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um dia

por M.J., em 30.04.14

Um dia alguém me vai dizer isto, antes de eu adormecer.

nesse dia não adormeço com o pensamento diário de "espero não acordar amanhã".

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nível de totozice por secção

por M.J., em 30.04.14

Sempre achei que o pessoal que faz parte de certos e determinados grupos é tótó.

Mas muito tótó. A um nivel daqueles mesmo grande. Elevado à séria.

Gente que veste uma farda e que desfila com ela, de livre e espontânea vontade, igual a muitas outras pessoas, que também a vestem, e circulam pelos sítios com ar de orgulho é tótó.

Só tenho de fazer uma ressalva: é que eu fui tótó, durante muitos anos. Fui assumidamente uma tótó das bandas.

No entanto, não consigo hoje em dia não rir, sempre que vejo uma banda filarmónica com os seus membros a estalar de orgulho numa procissão. Oh pessoas: vocês estão todos vestidos de igual, com roupa nada bonita, diga-se, tocam na sua grande maioria mal, e andam em romarias religiosas. Têm chapéus esquisitos na tola, gravatas no pescoço e sopram para dentro de um instrumento. Usam gravata e caminham todos ao mesmo tempo. E desafinam como a merda, que banda que é banda desafina. Onde está o orgulho?

Ah mas eu tinha. Eu tinha. Um orgulho desmedido. Dia de saída com a banda era sagrado. Fazia amizades, laços quase fraternais. Só faltou mesmo juras de sangue, com o dito a saltar de mão em mão.

 

Pior, pior é a gente dos ranchos folclóricos. Tinha umas amigas que dançavam num. E era vê-las, em pleno verão, aos saltos e cambalhotas, em cima dum palco, vestidas dos pés à cabeça com umas saias esquisitas, a suar por tudo o quanto era lado, enquanto uma gaja muita gorda cantava fininho. Lindo, lindo.

Depois desses estão os tótós dos escuteiros. E das duas uma: ou aquilo é fetiche, ou o pessoal é maluquinho. É que um adulto feito, na sua plenitude, achar interessante passar os dias livres com um bando de putos, vestido com uns calções e umas meias que lhe chegam pelo joelho, é coisa para ferir a alma. É que podia ser tudo muito aceitável, muito bonito. Mas aqueles calçõezinhos e as meias com os lacinhos tira qualquer credibilidade à coisa e faz lembrar determinados prazeres de gente estranha. 

Por fim estão os tipos dos bombeiros. Não os que combatem em incêndios, ou salvam vidas, que cum camadro, atacá-los era esperar uma saraivada de pedras nas trombas. Não. Refiro-me aos que acompanham as bandas e as fanfarras e os ranchos nas procissões, carregando uma bandeira, emproados até ao pescoço com a alegria de ter tal responsabilidade.

 

Gentes vós tendes de ver uma verdadeira procissão com olhos de ver e apreciar o ar orgulhoso destas pessoas, ali assim, a brilhar ao sol.

É só pena que não tenham visto o meu.

Às vezes, havia dias, eu era a mais orgulhosa de todos.

 

 

 

*Nota final: não refiro aqui os tótós dos trajes académicos. É que antigamente um papá ver um filho de preto era motivo de lágrimas de orgulho. Hoje é motivo de lágrimas de preocupação, não vão os ditos entrar no mar amarrados, ou saltar em cima de pedras a cair.

E finarem-se.

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publicado às 15:54

fodasse não posso

por M.J., em 30.04.14

descobri um blog que se chama diário de uma princesa.

estou boquiaberta com tamanha descoberta.

ah se eu tivesse tempo, o tempo que poderia passar a divertir-me com aquilo.

aposto que é só felicidade, coisas lindas e muitas marcas.

talvez amanhã tire o feriado inteiro para isso.

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pergunta depois de almoço

por M.J., em 30.04.14

as pessoas que apelidam o blog de cantinho por acaso gostarão na vida real de cantos? sentar-se-ão num cantinho a fazer coisinhas, na casinha delas, ou na pastelariazinha, ou no autocarrozinho, a comer coisinhas, a ler coisinhas e a falar com os amiguinhos?

 

 

can·to 2
(latim canthus, -i, arco de ferro em volta de uma roda)
substantivo masculino

1. Ângulo formado pela reunião de duas paredes ou quaisquer outras superfícies. = ARESTA, ESQUINA, QUINA

2. Ângulo saliente.


"canto", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/canto [consultado em 30-04-2014].

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dos dias

por M.J., em 30.04.14

não sou lá grande amiga. talvez pelo dia a dia, pelo meu desleixo natural, por andar a correr de um lado para o outro, por querer descansar ao fim de semana, por me dedicar à pessoa com quem vivo, a questão é que não sou grande amiga.

nem tenho grandes ou pequenos amigos.

não tenho. já não tenho. houve tempos que sim. que trocava mensagens ininterruptas com pessoas que eram a minha família, os meus amigos, parte da minha vida. que seguia com eles para todo o lado. que combinávamos coisas e coisos, que fazíamos planos e programas.

agora não.

é por isso que tem dias que me sinto incrivelmente sozinha. não sozinha de amor ou atenção ou carinho. mas sozinha daquele amigo, daquela amiga com quem falar sempre, mal ou bem da vida. com quem desabafar coisas boas e más. com quem sair.

daquele amiga que estava ali sempre, incondicionalmente.

hoje é um desses dias.

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do suicídio

por M.J., em 28.04.14

há muito estigma acerca do suicídio. muita curiosidade doentia. muito apontar de dedo. muito julgar na ponta da língua. palavras atiradas do alto de uma sapiência da vida de cada um. muito "cobarde", "fraco", "não tenho pena nenhuma". ou "coitado", "coitadinha". e ainda "parvo. era passageiro o problema, a decisão é definitiva".

há muitas postas de pescada a dar sobre o assunto. muitas opiniões.

pois pó caralho com elas. pó caralho com gente que avalia a dor dos outros. pó caralho com gente que julga a dor dos outros. pó caralho com gente que se arma na dor dos outros sem nunca a ter sentido.

filho, filha, tu, caralho sejas tu quem fores que abanas a cabeça com descrença e te achas no direito de apontar o dedo a quem decide tirar a sua própria vida. que te achas mais forte porque fodasse, ultrapassaste aquele problema que te andava a dar cabo dos calos e nem por isso te mataste. que te achas superior porque não sucumbiste à dor.

és um herói, tu, filho, filha, pó caralho tu que julgas a dor que não sentiste e que te levou ao fim. um herói tão magnifico por não a teres sentido. mas não te esqueças:

antes de julgar a dor dos outros, reza muito, pede muito, pensa muito em não teres nunca tamanha dor que te faça sucumbir à morte, como um alivio desta puta desta vida.

 

ele decidiu. a decisão é dele. não mandes postas de pescada no que não sabes.

 

Morreu o actor Pedro Cunha

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do nunca.

por M.J., em 28.04.14

a dor de cabeça voltou. o peso nos olhos. um cansaço de alma. porque pensar muito dizem que cansa. há um estudo qualquer acerca disso e tudo. vida dura esta. dói-me a cabeça e queria dormir. muitas horas. dias seguidos. às vezes adormeço a pedir alguém, não sei bem quem, que isto dos que estão cima de nós é assunto controverso, para não acordar. disse isso ao moço, em desabafo que ficou chocado. não posso dizer portanto, que as loucuras duras são minhas e desabafos destes ninguém entende.

dói-me a cabeça.

nunca mais sou velha.

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publicado às 11:13

o douro

por M.J., em 28.04.14

o douro é lindo. magnifico. brutal. gostei de tudo. lamego e as suas mil escadas, régua, pinhão e tantos outros que não lembro já o nome, os socalcos das vinhas, a casa magnifica onde ficamos (uma pechincha) com uma vista deslumbrante sobre o vale, todos os percursos pelas cidades e aqueles mais escondidos, onde se pergunta muitas vezes como é possível ali alguém viver, com os cães, os acessos horrorosos, a taberna com os homens à porta a coçar a tomateira...

o douro é lindo, magnifico, brutal. o meu sonho atual é comprar uma casa, no meio de uma vinha e viver ali, passeando nos socalcos com um grande chapéu de palha, um vestido esvoaçante e um serra da estrela ao meu lado (mesmo nos dias de chuva, que o que tapa o calor também tapa o frio).

 

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publicado às 09:13

ainda sobre o tema da pipoca

por M.J., em 24.04.14

porra. com a minha vertente masoquista fui lá ler aquela treta outra vez. porra. seja um cão muito carracento se entendo. a mulher diz que tem pena de quem não quer ser mãe. diz que quer engolir o filho. tem dezenas de comentários de pessoas a concordar com ela. todos começam com "pipoca". todos se enternecem com o que ela escreve. há uma que diz que chorou ao ler aquele testemunho sentido. outra que diz que não entende o desejo das mulheres de não quererem ser mães. mais um bocadinho e esses seres estranhos que não querem parir são queimados na fogueira das bruxas porque não são úteis ao mundo. 

e no meio disto tudo só uma questão me vem à cabeça, insistentemente a bater-me na testa: sou só eu que acho que pipoca dito muitas vezes e dirigido a uma mulher faz lembrar a dita coisa da mulher, por onde nasceu o puto que ela quer engolir? do género "a tua pipoca vai bem?", ou "ah e essa pipoca? a adaptar-se às calcinhas novas?"*

na faculdade uma gaja, em plena aula de direito das obrigações I, disse que chamava à sua de lena enquanto eu a diana tivemos de fazer esforços para não chorar a rir.

mas pipoca era bem melhor, já que é para escolher nomes. 

 

*é oficial. esta tasca atingiu um nivel de javardice nunca pensado. 

 

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da pipoca

por M.J., em 24.04.14

pela primeira vez na minha vida, e sem saber ao que ia, acabei de ler um post nesse grande blog, nessa imensa coisa da literatura, nesse fantástico e magnifico mundo que é a pipoca mais dois. nem sequer sabia que a moça tinha sido mãe. sabia apenas que ela tinha um marido que se apelida de arrumadinho (o que me dá muita vontade de rir, porque sempre que penso no nome vem-me à cabeça alguém que dobra as truces ao lado da cama e pede licença para ter um orgasmo) mas não sabia que tinha sido mãe.

pois meus senhores, inadvertidamente li um post e descobri que a moça tem apetites de engolir o filho sempre que ele está ao colo dela.

é sério. não é má língua minha, nem ironia, nem nada que se pareça. a moça diz mesmo, preto no branco, ali escarrapachado que quer engolir o filho.

alguém da comissão de protecção de menores devia averiguar o assunto...

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