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uma paixão chamada livros #21

por M.J., em 29.02.16

Melhor citação (diálogo).

 

pois meus senhores que são muitos. gosto de vários, de igual modo, mas este... pois que este me segue.

sempre.

em qualquer fase de vida:

 

 “- Falhámos a vida, menino!

- Creio que sim... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «vou ser assim, porque a beleza está em ser assim». E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente.”
― Eça de Queirós, Os Maias.

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tenho um humor

por M.J., em 29.02.16

tão, mas tão, mas tão instável e horroroso e mauzinho e niquento que um dia quando estiver grávida/ficar velha/outra enfermidade que me altere ainda mais as hormonas o mais adequado para os que me rodeiam é:

* enviar-me para uma ilha deserta;

* sem qualquer tipo de ligação à civilização;

* rodear a ilha de avisos "perigo", "proibição", "afaste-se pela sua saúde";

* ir lá semanalmente enviar-me comida, muito ao de longe, não vá eu morder.

 

isso ou fechar todos os armários, gavetas ou outros onde andem latas, tachos, pratos ou qualquer instrumento afiado que eu possa pegar e mandar às trombas de alguém!

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Mimi chega amanhã

por M.J., em 29.02.16

Mimi apresenta-se amanhã.

para M.J. a Mimi é também o pedaço de ternura e amor coerente entre mulher, filha e mãe que falta neste antro.

M.J. é limitada mas encontra gente que lhe lendo as limitações aceita escrever as suas perspectivas do que sente e do que é num tasco sujo e rabujento, em dias num humor tão torpe que nem a gerência o aguenta.

Mimi está mesmo aí.

 

livrai-vos de gostar mais de Mimi que de mim. 

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vai haver casório #18

por M.J., em 29.02.16

no meio do frio de sábado, uma pessoa a tremer dos dentes e das pernas e de mais sítios - mais sítios houvessem - resolvemos uma série de coisas. convites entregues, que ainda estavam na caixa à espera de ver a luz da neve; florista que queria apresentar as suas ideias; cabeleireira que precisava de marcar a prova do cabelo (sim, sim, existe essa coisa) e mais uma série de coisinhas chatas.

viver em coimbra e casar na serra obriga-nos a esta roda viva de pessoas e coisas e viagens sem fins-de-semana decentes.

seja como for, depois de dinheiro saído do bolso, eis que as coisas se vão encaminhando. vejo cada gesto das pessoas que me rodeiam como dadivas de ouro e diamantes e sorrio embevecida por me prepararem despedidas de solteiro, aceitarem convites, opinarem sobre véus e vestidos, flores e velas, confirmarem a ida ao casório e demonstrarem algum interesse.

antevejo o caminho até ao altar repleto de velas e flores (não vos apoquenteis que já pensei - ou pensamos, eu e a outra - numa maneira magnifica de irem tomando conhecimento de pequenos pormenores no dia) e imagino caras de pessoas, enfileiradas em bancos de madeira. ouço sem ouvir o fado que substituirá os cânticos e quase sinto os meus pés a bater no chão, em saltos que alguém levou, naquele mesmo sítio, a casar.

há pequenos pormenores que fazem vidas e gosto de pensar que a minha é feita deles.

não admitirei jamais que sonhei, como uma menina dos contos de fada, casar de véu e vestido branco. não admitirei jamais, enquanto personagem, que me emociono a pensar em girassóis e sorrisos e brilhantes e vestido e pessoas e arroz e eu.

não admitirei porque não é disto que se trata este blog.

mas posso admitir que lhe direi, sem medos, que serei chá quente e bolachas, viagens e sol, vida e família e que tentarei, todos os dias, ser digna do amor que me devota. que lhe dedicarei as horas que me fazem os dias e que não desistirei, jamais, de acreditar que nós, enquanto nós, seremos sempre melhores do que o eu ou o ele. que nunca se sentirá sozinho ainda que eu permaneça longe porque estaremos - e já estamos, enfim - ligados por correntes invisíveis de um afecto quase transparente do tamanho de nós próprios. 

e escolhi girassóis porque lhos vejo, todos os dias, gigantes no olhar. 

 

(há imagens das ideias que vão surgindo para flores e pormenores no instagram e no facebook)

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oh vai ver ali:

ser hipocrondíaca

por M.J., em 26.02.16

é acabar de gastar setenta euros numa consulta médica, quando não se tem nada que a farmácia, por si só e sem receita, não possa curar

toma M.J. para ver se aprendes a deixar de usar a net como um reportório de doenças.

 

muito mais leve agora.

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uma paixão chamada livros #20

por M.J., em 26.02.16

Sequela que nunca devia ter sido impressa

esta porcaria.

sim, porcaria, sem medo de ofensa, pelos efeitos nefastos da mesma:

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e aproveito para voltar a publicar um post onde me pronuncio sobre o assunto.

 

não li o fifty shades of grey.

sou uma pessoa péssima e inculta. li os crepúsculos todos em inglês, online (não os saquei, não chamem já a policia) porque na altura trabalhava numa loja de roupa e toda a gente falava sobre isso. foi a primeira vez, confesso, até à data, que me senti inculta no que diz respeito a literatura e fui lê-los todos, de enfiada para ter assunto também. partes vá. assim muito leve.

(e um dia, no tédio de um domingo sombrio, doente até aos osso, vi dois filmes. partes vá. assim muito leve uma vez que dormi noventa por cento do filme, anestesiada em medicamentos).

ainda assim tinha uma opinião formada acerca dos crepúsculos todos e uma vez caí na péssima ideia de a descarregar a uma miúda, que mal conhecia, mas que estava na mesma mesa de um bar que eu.

eu conto. era a namorada do meu melhor amigo à época. tínhamos jantado todos, para eu a conhecer e no fim, quando o silêncio imperava (e nós nunca estávamos calados) ela disse que queria ir ver um dos filmes ao cinema - não faço a mínima ideia qual era ele. sem qualquer tipo de sensatez e armada aos píncaros (eu era uma miúda muito mais irritante do que o que sou hoje, creio) disse logo que os livros eram hediondos. e que a tristeza da coisa era termos adolescentes histéricas a verem nos comportamentos doentios do livro uma bonita história de amor. cada vez mais lançada no discurso, gesticulando muito, fui enumerando motivos:

i - temos uma gaja insossa, sem qualquer atributo, cheia de inseguranças, com uma vida triste que cativa um fulano fabuloso sem dizer uma palavra. repare-se que a miúda não precisou de fazer, dizer ou mostrar nada para que o maravilhoso príncipe encantado se apaixonasse loucamente e transformasse tudo o que era triste na vida dela em flores e arco-íris (parece que aquele amor louco veio do cheiro, meus senhores, do cheiro).

ii - a mesma miúda começa a ser seguida por ele. o homem entra-lhe dentro de casa, fica a vê-la dormir, segue-a para onde ela vai. e mesmo assim, todo o mundo que lê abre as queixadas num aahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh romântico, quando caralho, aquilo era justificativo de uma providência cautelar.

iii. o homem, quando finalmente trocam uma palavra, e já numa fase de amor muito avançado, diz-lhe, sem qualquer problema que já matou pessoas. nesta fase todos acreditamos que imperará o bom senso e ela foge ou, pelo menos, questiona-o com os dois pés atrás. mas não. claro que não. a menina diz que não tem mal nenhum e que confia nele. porque como é evidente a primeira coisa que devemos dizer quando alguém nos revela que matou pessoas é que confiamos nele para nos levar a passear.

até a um canto.

escuro de preferência.

iv. o homem põe tudo em causa por ela. e a moça fica completamente dependente dele, sendo isso visto como uma coisa fantástica, magnifica e decente. pior. parece que, mais à frente, o gajo deixa-a, alegadamente por amor, por ser imerecedor dela e ela fica prostrada, meses, num mutismo triste e bonito.

credo! mas como, como, como é que esta merda vende? como é que alguém vê isto como uma bonita história de amor? como é que as mães das adolescentes as deixam ler esta merda? como é que mulheres adultas lêem isto e não sentem vergonha daquilo? ou medo do que histórias da treta destas fazem na cabeça de miúdas pré-adolescentes?

enfim, a namorada do meu amigo não achou muita piada. confesso que se fosse hoje eu ficava calada. não tinha qualquer motivo para embaraça-la ali, em frente a outras pessoas, que abominavam aquilo tanto como eu. era nova no grupo, não conhecia ninguém e era escusado. mas o mal estava feito e no dia a seguir, como compensação, o meu amigo foi com ela ao cinema ver o filme, todinho, comprando-lhe pipocas, coca cola e ainda um enorme chocolate em forma de coração. mais tarde confessou-me que sofreu muito nessa noite. e hoje, já não estão juntos.

 

tudo isto, uma pessoa perde-se na conversa, para dizer que não li o fifty shades of grey. pelo menos não integralmente.

abri-o uma vez, em casa de um colega, que coleccionava livros como quem toma cafés. tinha frases picantes. fechei-o. dias mais tarde, li num blog qualquer alguém que venerava a coisa, como o supra sumo da literatura. voltei a ficar curiosa e fui ler resumo, partes do livro, na tentativa de perceber: é uma coisa hedionda.

caso não saibam a história está relacionada com uma gaja qualquer, também insossa, também cheia de inseguranças, que se apaixona sem motivo nenhum por um bilionário. e por esse simples facto, por essa paixão saudável aceita fazer tudo o que ele quiser. tudo meus senhores. e tudo significa a apanhar nas trombas, em sessões de sexo sadomasoquista e assinar um contrato em que se compromete obedecer a qualquer coisa que ele queira. 

melhor que isso, é que, num pormenor importante, consta que a mulher é virgem o que não a impede de partir logo ali em sessões de sexo sadomasoquista (e gostando, claro, que as coisas funcionam assim mesmo) sentindo-se honrada por namorar com um gajo que lhe quer enfiar coisas no corpo e lhe dar nas trombas com um chicote.

dói e não é do chicote.

 

sim senhores, cada um gosta do que gosta. mas não consigo deixar de pensar que estes livros pornográficos são tristes. e é triste ver miúdas, ainda nem adolescentes, juntamente com as suas mães a ler isso, a comprar os bilhetes de cinema dois meses antes num histerismo incompreensível para quem tiver dois dedos de testa. é triste ver miúdas e senhoras que olham para porcaria de um livro cheio de pornografia como uma história romântica e que sonham com o objectivo máximo de encontrar um homem rico que as salve delas mesmas, obrigando-as a assinar um contrato em que se transformam num monte de lixo, sujeitas à vontade do senhor, que ainda assim, as honra em namorar com elas.

e em lhes enfiar todo o tipo de coisas no corpo.

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é muito bem comportada, muito querida, muito simpática, sempre com um sorrisinho, muito meiga, muito bem dizente.

deve parir e não ganir.

deve obedecer e sorrir.

deve ser, em suma, um bibelot.

 

e há quem aceite e concorde e ache que sim.

 

oh gente do caralho!

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banalidades

por M.J., em 26.02.16

pela janela entram os cedros numa gritaria de vento. as varandas estão pejadas de gravilha e cheira a chá de maçã. chove desalmadamente e liguei o aquecedor. tenho uma imensidão de trabalho no e-mail e almocei à pressa na esperança de me sentar e despachar tudo de uma vez só.

nada.

coloquei um anúncio para empregada. recebi, sem qualquer exagero, mais de cinquenta respostas. não tenho tempo nem paciência para ler aquilo tudo. vou continuar sozinha a limpar vidros e banheira. além disso disse-me o senhorio que precisam de fazer obras na casa de banho e no escritório mais dia menos dia. há uma infiltração e o vizinho de baixo tem uma família de fungos, das numerosas, a viver no teto. fiquei muito contente por saber que durante uma semana inteira terei de me aguentar ao pó, com as minhas mil alergias e disse-lho na cara num momento mais espontâneo. foi injusto da minha parte que o homem não tem culpa. 

no entanto, nem sempre consigo manter a serenidade zen que me acompanha fora deste blog.

preparei uma surpresa ao rapaz. melhor, estou a tentar prepará-la. uma coisa pirosa, mais que batida para o dia de casamento. vou precisar da cumplicidade de muita gente e não sei se consigo manter a boca calada até lá. é cara mas mais despesa menos despesa ao menos esta é pela única causa que interessa.

vou estar ausente disto esta tarde e não sei nada de vós. não sei o que fazem nas horas que se arrastam até ao fim de semana. se bebem chá quente como eu e ligaram o aquecedor, se veem árvores da janela ou se almoçaram frango deslavado. não sei se têm mil mails para responder e se aumentaram exponencialmente a quantidade de livros a ler quando o tempo não chega. 

não sei nada sobre vós e a maioria de vós sabe muito sobre mim.

não sabe tudo.

ainda que haja quem tenha essa pretensão.

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oh vai ver ali:

mimi vem ai

por M.J., em 26.02.16

mas nunca mais chega.

bolas mimi!

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e diz mimi:

Mimi pode perfeitamente ser a poeta do quotidiano, que recorre às gentes dos arredores de um burgo para contar a vida como ela quase é.​

 

mimi escreve em comic, com maiúsculas, na terceira pessoa e é mãe.

mimi e m.j. vão andar à porrada!

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é só a vós que vos conto.

por M.J., em 26.02.16

no meio disto tudo de flores e maquilhadora e cabeleireiro e vestido e sapatos e coisa emprestada e véu e saiote e bolo e decoração e ementa e padre e lua de mel e convites e negas e coragem e coro e fotógrafos e medo e incerteza e dinheiro e cansaço e animação e lembranças e alianças e quinta;

no meio das horas em função de um dia, do cansaço, do dinheiro, do tempo;

no meio dos dias que passam pelos dias e da data que se aproxima;

e capela e girassóis e arroz e bolas de sabão e surpresas e um rodopio de coisas em volta de nós e do tempo;

no meio disto tudo, dizia eu, há todas as manhãs o respirar tranquilo quando acordo, dez minutos mais cedo, e uma frecha de luz entra no quarto, batendo na parede e fazendo com que lhe veja a cara numa serenidade que me fez renascer e ser quem sou.

no meio disto tudo e do que quero fazer e das frases que quero escrever e das coisas que quero que saiba e das fotografias que imortalizarão quem somos a certeza de que todas as manhãs da minha vida acordarei com uma réstia de luz a ajudar-me a respirar na coragem de cada dia faz com que saiba que jamais amarei desta forma.

no meio disto tudo há uma dimensão de amor que não sei explicar.

há toda uma quantidade de amor que não sendo palpável está dedicada em cada pormenor. em flores e convites e bolos e quintas e ementas e cabeleireiro e vestido.

nele.

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oh vai ver ali:

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