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bobi?

por M.J., em 29.08.14

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publicado às 14:40

que juro, sem qualquer exagero, que já espirrei mais de cinquenta vezes desde que acordei, já gastei três pacotes de lenços e agora agarrei-me ao rolo de papel higiénico.

 

e não há ceterizina que acabe com isto.

 

daqui a nada não tenho nariz.

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publicado às 11:17

a minha segunda casa era na avenida e tinha um jardim escondido, num segundo nível para onde sabia por umas escadas. a senhoria era mais uma vez, uma velha chata. costumava ir lá a casa queixar-se da mãe, que sofria de Alzheimer e estava num lar de idosos. queixava-se que a mãe não merecia o dinheiro que ela pagava pelo lar todos os meses, que tinha sido mal tratada a vida toda e o que merecia era pô-la num sitio qualquer, que a rua não fazia mal nenhum a ninguém.

eu ouvia e calava. encolhia os ombros que a casa era barata e vivia comigo uma moça brasileira que eu gostava muito, da minha turma, com o namorado.

ele tocava numa banda de reggae com uma série de gente, estranha, mas que à data era para mim o supremo do cool. eram na sua maioria brasileiros e cabo verdianos e reuniam-se num bar a ensaiar. e eu, com a minha mochila cor de rosa, gordita, anafada, com as cadeiras já todas feitas naquele junho, a estudar para as melhorias seguia-os, feliz e contente.

a primeira vez que assisti a um ensaio havia tabaco que não acabava no ar. não me incomodei, demasiado feliz por, finalmente, pertencer a algum lado. à noite, a minha colega perguntou se eu não levara a mal eles estarem a fumar aquilo, que um deles até perguntara se não havia problema. não percebi o que era "aquilo". depois, o Rafa, que estudava comigo todas as noites, adiantou-me, sorrindo da santa ingenuidade, que era droga.

mas da leve.

depois, passados uns dias, começaram a aparecer plantinhas em vasos no jardim. achei piada que o brasileiro gostasse de plantas, eu que não ligava nenhuma.

naquela altura faltava-me apenas uma melhoria para vir de férias. eles foram uma semana para fora. antes de ir ele pediu-me, simpática e humildemente, se lhe podia regar as plantas. acedi que sim, ora essa. sempre haviam sido meus amigos, simpáticos, gostava deles.

nessa semana reguei as plantas com atenção todos os dias. eram feias, sem flores e cresceram pouco. quando voltaram ele agradeceu imenso e eu fui de ferias de verão.

 

a meio das férias, o Rafa, também amigo deles, ligou-me e com um sorriso escondido, perguntou a quanto vendia a droga.

pasmei. estúpida. que conversa era aquela?

é que agora, que era co-produtora de plantinhas de gansa, sempre poderia querer fazer uns descontos aos amigos.

 

 

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publicado às 10:49

piquininices

por M.J., em 28.08.14


para oferecer, pois claro

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publicado às 18:44

...

por M.J., em 28.08.14

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publicado às 16:35

é como se sentisse que tenho mil coisas a dizer, como se precisasse de lavar a alma com as palavras que me consomem, matam, dilaceram o peito e não saem, num amuo tremendo, numa zanga que me ultrapassa, me consome, me queima as palmas das mãos.

é isso.

tenho as palmas das mãos queimadas, em ferro, em sangue, em carne viva, à espera de serem úteis, de fazerem qualquer coisa que as ocupe num sentimento de realização que existe.

preciso de um plano b.

que não tenho.

preciso, como sempre tive, de ter a solução caso as coisas dêem errado, para o "e se" caso o "e se" se venha a verificar. preciso de ter, como sempre tive, a mochila debaixo da cama, com o pijama, a escova de dentes, as cuecas e as meias, a toalha e o fato de treino. tive esta mochila durante anos, fechada, encostada debaixo da cama, sempre pronta, sempre passível de ser utilizada no caso da urgência, da guerra, dos gritos, da vergonha de sair à rua e procurar abrigo em casa dos familiares.

durante anos, até mesmo à maioridade, creio eu, tive uma mochila, assim preta, prontinha a ser usada. estava ali. como salvação, no único controlo que podia ter para as noites de desespero que me consumiram e, creio, me trouxeram até aqui.

quando saí de casa, anos mais tarde, continuei com a mochila preta a um canto. nunca assentei em muitos sítios com a sensação plena de ter a minha casa, como minha, como o meu sitio, como o meu canto, o meu ninho, o meu refugio. havia sempre o fantasma da mochila preta, ali, prestes a ser usada num momento tranquilo. não mudei os quartos por onde passei. não comprei flores, peluches ou merdas que não precisava. limitei-me sempre ao mínimo necessário. para quê acumular coisas quando a qualquer instante pode ser preciso fugir?

no auge da loucura, poucos meses antes de me quererem internar (o internamento é algo que me é muito sensível, numa espécie de ameaça da loucura perene e certa) simplesmente não conseguia estar em nenhuma casa. nem naquela que sempre me disseram ser minha, nem na outra onde passava as semanas. mudei de sitio, na certeza que era aquele quarto que me sufocava, que eram aquelas paredes que pareciam derramar-se em cima de mim. passei para outra onde despejei apenas os objectos inevitáveis, uma pouca roupa, um ou dois livros, calçado, nada mais. nem uma flor, nem um enfeite. fechei numa gaveta a caixa das recordações. eu estava pronta para fugir caso fosse necessário. e tinha a certeza que seria necessário.

depois tudo mudou. dei comigo a acumular tralha. a ter porcarias que nunca julguei querer ter. merdas que tornam a casa acolhedora. plantas. flores, chaveiros. tricô. pratos, copos. porcarias que mostro orgulhosamente aos amigos. tapetes. cortinas. merdas que não servem de nada. 

esqueci a mochila preta. esqueci a muda de roupa. a pasta de dentes. a toalha. as cuecas e as meias. engordei. adaptei-me à vida. deixei de beber pelos caminhos. de sair e ficar horas sentada num bar qualquer a ver o tempo passar. não voltei a procurar refugio do medo da noite nas casas de amigos, ou no carro em frente à praia. desabituei-me do desespero. desabituei-me e deixei de o conseguir sequer sentir. 

e agora que penso nisso, aqui sentada, quieta, estou a achar que devia ter uma mochila, ali debaixo da cama. como plano b da vida. como uma espécie de controlo daquilo que não posso nem consigo controlar. 

devia, não devia?

 

(texto repetido, por uma questão de coerência)

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publicado às 10:52

às vezes temos de saber

por M.J., em 28.08.14

quando é hora de desistir. pegar na mochila. sair.

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publicado às 09:18

"(...)

E mesmo que a minha modesta opinião nada interesse, nem a de ninguém, porque a tua tasca tem vida própria e se está a marimbar (apetecia-me dizer a cagar, mas ..) para o que pensam dela, digo-te que fazias um grande favor à Humanidade em não (te) mudares nem um bocadinho, nunca, por ninguem, por nada, nem que Deus ou o Diabo to ordenem, por dor nenhuma, por amor nenhum.
Doi-me a tua dor.
A sério.
Mas é essa dor que molda tudo aquilo que te faz única. 
Que faz a tua visão de ti, das coisas, das loisas, do mundo, das merdas e das bençãos, terrivelmente acutilante e cativante.
No final de todo o vulcão de sensações, fica o prazer em te ler.
Puro prazer."
Pronto. É por isto, também, que a tasca vai ser sempre tasca.
(Obrigado)

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publicado às 16:24

literatura. da boa.

por M.J., em 27.08.14

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publicado às 14:08

 

Joey.... Joe... és... és tu?

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