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banalidades

por M.J., em 02.01.15

a pastelaria está a abarrotar de gente.

ao meu lado uma senhora fala, gesticula com garra, numa conversa em que se se embrenha com um senhor qualquer com a gravata mais feia que já vi na vida. não consigo não ouvir a conversa porque a mulher fala alto e esqueci-me dos fones. toda a mulher é um chorrilho de queixas do marido. perdi-me já em tanto defeito que o homem tem. se a mulher se decidir a falar da vida sexual mudo de mesa.

 

estamos em 2015.

2014 passou, assim, sem grandes coisas. um dia atrás do outro na rotina da banalidade que é a vida. não fiz um décimo do exercício físico que devia ter feito; não li nada do que devia ter lido; não emagreci o que devia ter emagrecido. perdi um amigo, dos poucos que tenho. não fiz mais nenhum. ri pouco, falei pouco, escrevi pouco. praguejei muito, queixei-me muito, observei imenso. senti-me mais perdida que na maioria dos anos. não encontrei o objectivo que às vezes procuro.

 

ganhei coragem para tentar mudar uma situação que me consumia.

acabei com ela, sempre com o apoio dele. menti para não me darem cabo do juízo. vi muita porcaria na televisão. desejei ardentemente ter pessoas com quem falar, mais uma ou duas do que as que tenho. comecei a escrever um blog com alguém que admiro imenso. quis muito escrever qualquer coisa decente. nunca consegui.

 

tive crises de ansiedade. passei momentos de calmaria. tive um cão por dois dias e girassóis na varanda. revi pessoas que não queria e cuja imagem pensara que me matasse por dentro. foram perfeitamente indiferentes. não criei laços com ninguém novo. aprendi a ver situações desgastantes com olhos diferentes. fui ao dentista, ao oftalmologista.

não me cortei uma única vez.

 

e lembrei-me, na recusa de falar com alguém que amei mais do que a mim mesma que este ano de 2015 completa um ciclo, de dez anos, em que deixei a serra e principiei a ser eu.

a senhora da mesa do lado deixou agora de falar no marido para passar às queixas da filha, desnaturada que não quer saber do filho.

pelo menos tem alguém com quem falar.

ámen.

 

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publicado às 16:26


2 comentários

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De (des)Esperança a 02.01.2015 às 17:04

não sei se te puxe as orelhas, se te abrace tão forte que te parta os ossinhos todos... encontrar o teu blog, termos trocado algumas palavras, a quentura de coração por saber que estás aí, foi das melhores coisas que me aconteceu em 2014... Ok... eu sei que sou a mulher de vida vazia que tu tens pânico de um dia se pareceres com... mas gosto muito, muito de ti e muito e muito! Se os teus textos não fossem tão brilhantes, já te tinha mandado uma reguadas por comboio, que andar de avião está perigoso! E porquê? Porque não percebo porque não entendes que és maravilhosa! Pronto, já "ralhei" o que queria, deixo um beijo e o meu pedido de que não te zangues comigo sff ... xim?
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De M.J. a 03.01.2015 às 13:55

não me posso zangar contigo. gosto demasiado de ti para isso.
e agradeço mesmo muito que aches isso de mim. mas sou somente uma pessoa vulgar, pequena e inconformada.
nada mais.
tudo o resto são palavras em volta daquilo que vejo para me distrair de mim mesma.
um beijinho minha querida.
e obrigado por tudo.

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