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republicando: do amor

por M.J., em 31.07.15

não consigo, por mais que pense sobre isso, imaginar até que ponto vão os limites da dor, a suportar, pelo ser humano. sei mais ou menos os meus limites, o esticar das emoções até às últimas consequências, até o cérebro se transformar numa esponja adormecida e tu, enquanto tu, seres apenas um pedaço de corpo andante, sem qualquer emoção ou sensação.

não sei qual o limite dos outros.

não sei qual a capacidade plena e absoluta de suportar, sem desistir, sem o desespero inundar tudo e quebrar os sentidos, o olhar, o odor, o tacto, o palato. qual o exacto ponto que a maioria das pessoas consegue sentir, sem quebrar, o manto tenebroso de escuridão colado aos ossos. sem acabar por desistir por completo.

ontem, sem querer, dei de caras com alguém, pequeno, frágil, do tamanho de mil pequeninas partículas, ar de menina frágil de rosas, que vive no limiar da dor. olho para ela, observo-lhe a face, os lábios e não sei, juro que não, ainda que tenha passado um bom bocado, hoje de manhã, sentada na esplanada com o vento a bater-me o corpo, como consegue não sucumbir. como os ombros permanecem erguidos. não sei.

saber que a pessoa que é o nosso mundo, pelo qual nutrimos um sentimento de absoluto amor, que nos entregamos em tudo o que somos, com o qual rimos em ingenuidade, com o qual choramos em dias de tristeza, do qual conhecemos os mais pequenos silêncios, o brilhante do olhar, do qual sabemos pedaços de toque, do qual ouvimos a respiração e sabemos que é para sempre, quando sabemos que esse alguém pode morrer, tem mais hipóteses de desaparecer que o outro, o comum dos mortais, e trava um luta, gigante, contra o próprio corpo... como se aguenta isso?

que dose sádica de esperança é preciso carregar nos ombros para ver a outra pessoa, o outro pedaço de nós definhar, lentamente, perder o que era e só restar um corpo, quase sem alma, perdida numa batalha contra a vida, e só ver trevas e morte? que quantidade absurda de coragem, de batalhas travadas consigo próprio é preciso ter para adormecer todas as noites e seguir vivendo, um dia e outro, com a pessoa a morrer, ainda em vida?

como se sobrevive? como se sente o cheiro a terra molhada em dias de verão? como se absorve as cores vivas das primeiras flores da primavera? como se respira o odor de canela e maçã em dias de outono? como se sente a chuva forte de inverno ou o vento fresco em mil voltas nos cabelos? de que sabor se transforma o café quente na pastelaria do bairro ou de que cor fica o vestido favorito, aquele que vestíamos para seduzir, conquistar o pedaço de nós que morre, aos nossos pés, sem pudermos fazer absolutamente nada senão agarrar-nos à desgraçada da esperança?

e depois? como sobreviver ao absurdo e infinito vazio, após a partida? como retornar a lugares comuns, olhar a cama onde ambos dormíamos, o sofá onde exploramos vidas e sonhos, a árvore da frente onde os pássaros cantavam a marcha nupcial das manhãs de domingo? que dose absurda de vida é preciso injectar nas veias para viver após tudo isto?

 

amar meus senhores é muito complicado. amar é o maior desporto radical, a maior dose de adrenalina, a maior bebedeira ou moca de droga que o ser humano consegue sentir. e é também as consequências de quando a corda da escalada se parte, da ressaca do álcool ou da falta de droga, quando o corpo sucumbe ao desespero da ausência.

tem dias, creio, que amar é uma merda.

e ainda assim, a minha vida só faz sentido amando. amando-o.

 

se um de nós tiver que passar por isso, que seja eu a morrer aos poucos meu amor. não teria a dose de coragem das pedras, necessária à sobrevivência.

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bom dia

por M.J., em 31.07.15

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banalidades

por M.J., em 31.07.15

está escuro, mais do n que cinzento. torna-se impossível descortinar o azul do céu por entre as nuvens brancas, muito cerradas. dou por mim a sentir saudades do sítio onde consigo abarcar com o olhar todo o céu, sem quebras de prédios ou pedaços de betão. está escuro e sinto um intenso cansaço da respiração que é minha. vou fazer chá. talvez desvaneça um pouco as nuvens.

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só porque está um pouco confuso

por M.J., em 31.07.15

Estou-me literalmente a borrifar para o facto das mamãs amamentarem ou secarem o leite. Parirem de corte na barriga ou escacharem-se todas como um frango de churrasco. Assumirem as birras dos santos filhos como características da sua individualidade ou darem-lhe dois pares de estalos. É que não me interessa dois piolhos e estava caladinha não fossem as mamãs terem aquela aura de quem sabe tudo e escreverem ou dizerem coisas de que quem não amamenta é má mãe, quem não se abre toda e dá dois berros como porco no matadouro não sabe o que é parir e mãe que dá um tabefe nos filhos não gosta deles. Eu, assim como assim não vou amamentar, vou fazer cesariana e o puto não estará permitido a fazer birras. A desgraça. Chamem já as comissões e pelo caminho mostrem as fotos que publicam dos filhos amados semi nus na Internet.

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boa tarde

por M.J., em 30.07.15

 

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opinando

por M.J., em 30.07.15

não há muita forma de dizermos certas coisas sem parecermos uns porcos xenófobas e fascistas, egoístas, apenas a olhar para o nosso nariz. o que não é verdade. vistas bem as coisas, a não ser que eu vá ao espelho, não consigo olhar para o meu nariz.

mas dizia eu, que há mesmo certas coisas, socialmente aceitáveis, que apenas a opinião correcta, aquela que fica bem escrever ou dizer, é aceitável. que de resto, qualquer outra coisa que se diga, é vista como estupidez, como má formação, como ausência de valores. 

assim seja.

e talvez seja mesmo por isso que alguma opiniões me custem a ser ditas. e que algumas piadas não possam ser escritas. se apontam o dedo ao caralho que escrevo vamos lá imaginar se eu escrevesse assim, ao jeito de piada, que é uma pena morrer um afogado, em vez de cinquenta, lá nos mares do não sei onde. era dramático não era? não vinha já meio mundo chamar-me de porca fascista, sem respeito pela vida humana e que há coisas que não se gozam? ia, claro que ia. se quando o disse, a rir, em gozo, para o moço que sabe que gozo com tudo, incluindo com a minha anormalidade e mama esquerda maior que a direita, até ele me disse que há certas coisas que não se pensam.

enfim, seja como for, vamos receber mil e não sei quantos refugiados. somos todos altruístas, todos a mão de deus. recebemos por imposição, não porque, creio, o nosso alto governo esteja para ai virado. eu também não estou para ai virada. uma chatice eu sei. o politicamente correcto, os valores, a formação que me foi dada deviam levar-me a afirmar o contrário. a dizer com ar sério e bondoso que há sempre lugar para mais um. que há sempre capacidade de recebimento. que devemos estender as mãos a quem mais precisa. que eles não têm culpa e são pessoas e procuram na terra dos outros o que não têm na deles.

devia, pois devia.

não digo.

não sei a quantidade de apoios sociais que lhes serão dados. espero, o mais francamente possível, que lhes sejam dados vários. é como tudo na vida. depois de aceitarmos é para fazer como deve ser. mas esses apoios sociais vão ser tirados de algum lado. e custa-me, juro que me custa, ver o estado social posto em função de quem aqui não nascendo, quem aqui não tendo feito nada, dele usufruiu em nome da dignidade da pessoa humana. e sabem porque custa? porque as pessoas que eu vejo todos os dias perder a casa, pedir nas ruas quando há dois anos tinham uma vida estável, contar o arroz que comem porque não há mais, desesperar por um emprego porque têm mais de quarenta anos, porque essas pessoas de alguma forma contribuíram para esse estado social e dele não recebem o que era suposto.

sabiam vocês que um desempregado que já não receba subsidio de desemprego tem de comparecer a acções de formação no centro de emprego e pagar do seu bolso o transporte? e que se não comparecer tiram-nos das listas? assim como arranjar alguém que lhes fique com os filhos? e só depois, mais de dois meses é que o centro de emprego reembolsa? sabiam vocês que há gente que de facto, depois de uma vida inteira de trabalho, honesto, perde a casa onde sempre viveu porque o desemprego é mesmo real? que há gente que não consegue pagar a electricidade? e que há gente que quer mesmo trabalhar e não consegue? sabiam vocês disso? e sabiam vocês que muita dessa gente não consegue o rendimento social de inserção? e que essas pessoas, tal como os refugiados, também têm direito ao principio constitucional da dignidade? que também são pessoas?

sei que não é bonito escrever isto. se virem bem raramente escrevo o que penso em questões de politica. cada um com os seus valores, com as suas ideias e como dizia o meu avô, no inicio dos anos noventa, nesta casa nem política, nem religião.

seja como for, desta vez, apeteceu-me dizê-lo. venham daí esses insultos. não me deixem ficar mal. 

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por acaso já mencionei

por M.J., em 30.07.15

que sou paranóica das limpezas?

não! 

ah, mas sou. e agora imaginai a alguém louco por limpezas, num dia de férias amuada, com queda de cabelo.

boa sorte nisso.

 

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respondo já a todos aqui

por M.J., em 30.07.15

mas era opção do moço deixar-me fora de casa com diarreia, sem chaves e sem carro, com uma revista de noivas e apenas cinquenta cêntimos num bolso, numa dia em que ameaça chover?

na saúde e na doença e esta é a minha.  :P

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vamos todos imaginar?

por M.J., em 30.07.15

imaginem que a pessoa com quem partilham a vida e, consequentemente, o apartamento trabalha também como freelancer em vários sítios do país. e que num belo dia em que ambos tinham decidido tirar férias ele recebe um telefonema, dum desses sítios, no cu do mundo, para ir lá.

imaginemos que ele vai e vocês, amuadas com a vida, vão tomar café à pastelaria do lado e compram a puta de uma revista de noivas, que acaba por não servir para nada. 

imaginemos que fartas da revista vocês pagam e quando vão arrumar a carteira percebem que se esqueceram da chave dentro de casa. 

opções: 

a. ligam para empregada;

b. ligam para o namorado;

c. ligam para os bombeiros.

 

a empregada e o namorado não atendem e não conseguem imaginar os bombeiros a entrar porta dentro, com os vizinhos à escuta. 

 

sem chave de casa, do carro, com cinquenta cêntimos na carteira das moedas e o cartão de multibanco dentro de casa vocês sentam-se no parque, a olhar as árvores e a imaginar como será lindo passar o dia todo sentadas debaixo de uma árvore tendo como companhia uma revista ridícula de noivas. como se não bastasse, depois de ver o raio dos vestidos, a vossa mente começa a vaguear no dinheiro que vão gastar em coros, quintas, convites e lembranças. talvez porque a vossa imaginação é tão concentrada o moço telefonava-nos nesse exacto momento. e faz cinquenta quilómetros para vos trazer a chave.

e no meio isto tudo, há uma série de cólicas fenomenais devido à quantidade de fibra que têm ingerido nos últimos tempos.

 

foi praga pelos asneiredo, não foi?

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Vim tomar café

por M.J., em 30.07.15

E comprei uma revista de noivas. Os cinco euros mais mal gastos da minha vida. Nem quando comprei margarida Rebelo Pinto ao engano numa feira de usados me senti tão...tola.

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