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aceitam-se sugestões

por M.J., em 30.06.16

tenho vários livros em lista de espera e ainda assim...

 

que me aconselham voxelências a ler?

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ontem, depois de jantar, deitada no sofá a olhar uma racha de tinta no tecto e a ponderar na estupidez da vida, senti uma forte pontada no lado direito da cabeça. ainda sinto, pensando nisso, o exacto ponto onde foi numa espécie de um raio ou uma chicotada. 

levantei-me lentamente a tentar perceber o que se passara. a fenda continuava no tecto e tinha aquela zona da cabeça a latejar, como se tivesse sido aberta e escorresse qualquer coisa. juro que pus a mão e tudo, convencidíssima ao género de filme, que sairia dali sangue. 

nada.

um minuto depois, nova pontada no mesmo sítio.

abri a net sem pensar duas vezes. é assim. a net tem tudo desde truques para limpar vidros a respostas para sintomas de doenças que acabam quase sempre em cancro. 

no primeiro site que escolhi alguém escrevia que a dor de cabeça não deve ser ignorada e que as pontadas fortes, como a que eu tivera, aliadas a enjoos e tonturas poderiam ser sinais de aneurisma.

aneurisma: aquela coisa que entope a veia e acaba por rebentar, acho, dando cabo dos miolos e dos sonhos. 

pois nesse exacto momento, a leitura dos sintomas ainda a meio, o que é que me aconteceu? assim, de uma forma abrupta, quase como se eu estivesse a pedir?

a visão turvou-se-me, o estômago embolou, comecei a ver a fenda no tecto a andar à roda, as coisas tremiam-me como gelatina e soube, meus senhores pois soube, que um aneurisma ia-me rebentar com a cabeça toda, assim, zás de uma vez só e eu ia morrer antes dos trinta sem ter cumprido uma data de coisas.

sem ter alcançado nadinha.

um chavelho furado.

sem ter uma carreira que se recomende, sem ter um filho que propagasse o meu mau feitio como praga e sem ter uma conta bancária recheada a pontos de consolar os que cá ficam.

uma miséria.

no entanto, no meio do mundo a rodar e do estômago a ameaçar vómito, confesso que não me importei com o nada cumprido mas antes com a possibilidade de parar de respirar, de deixar de acordar todas as manhãs e de não poder voltar a comer talhadas de melão fresco, na varanda, nas tardes longas de verão com um livro no colo.

 

diz-me o rapaz que foi tudo auto-sugestão e que sou uma piegas lingrinhas.

lembrei-o que desmaiei a experimentar lentes de contacto antes de casar por isso ele sabia bem ao que ia.

deus!

não quero imaginar o drama quando descobrir que tenho algo a crescer dentro de mim que não gordura.

ou bolo fecal. 

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concordamos?

por M.J., em 29.06.16

"Gostava do meu trabalho, mas não tinha uma carreira fulgurante, e, mesmo que tivesse, sejamos honestos: as mulheres só são verdadeiramente apreciadas por duas coisas - a sua aparência e o seu papel como mães. Não sou propriamente bonita e não posso ter filhos, portanto o que é que isso faz de mim?"

A rapariga no comboio- Paula Hawkins

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gente que se apoquenta com a palavra cocó mas abusa da palavra cornudo.

lindo!

 

*nada a ver com questões fálicas, que fique bem assente. 

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publicado às 13:00

muito bem, vamos lá ver

por M.J., em 29.06.16

quem é que ainda escreve quatorze?

 

o filho de mil porcas sifilíticas do word... deu-me erro.

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oh gente do catano!

por M.J., em 29.06.16

sinto um enorme desprezo por gente que necessita de ver a tristeza do outro para se sentir bem consigo.

"ah, coitado, tem um cancro!", na tristeza de que o cancro dos outros é deles e ainda bem que eu não tenho, coitado, mas eu tenho cabelo e tudo e posso apanhar sol e o outro, coitadinho, na flor da idade, com tanta vida, tem um cancro.

há mais infelizes do que nós filhinha. devemos ver isso e sentir-nos gratos.

 

pó caralho.

 

medir a nossa felicidade pela bitola do desespero dos outros é tão medíocre, tão pequenino, tão miserável que mostra bem, na verdade, o motivo de alguém sentir alivio através disso:

é um merdas!

e há tantos merdas por ai, a assumir isso com ar de quem sabe!

 

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vamos aqui bater um papo

por M.J., em 28.06.16

e house of cards, quem vê?

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fiz sopa no domingo à noite

por M.J., em 28.06.16

comi hoje. estava no frigorifico e não aqueci muito que não se pode, com este calor.

soube-me a azedo mas insisti uma vez que porra, fi-la no domingo.

 

estou enjoada.

 

aceitam-se apostas: é coisa para me dar vómitos ou diarreia?

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banalidades

por M.J., em 28.06.16

dói-me o pulso direito. resultado de tantas horas no pc. agora sinto um ligeiro formigueiro, mesmo abaixo da mão que aumenta até uma dor desproporcional para um pedacinho de corpo. entenderia uma dor deste nível numa perna ou num braço. apenas num pedaço dele é incompreensível.

assim como assim escrevo agora muito mais devagar devido à dorzinha que se propaga pelo pulso.

o facto de ontem não ter trabalhado pôs em descanso o dito e ajudou. o rapaz vestiu o fato e fez a defesa, num inglês mascavado, como o açúcar, de que percebi pouco, quase nada. não sou grande esposa. deveria ter-me sentado com ar mais atento mas perdi a concentração, tal como perco o foco para tanta coisa, e li meio livro no tablet. 

no fim o homem passou com distinção ou foi aprovado com distinção, não percebo grande coisa daquilo e eu fiquei, muito paradinha na esquina de uma sala, vendo passar suas ilustres pessoas, todos muito sabidos, com docs e pós docs e mais docs houvesse, passar por mim. 

fico sempre prostrada perante as sumidades: a minha inteligência é tão pequena que cabia, toda ela, numa casa dos botões das suas camisas engomadas e sinto necessidade de me tornar invisivel.

à noite, para festejar, não houve jantares, amigos a dar com paus, famílias e afins. o rapaz quer sopas e descanso e por mim tudo bem. esparramamo-nos no sofá, ambos os dois, a ver game of thrones do que é fã.

a meio senti a porta do prédio bater com um estrondo.

o casal do lado subia as escadas batendo com os pés no chão a toda a força e lançando impropérios com os pulmões bem cheios. quando entraram em casa explodiam pessoas na tv e explodiam palavras ácidas, das feias, na casa ao lado. a voz da vizinha chateava-me mais do que a cersei no trono ou o mindinho a proclamar amor. 

aumentei o som.

tripliquei o volume. o rapaz resmungou mas não ouvi, no barulho atroz que saia da tv. o prédio ouviu, todo ele, durante longos minutos, a banda sonora da coisa, uma das melhorezinhas de sempre. foi a primeira vez que explorei o volume da tv naquele nível.

bastante potente.

 

os vizinhos perceberam a mensagem.

no medo de sangue e espadas e da louca do lado calaram-se, a voz esganiçada da gaja que me faz sempre lembrar catequistas histéricas, enfiada de uma vez por todas, no rabo.

que GOT é bom já sabia. mas que tem o poder de calar vizinhos barulhentos ainda não.

 

hoje, para compensar, a dor no pulso triplicou.

 

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oh vai ver ali:

não sei o que mais me espanta

por M.J., em 28.06.16

se o pessoal acreditar numa meritocracia ou ficar chateado quando constata que ela não existe.

 

haverá assim tanta ingenuidade no mundo?

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publicado às 10:30

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