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por M.J., em 31.12.14

Descobri que os meninos Jesuses das janelas já não estão deitados num fundo vermelho vinho. Agora é azul máquina de preservativos. De certeza que foi escolhida pelo novo Papa. (Não, não desejo bom ano outra vez. Os animais dos meus desejos nunca se realizam).

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publicado às 19:33

pó almoço

por M.J., em 31.12.14

 

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publicado às 12:21

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por M.J., em 31.12.14

não gosto de dentistas. não gosto. obrigam-nos a estar imenso tempo com a boca aberta, enfiam-nos agulhas horrorosas nos dentes, têm sempre uma cárie qualquer a apontar, seja no um ou no trinta e seis, fazem perguntas enquanto nos enfiam instrumentos de tortura boca dentro e olham-nos sempre com ar de sobranceria de quem tem os dentes muito mais direitos, brancos, brilhantes e saudáveis que nós.

ou que eu, pronto.

além disso, à pequena fortuna que os meus dentes estão neste momento, dentista nenhum devia cobrar-me fosse o que fosse. devia ser bónus, desconto da casa.

- ah sabe como é, os chocolatitos...

eu sei fodasse, eu sei! mas é graças aos chocolatitos que te dou um salário!

(a sério, vós não fazeis ideias da fortuna que gasto com a dentadura).

ainda assim os dentistas, mesmo odiosos, a lembrarem torturadores medievais são indispensáveis. e deviam estar acessiveis a toda a população (sinceramente, nunca fui a um dentista através do SNS). porque se há uma coisa em que a pobreza se reflecte é nos dentes das pessoas. estragados, podres, caídos.

e ainda assim, pasme-se, há quem decida tirar férias antes de tratar das cáries, comprar imensa roupa antes de tratar das cáries, fazer empréstimos ao banco para comprar uma bimby antes de tratar das cáries, ser mamã e papá antes de tratar das cáries.

é que sejamos francos. não há nada mais sexy do que um casal com dois recém nascidos gémeos, com laçarotes, a passar férias no algarve, num apartamento do sétimo andar com vista para o mar, a cozinhar numa bimby, vestidos com o best do best, a posar para fotografias a esparramar no facebook, com sorrisos desdentados!

 

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constatação

por M.J., em 30.12.14

percebes que o mundo é um lugar idiota quando pessoas que apregoam aos dez ventos que não vêm reality shows usam em todas as frases que roncam o "agora pensa", "tásaber" e "é assim".

só falta virarem-se para ti, com ar lânguido, mãozinha no teu braço, murmurando um "bates forte cá dentro".

cum caralho!

 

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publicado às 17:52

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por M.J., em 30.12.14

uma carrinha de distribuições, dos ctt, bateu ontem, no poste, em baixo de minha casa. estava um frio da merda, da merda mesmo, e enquanto pensava no que iria ser o jantar ouvi um senhor de um estoiro que me pôs os cabelos em pé. até o cão e a criança do andar de baixo, que ganiam os dois ao despique, se calaram no espanto.

pensei, juro que pensei, que estávamos a ser atacados.

depois do choque fui à varanda. mal pus o nariz no ar frio da noite arrependi-me. mesmo assim, burra que nem mil portas deixei-me ficar. a vizinhança acorreu em peso a ver o sucedido. a vizinha gorda, do andar de baixo, no seu caminhar dançante foi logo à mercearia, de chinelos e tudo, cabelo curto colado à cabeça. a vizinha do lado veio à varanda, com as duas netas. disse-me boa noite e tudo e ficamos as quatro a olhar o carro, destruído no canto.

o rapaz, desgraçado, que batera, estava sentado no chão, mãos na cabeça com ar miserável. a multidão ia aumentando. o filho de mil putas do frio também. a vizinha do lado queixou-se do gelo, as netas encolheram os ombros. continuei na varanda, a gelar.

dez minutos depois chegou a ambulância. pelos vistos um segundo carro estava envolvido ao barulho. tiraram uma moça que gemia alto. veio a policia, uma carga de trabalhos. o rapaz continuava sentado no chão. o policia aproximou-se, ajoelhou-se ao lado dele. tirou notas. o rapaz continuou sentado. a senhora da mercearia chegou-se  a ele, na multidão que aumentava. o rapaz nem se virou, olhos postos no chão, o poste de luz em cima.

a policia foi embora, os bombeiros foram embora, a multidão começou a dispersar no frio de merda que se sentia.

o rapaz levantou-se finalmente. logo a vizinha de baixo se acercou dele, deixando a senhora da mercearia, chinelos de quarto nos pés, um passo bamboleante de gorda. o rapaz pegou no telemóvel, entrou na mercearia.

cinco minutos depois veio o reboque, levou a carrinha, semi-destruída. o rapaz, que não era mais que um miúdo, foi a caminhar rua abaixo, peito encolhido, mãos nos bolsos.

a vizinha voltou a casa, gritou para a de cima, na varanda do lado:

- orgulhoso de um raio. não quis boleia de ninguém. e nem explicou como não parou no stop. só podia estar bêbado.

 

às vezes tenho vontade de colocar cócó de cão na caixa de correio da vizinha de baixo!

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da importância de desistir

por M.J., em 30.12.14

sempre acreditei que desistir é para os fracos, cobardes, inúteis, falhados. foi-me dito desde sempre. aprendi a acreditar nisso. nas aulas de educação física (insiste, insiste mas não desiste); nas aulas de música, quando ainda que não satisfeita com a porcaria do instrumento que me fora dado, insisti até aquilo se transformar em música; no curso da faculdade, quando no primeiro ano, desiludida, sem perceber um corno, sozinha, assustada, dei a volta ao primeiro semestre e acabei com uma senhora média; nas aulas de condução, quando apesar de ter chumbado no primeiro exame pela coisa mais ridícula (hei-de contar esta história) insisti, comprando mais seis lá quantas aulas e passando à segunda; na primeira dieta; na segunda dieta; nos mil dias em que quis acabar com a vida; no dia em que quase consegui acabar com a vida; no dia em que decidi que ia, de uma vez só, destruir-me e não deixaram; no dia em que decidi que ia erguer-me e aqui cheguei.

sempre assumi que não ia, jamais, desistir de nada a que me propusesse. é certo que desisti de pessoas, relações. muitas até. algumas bem importantes. bem sérias. mas isso é outra história.

posso garantir que esta treta é mais um lugar comum. mas, acreditem ou não, apercebi-me, recentemente, à minha custa mais uma vez, que sou do tipo de só aprender às cabeçadas (e só depois da cabeça estar rachada), que não faz mal nenhum desistirmos de vez em quando. nem nos torna cobardes. fracos. inúteis. acredito piamente, talvez isso mude um dia (de certeza que muda, é só precisar de ter outra argumentação) que faz bem desistir de certas coisas. de certos objectivos a que nos propusemos e que, por alguma circunstância, se tornam diferentes daquilo que pensáramos. um trabalho que não nos realiza; uma relação que não nos faz bem; uma dieta que está a tirar-nos pequenos prazeres; um livro que não interessa; um filme chato.

acreditem. é preciso mais coragem para desistir de uma situação estável mas que não nos satisfaz, do que para manter essa mesma situação, ainda que nos faça sofrer horrores.

em 2015 desistam mais do que não interessa. nem sempre bater com a cabeça em algo que está, inevitavelmente, condenado a tornar-vos infelizes, achando que vai mudar, no próximo dia, na próxima semana, no próximo mês é sinónimo de força.

eu diria, assim no geral, que é mais sinónimo de cobardia e medo de mudança.

 

é isto.

daqui a nada já volto às caralhadas.

 

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pó almoço

por M.J., em 30.12.14

 

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tenho uma coisa a dizer-vos

por M.J., em 29.12.14

está um frio de merda.

de merda.

(e um senhor de uma carrinha de distribuições acabou agora mesmo de bater, ali em baixo, sozinho, com a dita, num estoiro que pôs o bairro todo de alerta).

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queria jurar

por M.J., em 29.12.14

que não vou dizer que gosto de listas de desejos de ano novo; ou que não concretizo nada; ou que as listas são idiotas.

mas não posso.

sou somente uma pessoa vulgar e espero deliciar-vos com meia dúzia de linhas acerca de como espero, em 2015, concretizar sonhos e planos ambiciosos e ler mais e escrever mais e comer menos e fazer exercício e ter muita paz e amor.

amén.

 

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publicado às 18:47

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por M.J., em 29.12.14

estou há dez minutos a tentar escrever uma merda qualquer, repleta de lugares comuns, acerca da amizade.

nadinha meus senhores, nadinha.

garanto que se alguém me definisse o conceito ficaria agradecida.

talvez conseguisse escrever um post repleto de frases feitas e merdas inconcretizáveis.

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