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#30por30: o anúncio

por M.J., em 31.10.16

vamos então fazer isto:

no mês de novembro vou dar-vos todos os dias uma lição de vida que aprendi.

aparecem sempre à mesma hora aqui no blog e depois no facebook e instagram.

 

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saíram-me todas da pele e darão azo a mais do que uma interpretação.

(e já estão agendadas para não haver stress).

 

vamos lá discutir a coisa?

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oh vai ver ali:

bicho do mato

por M.J., em 31.10.16

deixa de ser bicho do mato, rapariga,

a mamã em tentativas frustradas, primeiro a catequese, depois a escola, depois com a vizinha, a minha cara cerrada, o não querer ir, estava-se tão bem no meio dos livros, da tv ou a falar com a bonecada em cima da cama onde era rainha e senhora,

eu que mando, eu que sei,

a miúda que não se adaptava nem sabia conviver com o outro, 

é filha única, 

dizia a professora, que gostava de mim, já sabia ler e não dava problemas,

isso mais tarde passa,

ainda que não tenha passado e perceba que procuro iguais a mim, pessoas inabilitadas à conivência humana, incapazes de estar sozinhas mas com tanta limitação social, a melhor amiga, o marido, gente sóbria, inteligência a abarrotar mas poucas falas a gente estranha,

quem tu? olha que não, não parece nada, tão divertida,

ainda que o sorriso esconda o eu, os meus erros com os outros perfilados a encher uma autoestrada num dia de verão com incêndios, incapaz de fazer o que me é exigido, a cara fechada, a critica na ponta da língua, a resmunguice prestes a espalhar-se, 

eu que mando, eu que sei,

brinca com os outros meninos, rapariga,

um misto já de sentimentos contraditórios pelo outro, ora desprezo ora inferioridade, 

sou muito melhor do que este, este é muito melhor do que eu,

a mesma bitola para todos, nunca o equilibrio, a impaciência pela limitação alheia ao lado da entrega total a quem me tocava na alma, mesmo que com oito anos lá soubesse o que era alma,

não ligues, podemos brincar na mesma,

gordita, voz forte, inteligente quanto baste, insegurança a abarrotar pelas orelhas, vergonha disfarçada no ar arrogante,

eu que mando, eu que sei,

um paradoxo, mas ainda assim eu,

deixa de ser bicho do mato, rapariga.

 

não deixei. só aperfeiçoei. 

 

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oh vai ver ali:

#aindanãoestãocomigo noinstagram?

por M.J., em 30.10.16

(com fotos das pequeninices desta que vos idolatra).

 

 

Hoje o chá tem frutos vermelhos com gato. #eéisto

A photo posted by Maria João (@emedjay) on

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bom fim de semana

por M.J., em 29.10.16

 

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friends,

por M.J., em 28.10.16

how i met your mother ou the big bang theory?

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a resposta é só uma e se estiverem interessados posso explicar-vos o porquê nos comentários.

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oh vai ver ali:

na saúde e na doença,

por M.J., em 28.10.16

disse o padre, e nas discussões parvas também.

 

[dez da noite e estás a trabalhar desalmadamente no que não trabalhaste durante o dia. o teu marido assume que o bonito é mostrar-te um vídeo sobre o funcionamento do cérebro. rolas a cadeira até à secretária dele. um senhor, em quatro minutos, explica uma experiência em que se corta o cérebro ao meio e o dito continua a funcionar, mesmo separadamente mas com peculiaridades: o lado direito nem sempre concorda com o esquerdo e dá-se o caso da tua mão (já não sei qual) ganhar vida nova indo contra a outra mão. o vídeo termina com a pergunta do qual és tu? o cérebro direito ou o esquerdo?

achas aquilo uma parvoeira. já não basta não saberes quem és entre emoções, racionalidade e hormonas e agora ainda há quem pergunte que consciência é verdadeiramente a tua. dizes isso mesmo. o teu marido revira os olhos claramente por seres tão obtusa que não queiras nem discutir a coisa. pensas no trabalho e nas marmitas por fazer e lanças um "somos o conjunto completo do que somos, o resto é perder tempo". o homem quase que salta da cadeira. um discurso retórico acerca do pensamento e do cérebro. perdes-te.  a coisa continua. respondes por uma questão de princípio: o vídeo é idiota versus o vídeo é fascinante. não chegam a conclusão nenhuma, ambos os dois tão frustrados por visões tão diferentes que e acabas a noite a ver tv para esquecer a estupidez de uma hora naquilo perdida.

há quem discuta por futebol. depois há pessoas como nós.]

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oh vai ver ali:

sonhos

por M.J., em 28.10.16

tenho sonhado com velhos amigos nos últimos tempos.

aumentou a frequência desde que saí de aveiro. quando dou conta estou acordada, alagada em suor, a ver o quarto numa escuridão intensa com gente a bailar-me perante os olhos, em sorrisos e tristezas, o mesmo ar de há mil anos em pormenores que não recordaria mesmo que quisesse, estando acordada.

é um rol intenso de pessoas ainda que, necessariamente, eu não seja gente de gente. mas há tanta que ficou para trás, afastada deliberadamente ou simplesmente porque a vida assim é, que me espanta a minha capacidade de não carpir com quem estive.

a não ser em sonhos.

desde há umas semanas que há um recorrente: é início de verão e estou sentada no carro de um velho amigo, lado a lado, os dois. existe um silêncio longo quebrado apenas pelo passarinhar de pessoas que entram e saem do edifício em frente, no jantar prometido. sei que é domingo e há traços da minha frequência universitária: a pasta negra dele descansa no banco traseiro e eu tenho uma mochila cor de rosa aos meus pés.

depois, num momento eterno, damos um longo abraço. os braços dele apertam-me ao peito e sinto-me em casa. sei-me envolvida por pai, mãe, irmão e amigo. sou criança pequena ao colo e, ao mesmo tempo, incrivelmente adulta, consciente da bênção que é ter conquistado um amigo que me segura nos tombos, me atura as birras e me leva no crescimento individual a ser mais polida. 

acordo sempre a seguir.

invariavelmente, como num filme.

e estranhamente sei o seguimento do sonho, em pormenores que se densenrolam na banalidades dos momentos, mesmo já acordada: 

é que se trata de uma recordação, das muitas que recalco, que me faz companhia em sonhos para não esquecer quem me trouxe até quem sou.

desculpa meu amigo que te chamo assim. mas tenho tido, nos últimos tempos, absurdas saudades tuas. e há uma certeza renovada de que por mais que os anos passem permanecerás sempre em mim porque te amo na dimensão das amizades eternas.

que as há.

mesmo que não admitamos.

 

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oh vai ver ali:

(noi)telegrama

por M.J., em 27.10.16

acordei em cima da hora: iorgurte com aveia. calor anormal para esta época. mocaccino a meio da manhã com bolachas de limão. diz que não têm açucar mas não acredito. 

desenvolvimento projeto. batata doce ao almoço e conversas parvas para fazer tempo.

compras antes de jantar: incrivel preço das castanhas.

vontade de ver séries parvas sem sentido algum apenas para distrair o cérebro.

reli por curiosidade criticas ao meu livro. 

lana del rey. 

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quem vai, quem vai?

por M.J., em 27.10.16

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(e gostamos de bons músculos).

 

a ideia de que para atingir a felicidade temos de ultrapassar as portas do inferno é quase palpável: é preciso estar triste, insatisfeito, incompleto, carpir dores e mágoas até porque depois da tempestade vem a bonança.

esta ideia é tão flagrante, tão evidente que, não raras vezes, quando nos sentimos bem ou num momento de realização pessoal, nos questionamos intimamente se não seria melhor acalmarmos os cavalos e chorar um bocadito para afastar a má sorte.

diabo seja cego, surdo e mudo,

três toques na madeira, a ideia de que depois da chuva vem o sol e não podemos almejar mais do que merecemos.

 

é por isso que livros de auto ajuda vendem. ame-se, num vender de remédios para alma, muitas mesuras e simpatias, lugares comuns e evidências:

o gustavo santos vende-se não por dizer verdades absolutas, por ser um poço de sabedoria ou ter uma escrita divina mas porque precisamos de ler que merecemos maior e melhor, tanto no inverno como no verão, sem medos da má sorte, mau olhado e invejas,

diabo seja cego, surdo e mudo.

porque precisamos que nos digam, coitaditos de nós, tão pobrezitos, que somos fortes, capazes, merecedores e temos um lugar ao sol, mais tarde do que mais cedo, mas ainda assim à nossa espera. 

o gustavo santos vende-se porque preferimos acreditar quando o outro nos diz quem queremos ser do que quando pensamos quem somos. 

 

alguém já comprou o gustavo santos?

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oh vai ver ali:

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