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passamos parte da vida

por M.J., em 31.01.16

a afastar-nos de algo que dói. um dia, já refeitos da dor, vamos todos lampeiros em busca do que doía, achando que agora somos mais fortes.

dói na mesma. 

 

ou como posso muito bem resumir: a merda é exactamente a mesma. nem o cheiro é diferente. 

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bom fim de semana

por M.J., em 30.01.16

 

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banalidades

por M.J., em 29.01.16

assusta-me de morte a rotina. assusta-me de morte o correr dos dias sabendo de antemão o minuto seguinte. sabendo de antemão cada passo e cada dia, com um certeza do adquirido, deixando como tal, de saber dar valor ao adquirido que existe.

assusta-me de morte as horas que me constroem os dias.

este dia, por exemplo.

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até amanhã

por M.J., em 29.01.16
Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.

 

 
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.

 

há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?

 

há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
 
Charles Bukowski

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ouve-te

por M.J., em 29.01.16

escuta, ouve, repara. limpa as lágrimas, anda, vá, ninguém nunca te disse que ficas com ar de parva com os olhos inchados? nunca ninguém te disse que as pessoas se afastam dos choramingas, que desprezam quem se queixa num constante desespero? limpa as lágrimas, anda, deixa-te disso, consegues respirar, é só seguir a corrente. conta até dois ou três, deixa o ar entrar nos pulmões, prossegue. o estômago não vai saltar-te do peito, deixa-te disso, a vida é longa, os dias são teus e tens um mundo repleto do que podes ser.

anda. limpa as lágrimas. essa apatia mata-te e perdes dias de sol e luz e deixas de saborear o chá ou cheiro a mel e limão. tira a mão do queixo, não penses mais nisso, bem sabes que é um lema, que podes seguir. não abras a pele em ferida, não te controles pela dor. não serve de nada e não vale enganares-te. és mais esperta do que isso, tu sabes:

ninguém morre do abandono e essa prostração roça o ridículo. ninguém morre de ausência e as derrotas são o que queres que sejam que a vida em luta é contigo e podes ganhar-te sempre. 

anda, escuta, ouve-te, olha-te nos olhos, vê-te com atenção, repara: não vais ficar sozinha enquanto estiveres contigo. não vais ficar sozinha enquanto te souberes amar.

e um dia, anda, escuta, aprende, constrói-te, sê melhor, um dia repara, até vais casar, de branco, com um molho de girassóis.

 

é um cliché bem sei. e atiraria com estas palavras na minha cara se me dissesse isto. mas hoje, neste preciso dia há quatro anos atrás estas eram as palavras que devia ter dito a mim própria.

gostaria de poder adivinhar as que me diria daqui a quatro anos. 

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deus do céu

por M.J., em 29.01.16

já tentei, por mais do que uma vez, roer as unhas. a sério. nunca consegui. não é por não querer, que as ponho junto aos dentes e ando lá, como um cão a um osso.

nunca roo nada e desisto.

 

dei comigo, esta manhã, muito preocupada, pois então, quando constatei tal facto:

será problema dentário ou problema unhário?

é que só me faltava mais uma deficiência. 

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em cada terra um povo!

por M.J., em 28.01.16

poderei, quem sabe, estar errada.

mas nesta terra onde vivo e da qual quero sair muito rápido, redescobri um tipo de gente que tinha apagado da memória e que agora, com o correr dos dias, se me bateu nas trombas com força.

que até tem nome, até tem nome!

alguém se atreve a adivinhar?

 

* é o tipo de gente que se apelida de lambe-botas, lambe-cus, engraxadeiro. que com creme nas mãos ensaboa aquilo que lhe sai da boca, na espertice de chegar longe através das pancadinhas em ego alheio

* é o tipo de pessoa que insiste em chamar o outro de senhor doutor, mesmo que o outro seja tanto doutor como um pombo a roubar pão numa pastelaria. e que avalia a doutorice pelo fato e gravata, pelo cabelo aparado e pelo bigode encerado mesmo que os dentes estejam podres e bem à vista.

* é o tipo de pessoa que se vê pela roupa que veste e que veste aos putos. grandes cabelos de princesa, em caracóis e babetes de veludo. os filhos deste tipo de pessoas não vestem fatos de treino, pijamas ou calçam sapatilhas. envergam sempre conjuntos de veludo, muitas vezes à marinheiro, com meias rendadas até aos joelhos e sapatos de verniz. dormem com toucas de dormir e são enrolados em peças de caxemira.

* são putos que dizem sempre mamã e papá com voz embargada pela falta de apanhar sol e pela ausência de uns bons safanões. e que brincam com calhamaços velhos que em tempos fizeram a carreira dos papás.

* o tipo de gente que apesar de se cagar toda olha à sua volta como se não o fizesse e fosse construído de luz, alimentando-se de morangos com chantili.

* o tipo de gente que mesmo vindo dos catafundios das aldeias mais remotas, por ter em tempos envergado uma capa preta repleta de vómito, olha o mundo como se o dominasse e as suas palavras fossem sentenças.

* o tipo de gente, meus senhores, que pega em qualquer trecho, em qualquer deixa, para apregoar que pôs as crias no colégio com nome de santo ou no colégio com santo no nome. e que não diz quanto paga a tanta santidade mas encarrega-se que alguém saiba, não vá o alguém não ter noção da estrongidade que altruisticamente lhe sai do bolso.

* e o tipo de gente que bate palmas com o cu, com toda a força possível quando enfim, se exalta em cargos de manda-chuva a existência de um professor doutor de coimbra.

 

juro que em aveiro não encontrava tanto disto.

que asco.

 

oh gente do caralho!

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oh vai ver ali:

bom dia

por M.J., em 28.01.16

 

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publicado às 11:40

M.J. também dá conselhos

por M.J., em 28.01.16

(antes desse concelhos, na verdade) não de cozinha, literatura ou de moda mas de 

HIGIENE.

 

dama:

não vale a pena as unhas em gel afiadas com cores, riscas e flores;

os sapatos de plataforma onde podes esconder uma arma branca;

a mama puxada com garra para cima no sutiã da moda;

a calça justa apertada lá no meio com os refegos bem vincados;

o último grito em cheiros e perfumes comprados por catálogo...

se não tiveres em atenção um pormenor altamente importante.

 

é que podes esconder o pelo por depilar debaixo da calça ou camisola;

a merda debaixo das unhas com o gel e o opaco do verniz;

o cheiro a ranço e bacalhau com o tal perfume e as toalhitas refrescantes;

os pedaços de carne nos dentes cariados com branqueamentos dentários;

e até a pintelheira com falta de lavagem em cueca mais ou menos preparada.

mas...

não podes esconder a oleosidade do cabelo que te chega a meio das costas, se insistes em pô-lo a bailar, hirto de tanta gordura por falta de água.

 

cum mil raios! desde quando fritar frango na cabeça é aceite como uma coisa bonita?

ca nojo meus senhores, ca nojo.

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por hoje é tudo

por M.J., em 27.01.16

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 té mais!

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