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a grande ironia da vida

por M.J., em 07.11.17

é que quando fazes algo que nunca pensaste conseguir fazer... nem sempre te apercebes da dimensão dessa conquista.

às vezes esqueço-me que, sendo o caminho que trilho o mais importante, parar para celebrar as pequenitas vitórias faz com que o caminho seja mais bonito.

 

e vós?

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ah as pessoas!

por M.J., em 06.11.17

ouvir como ouvi aqui é uma coisa. 
mas ler neste português bem escrito, com uma argumentação bem sólida e uma construção frásica devidamente percetível é outra diferente.
esta senhora não quer água porque claramente se mete na vinhaça!

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porque amanhã é sábado:

por M.J., em 03.11.17

1 - por que é que o cão abana a cauda?

 

2 - por que é que o panado se divorciou?

 

3 - o que faz uma hortaliça surda?

 

4 - por que é que a pizza chora sempre nos velórios?

 

5 - estão dois gatinhos à procura da mãe. qual é o filme?

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às vezes pergunto-me

por M.J., em 02.11.17

na quantidade de tralha que vou para aqui debitando, uns momentos da vida mais, outros menos, umas alturas de coração aberto, outras medindo cada palavra...

 

que saberão realmente vós de mim?

o que conhecerão - através das palavras escritas - da pessoa que, por detrás do ecrã, vai mantendo vivo este espaço?

verão por entre as letras, as vírgulas, os erros e a pequenita máscara quem sou realmente e que, muitas das vezes, escapa a mim própria?

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eu juro que há cada pessoa...

por M.J., em 02.11.17

fui tomar café cedinho hoje, num aproveitar o tempo depois de não ter feito absolutamente nada no feriado.

na pastelaria encontrei duas senhoras, chiques a valer, a tomar o pequeno almoço.

falavam alto, riam muito e faziam gestos com as mãos repletas de garras. (juro que não sei como certo mulherio limpa o rabinho).

 

eu entrei a correr da chuva e do vento, numa alegria infindável por este tempo.

elas viram o meu cabelo molhado e começaram, na mudança de um tema qualquer, a falar do clima.

pois que, dizia uma muito pausadamente, era um horror o que tinha acontecido aos pobrezinhos dos incêndios mas fora uma verão excepcional. e os dias de praia em outubro agora sem a imensidão de gente do agosto? e o sol quente na pele num bronzeado fe-no-me-nal? não! tinha um verão fantástico e por mais que a chuva pudesse vir dar algum jeitito era uma chatice. as botas e os casacos e o cabelo sempre exposto à humidade...

ao que a outra, juro que é verdade, responde depenicando um bocado de café:

ainda para mais os incêndios já acabaram! era perfeitamente dispensável, esta chuva.

 

tomei o meu café sem acreditar no que ouvira.

discutir o clima é mais ou menos a mesma coisa que discutir a acusação do sócrates com gente que não esteja envolvida no processo: não serve nem altera nada. mas permite compreender um pouco a natureza das pessoas. permite, neste caso, perceber um nadinha daquilo que é importante para uns na sua vida e naquilo que veem da vida do outro.

um horror o que aconteceu aos pobrezinhos nos incêndios (mesmo aqueles que perderam fábricas de milhões, pobrezinhos, evidentemente, coitaditos) mas um verão excepcional de praia não tem comparação com tal tragediazita. 

se os incêndios até já foram apagados por que raio é precisa a chuva?

 

se as pessoas não têm água? pois olha, que bebam vinho!

estragar o cabelo é que não.

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neste dia, há uns anos atrás

por M.J., em 31.10.17

começou aquela que foi a minha adolescência tardia e me trouxe, mesmo que à data eu não soubesse, até onde estou hoje.

 

há dias parvos que nos transformam em pessoas destinadas a viver grandes dias.

e há pessoas que nos matam aos bocadinhos mas que, sem saberem, nos transformam em algo que elas nunca poderiam ser.

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acredito que na convivência em comum, na partilha do mesmo espaço, as casas se vão enchendo da tralha que cada um gosta mais.

neste apartamento não há diferença: 

o escritório está repleto de livros. não todos os que possuo - até porque a casa dos meus pais tem estantes com os livros fui adquirindo desde que aprendi a ler, muitas das vezes com o dinheiro que devia ser canalizado para os almoços semanais - mas ainda assim muitos (incluindo alguns da magda) organizados no escritório e espalhados - um ou outro - no quarto, sala e cozinha. 

depois há as plantas da cozinha e da varanda, que comecei a coleccionar com o tempo:

umas morrem, umas vivem, outras permanecem. 

estas são as minhas tralhas e, tirando o óbvio dos trapos no armário - que não são muitos - não ocupo muito mais espaço.

 

depois há o meu marido nerd. 

que ocupa sala, escritório, corredor, entrada, garagem, quartos, varandas e mais houvesse com um monte de aparelhómetros que chiam, guincham e se vão apoderando do espaço.

drones no escritório que ele programa e mantém alinhados numa espécie de frota escaganifobética.

aparelhos estranhos espalhados pelas várias divisões que permitem que tenhamos net máxima em todo o lado e que eu não consigo disfarçar.

fios atrás de uma porta que eu ameaço cortar, sempre que me lembro, e que ele organiza muito bonitinhos.

telemóveis com câmaras térmicas (?) que ele programa e se alinham em cima da secretária.

phones. na secretária dele e na minha que ele achou por bem presentear-me.

há um monitor de não sei quantas polegadas que ele disse ser necessário para o trabalho mas que tinha escrito na caixa, lembro-me muito bem, que era para gamers.

há um PS4 e quinquilhões de jogos que eu arrumo num móvel fechado e que ele não joga porque não tem tempo.

aviões telecomandados (caros como o raio) fechados na garagem, a apanhar pó, que ele pilotava à distância quando vivíamos noutra cidade.

há centenas de cabos, carregadores, e outras peças que eu não sei que sejam, fechados dentro de uma caixa e que de vez em quando vêem a luz. 

e agora, nas poucas plantas que existem na varanda, vai haver um sistema de rega automático (????) porque sua excelência quer experimentar brincar às apps de rega (dois vasos com rega automática é para rir). 

 

e hoje de manhã, tão cedo que eu ainda dormia, tocaram-me à porta para entregar uma tv - que eu concordei em comprar assumindo um certo tamanho - que é gigante (ridiculamente grande) e na qual o meu pai ia delirar ver o sporting-benfica porque seria menino para conseguir ver os macacos do nariz do jesus. 

tenho mais televisão que sala, essa é que é essa.

 

creio que vai chegar o dia em que eu tenha de sair porque me entregam aqui em casa uma esposa altamente funcional, bonita, inteligente, simpática, boa parideira e robô!

oh senhores!!!!

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oh vai ver ali:

côcos e medos

por M.J., em 30.10.17

li há uns tempos uma notícia, daqueles sites ranhosos cheios de pop-ups, acerca de um homem, filipino acho eu, que depois de ser assaltado subiu para um coqueiro de 20 e tal metros e ficou lá em cima durante 2 ou 3 anos.

2 ou 3 anos (não recordo com precisão) em cima de um coqueiro, alimentando-se de comida que lhe chegava por um balde atado a uma corda.

acabou por ser retirado à força com lesões no coluna, desidratado e com um prognóstico de psicose, paranóia e afins. 

 

2 ou 3 anos em cima de um coqueiro, recusando-se a sair por medo que o voltassem a assaltar e perseguir.

 

não obstante o ridículo da situação isto fez-me pensar na quantidade de anos que tenho vindo a perder em função do medo.

não estou, obviamente, em cima de um coqueiro (até porque teria de ser um resistente) mas vivo, desde que me lembro, a vida a fugir de situações que me incomodam.

não resisto ao assalto:

fujo e subo para cima de um coqueiro.

e vou saltando de coqueiro em coqueiro, no medo que me assaltem e persigam naquilo que é a minha vida.

 

sou uma idiota chapada.

a incapacidade de enfrentar certas coisas é tanta que, largas vezes, faço tudo o que me é permitido para as não ver, não sentir, não pensar sequer.

abalroo pessoas pelo caminho, na justificação dada a mim própria de que irão aumentar o meu medo.

esqueço-me delas, finjo que não existem e continuo.

deixo de ir a lugares, perco locais. 

evito.

 

o meu evitar é tão forte que, em determinadas situações, se eu sofresse do mesmo nível de paranóia do senhor filipino, era menina para ter na minha varanda o meu próprio coqueiro onde permaneceria empeloucada até achar que estava livre.

e nunca estaria.

nunca estarei livre do medo.

é algo inato, que se alimenta a si próprio e me faz tomar todas as decisões que tomo e se transformam, numa espécie de efeito borboleta, naquilo que é a minha vida. 

a única diferença entre mim e o filipino é que ele, no sítio onde estava, podia deliciar-se com um dois côcos.

eu nem isso. 

 

*escrevi côco, bem sei, com acento que não existe. mas não conseguia evitar pensar em cocó sem ele. e o texto já é demasiado mau mesmo sem me lembrar do cheiro. 

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publicado às 10:00

adoro #1

por M.J., em 27.10.17

pessoas que dizem "esferógráfica".

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eu fico-me com esta.

 

 

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