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...

por M.J., em 31.10.14

estive a cuscar o facebook de uma amiga do secundário durante a hora de almoço.
fiquei deprimida.
não fiquei deprimida com a felicidade dela, mas fiquei chateada por o mundo estar tão mal dividido. a gaja é rica, daquelas ricas de nascença. é loira, sem ser falsa, e tem uns enormes olhos azuis e uns dentes perfeitos, todos no lugar.
não há a puta de uma fotografia no facebook onde ela não apareça a rir, com um ar feliz ou lânguido, mas sempre com os beiços arreganhados. e gira. caralho.
depois casou com o namorado que já era o namorado no secundário. e pôs as fotos no facebook, com um longo vestido branco. e a foto em que ele a pediu em casamento, de joelhos, com uma caixinha que devia lá ter um anel.

 

agora está grávida.

perante a perpectiva de mil fotografias de mãos, pés e frases do "quando o amor de duas pessoas não cabe no peito nasce uma terceira" desactivei as notificações.

pobre moça.

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- ai, pois, porque estou zangada, chateada, e pardais ao ninho, vida de merda, cortes na carótida.

- que merda... olha vou lanchar.

 

quase ao mesmo nivel desta foto em destaque pelo douto sapo:

 

não há nada mais agradável a uma sexta à tarde que ver a genitália assada de um recém nascido.

 

ah se fosse uma mamã incauta a postar uma fotografia destas no facebook... o bando de marias ofendidas, defensoras dos bons costumes que não se (a)levantariam!

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publicado às 16:39

lembrei-me sem vontade

por M.J., em 31.10.14

que em dois anos seguidos este foi o dia de recomeços.

estranhamente nunca correu bem.

 

este ano, por causa das coisas, abro uma garrafa para brindar ao passado*.

 

 

* ao ponto que chegou a emoção da minha vida. 

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publicado às 15:21

posso mandar com um molho de couves nas trombas de alguém que vá a minha casa pedir doces hoje?

é que não sabia que essa merda fazia parte das tradições portuguesas.

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constatação

por M.J., em 31.10.14

assim, qualquer pessoa que se preze acorda de manhã e pensa que dava tudo para ser enxovalhada.

mas bem enxovalhada. enxovalhadinha à séria!

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publicado às 11:46

lembrei-me de me lembrar

por M.J., em 30.10.14

eu sentia que não era dona da minha vida. vivia num mundo negro de angústia que não controlava. deixara de conseguir saber quem era ou tomar consciência dos meus gestos. lutara por mim, contra mim e a meu favor durante muito tempo. em meses fui-me deixando cegar pela negrura dos dias. quando dei conta estava enfiada numa cama repleta de álcool, comprimidos que engolia como doces e um braço retalhado, na superficialidade dos cobardes.

 

deixei de assumir o controlo da minha vida quando a única coisa que queria era controlar a dor e o desespero e o nevoeiro cerrado que me impelia a saltar,a cortar-me e a adormecer-me em mil comprimidos. 

desci ao fundo de uma forma que pouca gente desce, ainda que no fundo, numa réstia qualquer que era eu ainda, ainda mesmo não sendo, desci ao fundo dizia eu, de uma forma que pouca gente desce. e houve de tudo. gente que me estendeu a mão, gente que se manteve indiferente, gente que assistiu, com um longo sorriso como quando se vê um filme, esperado de comédia dramática.

quando me ponho a pensar em todas as loucuras, todos os gestos, todos os actos, todos os sentimentos, tudo e todos que envolvi num desespero que era só meu e que não consegui controlar, ainda que achasse que sim, nos cortes, na medicação e em todos os comportamentos auto destrutivos que assumi, sinto um medo descomunal de um dia, numa vida qualquer, descer ao mesmo abismo onde desci.

não estive sozinha nessa época. mas cheira-me que possivelmente ficaria sozinha num futuro.

 

o que bem vistas as coisas é um retrocesso. 

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publicado às 18:32

...

por M.J., em 30.10.14

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto

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um dia

por M.J., em 30.10.14

só um dia, vou perceber essa coisa do orgulho gay. ou o orgulho em ser branco. ou o orgulho em ser preto. ou o orgulho em ser homem. ou o orgulho em ser mulher. ou o orgulho em ser capaz de urinar e defecar. 

não são tudo coisas que aconteceram sem termos poder de decisão?

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estou em choque

por M.J., em 30.10.14

acabei de ganhar um presunto numas rifas que nem me lembrava de ter comprado.

 

e não, não foi a minha coxa!

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publicado às 16:26

boa tarde

por M.J., em 30.10.14

por ai alguém?

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