vinho constato que esta gente ou não pensa ou não é doente como eu. Tendo a pensar que simplesmente não pensa. Que se sujeita a um instinto biológico de propagação da espécie e põe gente no mundo, gente como eu que não percebe porque caralho anda aqui. Estes meus conhecidos, amigos até, preenchem os seus dias com os filhos. E têm a minha idade. Nunca estiveram, como estou, sentados num sitio ao lado do sitio onde desistiram da vida até serem internados. Pelo menos espero que não. Porque se estiveram e tiveram filhos são absurdamente loucos. Ninguém pode dar vida se pensar a sério na vida.

Não sei se já disse que odeio berros., gritos, vozes elevadas. Odeio berros, escandalos, vozes grossas, barracos, gente que chama a atenção. Odeio do fundo da minha alma. Talvez porque fui sujeita durante tantos anos, meu deus, quantos? a gritos, vozes elevadas, vizinhos na janela a ouvir, vergonha, tanta vergonha que hoje dia quando ouço um berro, quando alguém me berra, perco toda a consideração, todo o respeito por essa pessoa, que na minha mente é apenas um pedaço gigfantesco de lixo.

Sou tão contida, mantenho sempre a voz num tom tão baixo e monocordico que há uns tempos, quando vinha no carro, desatei a cantar alto com o rádio e fiquei rouca, pelos dois minutos que levantei a voz. Creio que chegará o dia que a perco.

Enfim. Escrevo esta merda toda na tentativa de fazer desaparecer as palavras que me queimam a garganta e o vinho. No mesmo sitio, perdão ao lado desse sitio, onde um dia escrevi num blog que desistia da vida e que estava farta.

Que engraçado. A história repete-se.

O sitio é que e diferente!

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retorno.

por M.J., em 17.02.14

Retomei a medicação. Sou toda calma, toda sorrisos. Faço almoço, jantar, trabalho. Como, durmo, às vezes rio, sorrio. Mas sinto-me vazia, triste, contrariada com a vida, numa espécie de ciclo vicioso, que vai e volta, sem retorno, sem sentido, sem vontade de ver pessoas, num apetite voraz de não falar com ninguém,  dormir apenas, numa libertação, durante horas, dias, meses, anos.

A medicação não vai mudar, não vai ajudar sequer. Mas pode controlar os meus comportamentos, evitando que eu faça coisas que me impeçam de ter uma vida minimamente normal, como fiz em tempos.

 

É isto. 

 

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publicado às 14:10

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