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da serra

por M.J., em 31.05.15

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quando nascemos e nos criamos na serra damos de caras com situações estranhas, rituais que vêm de trás e perseguem os tempos, adaptando-se e sobrevivendo por mais pequenos, por mais tristes que sejam.

um deles consiste numa coisa torpe, hedionda que se moldou aos tempos: o enxovalhar, de forma anónima, alguém pelas ruas da aldeia.

em tempos, durante a noite, alguém se escondia e gritava, em cima das árvores o que pensava de outro alguém. coisas mimosas: que andava a trair o marido com o vizinho, que devia na loja a conta do mês, que não se lavava por baixo, que deixava os filhos terem piolhos na cabeça.

ao outro dia davam-se palmadinhas nas costas do "relator" e apontava-se o dedo à vitima, como a puta do sitio. era um acontecimento na aldeia e agitava as gentes. 

como disse, a coisa veio até aos dias de hoje e há umas semanas atrás, quando fui almoçar a casa dos papás, encontrei pousado por lá um papel, impresso em tinta rasca, com frases feias de alguém, atentados à gramática e à escrita. falava-se, ou melhor escrevia-se de uma moça. pequeninitas, coisas feias, da esfera privada de cada um. e depois de imprimir umas centenas espalhou-se, durante a noite, pela aldeia, encontrando-se de manhã e lendo-se com gula nos espaços de bebida.

quando li aquilo senti um asco enorme em cada palavra. apeteceu-me rasgar cada pedacinho, ainda que mal conhecesse a vitima, nunca tivesse falado com ela e não quisesse saber se aquelas porcarias eram verdade ou não. quando fiz essa menção a mamã encolheu os ombros e disse que podia fazê-lo mas de nada ia valer. haviam centenas, cada casa tinha um, numa partilha da informação como segredos e coisas bonitas.

senti um nojo ainda maior.

 

confesso que tive pena da rapariga. não por lhe apontarem o dedo, não por gritarem obscenidades falsas sobre ela mas pelas pessoas que podia perder pelo caminho, que perdeu, aliás, pelo caminho, que se afastaram beliscadas de alguma forma com a possibilidade de aparecerem conotadas com ela.

viver na serra, é ainda hoje, uma prova de sobrevivência. 

 

 

 

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da seriedade.

por M.J., em 31.05.15

demorei algum tempo a decidir escrever este post. podem ver pelo adiantado da hora.

decidi, no entanto, fazê-lo porque tenho consideração por muitos de vós, que aqui passam todos os dias e porque enfim, podem ver referenciado este espaço e merecem uma explicação.

 

desde que criei este blog que não fiz referência a qualquer pessoa em particular por aqui. não avancei qualquer impropério contra ninguém, não fiz referência directa a qualquer pessoa individual. há pessoas que passam aqui, todos os dias e podem constata-lo. os meus "ataques", se se podem chamar de ataques são todos direccionados para situações com que brinco: mães e seus comportamentos que tento expor, com ironia. nem sempre consigo, bem sei, e sempre o disse também. estranhamente, ou talvez não, há várias mães que ainda assim aqui passam, que comentam, que se riem.

não há em qualquer post meu qualquer tipo de calunia, difamação ou injuria. não há referência a ninguém, seja enquanto personagem de um blog ou de uma página de internet, seja enquanto pessoa que se assume como ela própria. basta ler.

se há indirectas? sim, toda a gente o sabe. mas as indirectas são isso mesmo. dirigem-se a todos os que nelas se queiram inserir ainda que nenhuma delas tenha carácter insultuoso ou injurioso.

não há aqui ataques pessoais.

mais! se alguma vez ofendi alguém com os meus posts, com as tais indirectas digamos, também é certo que nunca ninguém se dirigiu a mim dizendo que se sentia integrado naquelas palavras e que agradecia que apagasse. nunca ninguém o fez. e era fácil. era só - nesse caso - pegar no e-mail e dizer-mo: olha M.J. aquilo que disseste, mesmo não tendo o meu nome, ofendeu-me de algum modo. mesmo não me referenciando foi contra o que acredito ou o que sou. podes retirar?

creio que retiraria. é que por mais de que uma vez, aliás, não aceitei comentários de pessoas que insultavam directamente outras pessoas (figuras públicas, por exemplo) e expliquei-lhes o motivo em e-mail.

ainda assim nunca ninguém me disse nada. nunca ninguém se dirigiu a mim. foi por isso com espanto que hoje à tarde vi-me ser referenciada, não só enquanto personagem que existe neste blog mas também enquanto pessoa que o escreve, com uma data de injurias e insultos à mistura.

é verdade. hoje à tarde (ou melhor, ontem à tarde) fui chamada de besta esfaimada, que devia ter um açaime para parar de ladrar. do mesmo modo, foi dito que devo ter uma vida frustrante, que faço um gozo porco e que tenho dor de corno. tudo assim, directo e às claras, não só, repito, com o nome da personagem deste espaço, com o link directo mas também directamente à pessoa que o escreve, enquanto advogada.

foi feito um ataque pessoal. é fácil. basta procurarem.

 

como disse ponderei em escrever isto. não só porque nem sempre temos paciência para juntar palavras sérias e coloca-las em fila como por achar que tenho mais que fazer. mas faço-o. faço-o porque me parece importante ressalvar, antes que meio mundo pense que ataco meio mundo, que não conheço a senhora, não sei quem seja, não a referenciei em qualquer lado neste blog e nem sabia que tinha facebook. 

não o fiz e todos vocês que aqui passam diariamente sabem disso, porque acredito que metade de vós nunca tenha lido o blog da senhora, nunca lá tenha posto os pés e muito menos por causa de um ataque que nunca lhe fiz.

se eu a atacasse de certeza que teria muito mais visibilidade.

 

mais. escrevo este post, abordando também eu este assunto pela primeira e última vez, porque enfim, ser-se advogada também é isto: sabemos que o escrevemos não integra qualquer ilícito penal mas sabemos também que quando nos chamam de bestas esfaimadas, frustradas, porcas e com dor de corno, a nós, assim, tudo seguido numa página, pois que isso sim, é um ilícito todo preenchidinho. 

resta só saber se me apetece levar isto tão a sério ou não. 

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esta é uma mensagem automática

por M.J., em 30.05.15

 

 

 

 

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do amor

por M.J., em 30.05.15

fui ao aki esta manhã comprar umas idiotices que percebi que fazem falta. percebemos coisas incríveis quando temos de tomar conta da casa, sozinhos, por duas semanas.

quando chegámos à caixa eu vinha farta das gritarias dos miúdos, das chamadas à secção x pela loja toda e do cheiro a tralha. sou uma pelintra armada em rica.

ao lado da caixa estava um expositor com brinquedos para crianças, coisas parvas, lápis gigantes, porta chaves da minnie. sem pensar avancei para o rapaz que aquilo era óptimo para birras de putos e que se tivesse um filho que fizesse uma birra por causa de brinquedos em público lhe cortava meio dedo quando chegasse a casa. assim quando ele visse dedos a desaparecer pensava melhor antes de expor a opinião que ninguém queria.

nessa altura, pelo silêncio que se fez sentir, percebi que a senhora da caixa e o cliente antes de mim me olhavam pasmados e que eu estava a dizer em voz alta as piadas ridículas que escrevo.

pensando já pedir desculpa o rapaz interrompe-me e olhando-me seriamente pergunta:

- querida já não te bastaram os anos na choldra por teres deixado o outro dentro de uma caixa?

tenho a dizer que é por isso que o acompanho ao jantar de hoje.

ah! e a senhora não perguntou se queríamos recibo!

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também vou jantar com

por M.J., em 30.05.15

as namoradas dos nerds que disputam entre si o lugar de nerd queen. e eu, meus senhores, que até comprei malas e sapatos caros não posso concorrer porque estou com uma crise alérgica e o meu nariz é uma batata vermelha. das que não são doces.

credo. nunca serei chique.

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pois que esta noite

por M.J., em 30.05.15

vou ter um jantar com os nerds amigos do rapaz. conseguem imaginar o que é um serão com dez ou onze fulanos a falar de coisas como ubuntu, star wars, witcher, diablo 3, dragon age, kernel e outras cenas que eu não entendo? possivelmente acabarei como da última vez, bêbada a cantar o filho do recluso. deus!

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tenho uma dúvida

por M.J., em 30.05.15

 

que só alguém com duas licenciaturas, que percebe muito de leis e que escreve ficção me pode ensinar:

se eu como advogada esparramar aqui casos, gozando com os ditos, assumindo-me como mulher real e com essa profissão e depois disser que não fui eu mas a personagem que eu inventei, violo ou não violo ética profissional?

o mesmo com um médico. se um médico começar um blog a dizer que é médico e que tem doentes que cheiram mal por baixo mas depois disser que não é médico e que é tudo ficção também não há stress, não é?

 

nem sempre, nem sempre.

alguém com duas licenciaturas, percebendo muito de leis e que escreve ficção devia saber que nessa coisas das leis nem tudo é preto, nem tudo é branco.

há tanta merda cizenta!!!!!

 

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sabem lá as vezes que ouço isto,

por M.J., em 29.05.15

até ao fim, sempre que estou deprimida. 

 

 

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acabei de descobrir

por M.J., em 29.05.15

que o trabalho doméstico é a coisa mais chata, mais deprimente, mais infrutífera, mais frustrante que pode haver à face da terra. que depois de limpar ali está sujo acolá e depois de limpar acolá fica sujo ali. que passar roupa é uma merda porque passamos de um lado e engelhamos do outro e há sempre uma pilha dela à espera de ser tratada. 

agora percebo as "mães a tempo inteiro" que vêm para a net espalhar fotografias dos filhos. haja alguma animação além de fazer camas e servir papas!

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boa tarde

por M.J., em 29.05.15

 

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