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adagio para a alma

por M.J., em 31.03.14

ouvi esta musica ao vivo uma única vez e lembro do momento com a mesma intensidade do agora. se fechar os olhos entro lá,  naquela noite.

lembro do frio que senti à entrada. do cigarro que ele fumou, mesmo à porta. do meu casaco branco, novo. do cheiro abafado que sentia no teatro. da água de colónia do senhor do lado. do velho da fila da frente que chorava copiosamente. do pensamento recorrente da minha mente que nunca ia ser amada ao ponto de ser feliz. do momento em que pousei a cabeça sobre o ombro dele.

do som que me entrou na alma e me fez chorar largamente.

do arrepio na pele.

na dor toda, ao mesmo tempo, a encharcar-me os olhos.

na serenidade a invadir tudo.

 

a primeira vez que ouvi isto ao vivo foi numa noite qualquer, num ano que não sei qual foi, num dia que não sei identificar.

mas foi, sem dúvida um momento tão grande na minha vida que não esqueço jamais que naquele momento pensei, quando aquilo acabou, que se morresse, morrer de morte e não de vontade, teria sentido o suficiente para ter valido a pena toda a dor de uma vida.

por aquele momento.

 

 

 

 

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publicado às 22:20

do folclore

por M.J., em 31.03.14

se há musica que me incomoda, que me provoca uma repulsa intrínseca ao som, a mim, pessoa que come qualquer música, eu que às vezes até ouço os discos pedidos da rádio são miguel quando venho do trabalho, é esta merda do folclore.

não suporto. arrepia-se-me o cabelo na nuca, os pelos em todo o lado (todo o lado mesmo), as unhas dos pés querem-se enfiar na carne ao contrário, os ouvidos produzem cera em larga escala.

este tipo de musica, assim cantado aos gritos, no som do vira vira do acordeão entorpece-me a alma, numa dor triste, de quem nasceu num sitio onde os homens tratam a mulher, à frente delas, por "esta aqui". onde se bebe nas tascas, até muito tarde, com roupa suja do trabalho; onde se trabalha na terra, unhas pretas, sol ardente; onde se berra, altas horas e se bate com mulheres contra a parede; onde se fala da desgraça da casa do lado com felicidade por não ser a dele. esta música,este tipo de música, com o esganiçado da voz, o sotaque, a letra que não diz nada, mas ao mesmo tempo proclama toda uma pobreza de sobrevivência, é na minha cabeça o expoente máximo da miséria de espírito, da pequeninito da alma. do analfabetismo escondido entre as paredes. da pobreza do ser à vista pelos cantos da rua.

o expoente da festa anual, onde novos e velhos, de mãos nos bolsos e roupa domingueira entram arraial dentro a ver passar a noite com ar de satisfação e a barriga cheia de vinho.

o expoente da certeza que deus nosso senhor é grande e quem não vai à procissão arde nas trevas do inferno.

esta tipo de música é o sinónimo do ciclo da vida e morte de gente que continua a pensar que quem roda é o sol. e que a terra é o mundo, o único, aqui posto.

e que o universo é o nascer e morrer.

e que os planetas são invenções dos amaricanos.

 

ah se o ódio fosse capaz de acabar com esta merda desta musica.

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publicado às 21:48

do zoo

por M.J., em 31.03.14

fui ao zoo no fim de semana.

tinha tido uma valente infecção urinária na véspera e estive mais do que uma vez para adiar a coisa, mas acabei por ir. foi bom. a infeção estava controlada, não precisei de fazer xixi de dois em dois minutos e vi aquela animalada toda.

e eu adoro animalada toda junta.

enquanto andava no telesférico, por cima daquilo tudo, pensava para mim mesma como gostava de trabalhar ali. podia mesmo ser a dar estrume aos leões, ou a limpar o cocó dos hipopotamos pigmeus, ou a lavar o pêlo das girafas, ou tirar ranheta da tromba dos elefantes. não me ia importar. creio mesmo que iria todos os dias com um valente sorriso nos lábios para o trabalho.

e só no sábado, em cima dos leões e dos macacos, a olhar com atenção para as resmas de cócó que havia ao lado dos bufalos pensei quão afortunados são aqueles que amam o que fazem. ganhar dinheiro por se fazer uma coisa onde se é ridiculamente feliz é uma benção.

será que no zoo precisarão de um limpador de cócós? um animador de macacos? um catador de pulgas dos suricatas?

qualquer coisa?....

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publicado às 12:25

a gaffe

por M.J., em 31.03.14

os blogues valem por isto.

no meio das lamurias, dos desabafos, das opiniões de quem escreve, dos laivos de vómito que às vezes me dá pelas merdices que leio, das pessoas que vão aparecendo e desaparecendo, há sempre uma música que fica.

hoje foi esta.

 

como é que eu não conhecia?

 

 

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tem dias

por M.J., em 30.03.14

que não consigo entender, por mais que tente, como pode o moço amar-me tanto, apesar dos meus enormes defeitos. apesar da gordura, das estrias e do cabelo esquisito. do mau humor e das gargalhadas estridentes. do egoísmo e do pelo na venta.

não entendo.

eu sei porque é que o amo.

por que é que ele me ama a mim é que é um mistério insondável.

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publicado às 19:29

arre

por M.J., em 26.03.14

parece que todos os blogs por onde passo nos últimos dias se debruçam sobre putos, crianças, filhos, bebés. 

é isso e audis.

cum camandro.

se é para falar de cócó falai também de política.

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oh vai ver ali:

publicado às 17:13

banalidades

por M.J., em 26.03.14

tenho o corpo cheio de comichão. pronto. é isto. tenho comichão nos ombros, nas mãos, nas cicatrizes e nos cortes.

não é agradável.

ao mesmo tempo tenho os pés gelados e uma vontade imensa de me sentar em frente à janela, nariz a bater no vidro a imaginar que sinto o vento nas trombas.

a única coisa que sinto é o peso de mim mesma nesta cadeira.

não gosto.

ando a ver mal como a merda. preciso de mudar de lentes, eu sei, mas a coisa é cara e não me apetece gastar tanto num pedaço de vidro. cerro os olhos, tento focar com mais força, continuo sem ver nada. vai dando para conduzir e trabalhar, e confundo a vida, que pensa que me pode confundir com as cenas, e sou eu que a confundo, porque não as vejo.

seguia um blog, durante imenso tempo que adorava. a mulher escrevia que me fascinava e eu não sou de fascínio fácil. não é que fosse demasiado bem escrito, ou bonito, mas havia uma irreverência nas palavras que me dava vontade de lhe dar um valente aperto de mão e convidá-la para beber umas canecas de cerveja. (não bebo cerveja, mas era a vontade que tinha).

a mulher foi mãe e só fala de cócós. respeito. eu não sou mãe e só escrevo merda.

mas sinto uma enorme desilusão, não por ela, mas por mim, porque se acabou a vontade de partilhar com ela a minha vontade de a convidar para uma cachaça bem bebida.

assusto-me por isso, quando me vejo com tantos anos, quase velha, uma vida de porcarias, umas atrás dos outros, cenas, gentes, tralhas, tudo junto, e se me aparece gente tão velha como eu, com casamento, marido, casa e putos.

ah os putos.

o cocó, os vómitos projectados, a papa mastigada que cai pela cara abaixo, o ranho verde, as noites sem dormir, as cólicas e os rios de dinheiros gastos naquele bocado de carne com vontades. e ainda assim, o pessoal a querer tê-los como cogumelos, como a certeza de um objectivo de vida.

não entendo.

não me peças para ter filhos. (para já pelo menos).

quando entrei para a universidade o meu melhor amigo, que conheci lá, e me apoiou em todas as quedas, e me transformou em muito do que fui (o que sou não é o que era), e que tinha dez anos a mais que eu, queria casar. e ter filhos. ah, o sonho de ter um filho.

hoje em dia, quase dez anos depois dessa data (cum caralho, dez anos) ele não está casado, nem tem filhos, nem sei sequer, se os quer ter. tenho medo, que as minhas palavras da altura, secas e banais, sem percepção da realidade do que dizia, o tenham trazido para o lado de cá, e o influenciem ainda hoje, a não contribuir para a natalidade. não é que me sinta tão importante que influencie tanto assim uma vida.

mas lá que o mudou, disso mudou.

estou com comichão no corpo todo. e já por duas vezes olhei para o x-ato com a sensação que podia começar a retalhar a pele onde morde.

olhei nada.

era só para chatear.

 

e já agora, como vieram vocês ter a este blog? eu disse-vos, entraram sem querer, ou perseguem-me com psicopatia?

não consigo dormir com esta dúvida.

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parabéns

por M.J., em 26.03.14

para ti meu doce, pequenina, que entra nesta taberna com assiduidade, à espera de ler aquilo que não tem como ser lido, a deixar opiniões, a fazer ouvir-se, com uma doçura, uma simpatia, um sorriso imenso, os meus parabéns.

Um dia imensamente feliz.

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atualização

por M.J., em 26.03.14

foi nesta semana que tive um retrocesso imenso, gigante, naquilo que construí nos ultimos tempos. um retrocesso só meu. não ofendi, não calquei, não mergulhei em trevas escuras. simplesmente deixei-me levar num sentimento que apareceu do nada e me tornou incapaz de reagir, deixando-me prostrada, sentada sem saber como reagir, como seguir, sem qualquer capacidade de fazer fosse o que fosse e, ainda assim, com todos os meus sentidos alerta para desatar a correr e fechar-me em casa, na cama, durante o resto da minha existência.

havia apenas uma maneira de reagir e fi-la.

se estou arrependida? não. há marcas a mostrar-me a minha opção mas não podia, não sabia, não tinha como ultrapassar senão dessa forma.

ainda que ninguém entenda...

porque as coisas são o que são.

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banalidades

por M.J., em 24.03.14

fui-me abaixo hoje. como não ia há muito tempo. de uma forma abismal. de um desanimo tão grande, tão profundo, tão incapacitante que por momentos pensei que ia desaparecer de dor.

apenas recuperei quando busquei as forças na velha técnica de recuperar o controlo.

sinto-me viva outra vez. ainda que não capaz.

mas viva

e é tão irónico.

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oh vai ver ali:

publicado às 10:12

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