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que a banda sonora da vida seja menos esta:

 

 

e mais esta:

 

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dois mil e dezasseis em provérbios

por M.J., em 30.12.16

1. ao assumir a mudança de cidade, no inicio do ano, fiquei perdida na certeza do que fazer profissionalmente.

depois de analisar profundamente percebi que não sabia comportar-me numa classe que exige o que não consigo dar e desisti, de uma vez por todas, de fazer parte dela. virei mundos e fundos para tomar um rumo à vida, caí num limbo de incertezas e o ano acabou comigo num projecto novo, que augura coisas boas:

"antes quebrar que torcer".

 

2. por me sentir perdida nas minhas escolhas - e por entender que quem vinha de trás as não poderia compreender - armei-me em rainha da vida dos outros e acabei, de vez, com os resquícios ténues de uma amizade. era algo que permanecia - mesmo remotamente - com duas das pessoas que mais me amaram durante uns curtos anos e, este término, fez-me sofrer mais do que pensava ser possível (mesmo nunca o admitindo).

a verdade é que nesta estupidez de feitio acabei o ano muitíssimo mais pobre do que comecei ainda que para eles tenha sido óptimo.

"amigo que não presta e faca que não corta: que se percam, pouco importa."

 

3. tive uma despedida de solteira numa casa de strip. foi muito bonito não fossem as parvoeiras que disse e o facto de ter acabado semi desmaiada no carro de uma das pessoas que mais amo no mundo, depois de beber uma garrafa de vinho.

acabou por ser melhor do que o esperado  porque me levou a perceber que a adolescência dos vinte passou e não tenho, decididamente, estômago para grandes noitadas.

"antes que te cases, vê o que fazes"

 

4. apesar de ter assumido que o meu casamento seria diferente caí em todos os clichés da coisa: entrei em nervos que não eram lógicos, gastei dinheiro em coisas de que não usufruí, matei centenas de girassóis para sentir que o dia era bonito, convidei gente com quem não falava há anos e não provei a comida que paguei a preço de ouro.

acabei o dia sentindo que deveria ter sido tudo muito diferente e, contrariando o que me haviam dito, as horas arrastaram-se em minutos que foram anos. não curti por aí além o que só reafirmou que não devo tentar ser quem não sou.

"quem nasce lagartixa nunca chega a jacaré".

 

5. diferentemente de outras noivas, não assumi a eternidade do meu compromisso quando disse sim no altar.

o momento foi mais piroso e individual e deu-se num bonito dia de sol quando, sentada na varanda a olhar sardinheiras de um dos vasos, constatei - epifanicamente - que sou uma pessoa muito mais bonita desde que me vejo com os olhos dele:

"o amor olha de tal maneira que o cobre lhe parece ouro".

 

6. tornei-me numa pessoa muito mais madura.

isso aconteceu quando compreendendo parte dos meus traumas os aceitei totalmente, sem subterfúgios, culpa ou auto-comiseração. quando parei de construir vítimas e vilões e chamei os bois pelos nomes.

essa capacidade deu-me um sentimento de liberdade que nunca havida encontrado e, sobretudo, a possibilidade de perceber que sem certas merdas do passado não seria um terço do ser humano que sou hoje.

"há males que vêm por bem".

 

7. para conseguir chegar a este estado pensei em desistir, fugir, largar e recomeçar mais vezes do que em qualquer outra fase. fiz e desfiz a mochila preta, arranjei planos b e a e c e todas as letras do alfabeto numa tentativa de acalmar o turbilhão de sentimentos que ninguém via a não ser eu.

permaneci sempre, depois de assumir que as decisões estruturais não são tomadas em dias de nevoeiro da alma. 

"depois da batalha aparecem os valentes".

 

8. em dois terços do ano senti-me absolutamente sozinha mesmo estando acompanhada. concluí que o problema não era a ausência do Outro mas a minha incapacidade de me fazer companhia. 

"antes só que mal acompanhado!"

 

9. desprezei com mais garra do que o normal a possibilidade de parir. combati a ideia de me desdobrar em duas e deixar de ser eu para passar a ser a mãe de.

calquei qualquer pedaço de empatia por pais/mães cansados em função dos rebentos que decidiram pôr no mundo. maldisse interiormente gritinhos e idiotices infantis e, em decorrência do meu humor ácido para com a canalha, tive uma discussão feia que poderia comprometer onde estou neste momento.

a cereja no topo do bolo foi encontrar uma pirralha, de ano e meio, que se lançou no meu colo quando não a olhei nos olhos e ficou a chorar quando me vim embora. 

"qualquer coisa contenta uma criança".

 

10. no último mês do ano tive um orçamento que me mostrou o quão mal cuido do corpo onde habito.

a quantidade de dinheiro que serei obrigada a gastar fez-me perceber, melhor do que o espelho, que depois deste não há mais nenhum e ou começo a dar-me realmente o que preciso ou arrisco-me a acabar obesa, desdentada, míope, diabética e colesterólica a sobreviver de uma pensão de invalidez e sendo alimentada por duas sondas colocadas por senhoras de apoio ao domicilio.

decidi, por isso, que o novo ano começa com exercício, alimentação decente e todas as consultas de saúde necessárias a permanecer por aqui com mais qualidade. 

"de boas intenções está o inferno cheio".

 

no meio disto tudo, e apesar disso tudo:

"antes mau ano que mau vizinho".

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em duas palavras só

por M.J., em 29.12.16

o que mais desejam para 2017?

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triste miséria

por M.J., em 28.12.16

uma das vantagens de viver nesta casa é que estando perto da cidade, está suficientemente longe da confusão. viver a meio da encosta, com vista sobre a cidade, permite um silêncio que se confunde com o da aldeia e há gente que ainda tem galinhas e animais em pequenos currais que vão descendo até ao centro.

não ouço por isso, grandes bate bocas, gritarias ou confusões da habitual azáfama citadina. tirando as guerras familiares dos vizinhos, é uma paz santa, cortada pelo barulho das rolas ou dos carros em horas de saída e chegada a casa.

até hoje.

até há instantes.

eu acabava um trabalho em mãos, na sala, o sol a bater-me nos pés quando ouvi gritos vindos da rua. pensei serem os miudos dos vizinhos, nas tão aclamadas férias de natal. dez minutos depois, como permaneciam, fui à janela.

o cenário é esta triste coisa que vos deixo:

uma miuda, suficientemente miuda para não dever ser mãe, empurrava pela estrada um carrrinho de bebé. dentro dele uma bebé de colo. em frente ao carrinho, ajoelhado, sentado depois no passeio, um rapaz. a miuda mãe berrava, mandava-o sair, exigia um telefone, anunciava impropérios. o miudo pai, de boné na cabeça (diz que é um cap, sei lá) segurava firmemente o carrinho. a miuda bebé olhava em frente admirada. 

não chorava.

continuam ali, em troca de impropérios que toda a rua, toda a encosta ouve. ela exige que ele saia, manda-o para o carro estacionado ao lado, grita-lhe que largue a menina. a rua está deserta de gente e ainda assim cheia das ações que alguém fez, dos ciumes que algué,m tem. bailam pessoas e medos pelo passeio que saem em gritos da boca de uma criança.

numa distração dela ele tira a miuda bebé do carrinho. a miuda mãe aproxima-se em gritos maiores. dá-me a minha filha, grita. a bebé permanece muda. ele fala baixo. não dá. ela empurra-o. há uma criança ao colo e carros que, agora vão passando. e empurrões. 

continuam naquilo e desisto. ponderei chamar a policia quando ela o empurra com a criança nos braços. bastava vir um carro. bastava um desiquilibrio. ele pergunta qualquer coisa, ela diz que é por tudo. ele tenta abraçá-la. ela volta a empurrá-lo.

como numa novela.

como num jogo.

só que é na minha rua e duas crianças têm ao colo uma terceira.

desisto de ver. provoca-me ansiedade. tenho as pernas a tremer. vizualizo a criança bebé a assistir ao longo de uma vida duas crianças que são seus pais a tentarem educá-la. se a puxam no meio da rua, que farão entre quatro paredes? se se empurram um ao outro em frente a quem quiser ver, que mais farão quando ninguém puder observar?

vou à janela uma última vez. a criança mãe olha o horizonte, os braços cruzados em cima do carrinho. a criança pai brinca com a criança bebé que, vestida de cor de rosa, permanece alheada a tudo. estão os três em silêncio, na procura de uma resposta qualquer que nenhum sabe dar. 

triste vida. 

triste miséria. 

 

tanto avanço no mundo e ainda não inventaram testes psicontécnicos para permitir ser pais. que cada um só faz o que pode é um facto.

mas gritar no meio da rua, com uma criança de colo, em violência quase física, é muito menos do que podia ser feito.

é só uma merda feita. 

 

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a internet não esquece

por M.J., em 27.12.16

a ideia de que escrever na net é inóquo é tão falsa como a chuva que caiu neste natal.

 

tudo o que escrevemos, em datas boas ou más, em momentos em que a partilha é benéfica ou não, coisas íntimas ou que qualquer um pode ler... fica registado. pensar que "depois apago" é ingénuo. desabafar acerca daquela traição, daquela problema de família, dos sentimentos que se tem pelo amigo enquanto se dorme na mesma cama que o namorado, procurando compreensão da matilha da internet, no grande desconhecido, assumindo que está tudo bem, ninguém vai ler, saber ou ver é ridículo.

falo por absoluta experiência própria: depois de publicado, meus amigos, é do conhecimento do mundo e o que vem a seguir não é controlável. pode não ser hoje, pode não ser amanhã ou depois, mas vem.

 

não sigo o the voice. não sigo aliás, nada da tv portuguesa (já nem o telejornal ao jantar). mas parece que um moço que ganhou, numa euforia desenfreada, vê agora perante os seus "seguidores" o ressuscitar ao terceiro dia, do que escreveu quando ainda mal tinha pelos púbicos. 

pode não ser nada ou pode ser a diferença entre o seguir e o estagnar. 

 

escrever porcaria estando plenamente consciente das consequências é uma coisa. 

escrever pensando que ninguém vai ligar nenhuma... é outra!

 

eu que o diga!

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matei duas moscas no dia de natal

por M.J., em 27.12.16

não só matei duas moscas fora de época como a época em que as matei as privou de um dia bem passado com a família.

 

por favor não digam nada a ninguém ou ainda tenho o nosso presidente a lançar uma nota de pesar daqui a dez minutos.

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Vamos cá ver

por M.J., em 26.12.16

Quem é que já se pesou hoje?

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a todos vós

por M.J., em 24.12.16

e sobretudo aos que passando aqui todos os dias, levam um pouco de mim,

 

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dê-me um presente e diga-me, na sua opinião, como sabe que ama.

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Matem-me

por M.J., em 23.12.16

Há fila para entrar no fórum às dez da manhã. Odeio o natal, odeio ter encomendado os presentes para hoje e odeio o mundo inteiro.

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