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que vi ontem:

 

1. o manzarra apresenta tão bem como eu corro. a diferença é que o meu cabelo, mesmo suado e com brancas, fica com melhor aspecto que o dele.

 

2. a bárbara guimarães ensandeceu e roubou a malinha à filha depois de se enrolar em celofane. 

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3. o rodrigo guedes de carvalho, no seu discurso, mostrou a ao carrilho que lhe dava dez a zero à porrada.

 

4. a luciana abreu provocou-me, outra vez, carradas de vergonha alheia. podes tirar a moça do azeite mas não tiras o azeite da moça. alguém viu aquele samba?

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5. e aquele musical inicial. era para afastar as pessoas?

 

6. o thiago lacerda está gordo. 

 

7. a rita blanco também.

 

8. por falar em rita blanco, fui só eu que a vi pendurada nas costas do perry?

 

9. gosto do perry. deu uma solenidade de missa ao brilho da coisa, transformando aquilo num espectáculo quase a sério.

 

10. quem era esta moça? por que é que leva um mosquiteiro na cabeça?

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11. o manzarra com tanto trabalho a defender os animais e a solnado depenou cinco gansos para o vestido.

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12. a rita ferro rodrigues provocou-me cinco revirares de olhos com a mania de chamar à festa as capazes. gostava de saber quem a nomeou representante de género. é que eu preferia ser representada pela luciana abreu, a sambar e gritar com as goelas todas enquanto o ex marido lhe fazia cócegas, do que pela outra.

 

13. o joão baião disse novamente a palavra mágica dos meus sábados à tarde de infância: xixizinho. foi ponto alto da noite.

 

14. este senhor enganou-se no fim de semana e pensava que ia para o marquês.

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15. larguei uma lagriminha com as recordações dos falecidos no ano passado. não tinha percebido que tinham sido tantos. que razia.

 

16. a criança que ganhou o prémio para melhor qualquer coisa revelação parecia que ia ter um colapso. não sei quem é mas não me pareceu preparada para a coisa.

 

17. se fosse homem era stalker da raquel strada. fogo que a mulher tem classe.

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18. a namorada do daniel oliveira tinha uma autoestrada entre as mamas. como é aquela gente doma as meninas?

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19. a raquel tavares estava possuída a cantar com o paulo gonzo. se gritasse mais estourava o vestido.

 

20. o seleccionador nacional foi como eu gosto: curto, rápido e eficaz.

 

21. bem sei que sou casada mas... fidalgo faz-me um filho.

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22. o ricardo carriço tem mais brancas do que eu: valeu a pena o sacrifício de ver aquilo tudo.

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23. por que é que este senhor vai acompanhado de uma criança vestida de xupa xupa? 

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 (eu ia pôr isto tudo no facebook mas vocês não param lá!)

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vem ter comigo ao facebook - aqui,  e instagram - aqui

 

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sábado, dia de aniversário e impossível fuga dos 30. évora. viagem sem parar. almoço em esplanada. hotel com cama gigante e fantástica vista. passeio completo pela cidade. capela dos ossos. templo de diana. queijada de évora e queijada de toucinho. magnum de frutos vermelhos. hidromassagem e jantar no restaurante do hotel: experiência de pratos que marcam a entrada na década: boa mesa e boa cama. templo de diana à noite. banho relaxante em banheira gigante cheia de água. banda sonora da viagem com raul seixas, beirut e isabel silvestre numa mistura que nem toda a gente entende. fim da noite em frente à piscina com um céu estrelado sob nós.

domingo de ressaca, mesmo sem álcool. pequeno almoço descomunal. alto de são bento. almoço em setubal. volta a casa com paragem para café. conduzi para o rapaz descansar e odiei, como odeio sempre. bolo de limão e aveia e peixe para o jantar.

duas mensagens muito importantes a completar um dia em que não parei de pensar nos seus remetentes. conclusão que chega de criancices e ingratidão, sobretudo quando a vida me faz ficar mais velha. e tenho tantas mas tantas saudades.

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oh vai ver ali:

acabei um curso superior, tive um bom trabalho e planeei a minha vida profissional como algo certo e transparente. arrependi-me do curso superior, despedi-me do trabalho e reorganizei a vida de trabalho depois de a colocar num turbilhão. fiz amigos. de infância, de adolescência, de juventude e já adulta. perdi amigos. de infância, de adolescência, de juventude e, estranhamente mantive os de adulta mesmo que às vezes questione se é recíproco. conheci uma irmã que não sendo de sangue é de coração. ansiei muito por me rodear de pessoas e por me abandonar de pessoas até perceber qual a medida que resulta comigo. quis fugir do sitio onde nasci e depois voltar quando percebi que era o meu refúgio. quase morri fisicamente e estive morta emocionalmente. desisti muito e fugi ainda mais vezes. ganhei arrogância. perdi arrogância. entendi o quem ao mais alto sobe, a galinha da vizinha, mais vale uma pomba, quem escorrega e todos os outros, por os viver na pele. li muito, parei de ler, voltei a ler com intensidade. engordei, emagreci, voltei a engordar. escrevi um livro. editei um livro.  abri um blog, fechei um blog, abri outro blog. conheci pessoas através do blog. do primeiro, do segundo e do terceiro. mudei de casa. de várias casas. pensei nunca encontrar ninguém com quem partilhar a vida. pensei ter encontrado alguém com quem partilhar a vida. recebi um valente pontapé no rabo de quem pensara que podia partilhar a vida. sofri por amor e sobretudo por desamor. recusei-me a perceber as pessoas e as suas fragilidades e ergui a minha dor como uma bandeira, clamando a sua importância acima das outras. senti-me superior mesmo sendo muito pequena e quando reparei na minha pequenez apreendi um pouco acerca de humildade. eduquei-me em deus, perdi deus e desacreditei da religião. convenci-me que o mundo era do tamanho do que via até concluir que o mundo será sempre do tamanho do que não vivo. aprendi a amar. a amar muito. sem comparações e sem diminuições. pus-me no lugar certo da relação, na aprendizagem do que ficara lá atrás. descobri-me em mim pelo amor de outrem. casei. deixei de dar valor às coisas grandiosas e percebi a beleza das pequenas. redescobri o sabor de cevada e pão com manteiga. assumi como traumas os traumas, como medos os medos, como fragilidades as fragilidades, eu como eu. elenquei os defeitos e percebi os que não podia mudar aceitando-os e combatendo-os. viajei menos do que queria e mais do que pensei. vi demasiada tv de lixo e ri-me javardamente do que não era para rir, mesmo que desse vontade. caí em situações estranhas, tomei medicação estranha e senti coisas estranhas. fiz coisas que jurara não fazer e reorganizei prioridades. traí, fui traída. abandonei, fui abandonada. levei-me demasiado a sério e dei-me um valor infinitamente menor do que o que tenho. ganhei ideais e ri-me dos ideais. pus em causa valores, abandonei convicções e aprendi a duvidar. de tudo. ou quase tudo. aprendi a conhecer-me mesmo desconhecendo-me. fui eu mesmo não sabendo quem era.

 

e vivi até aos trinta depois de me convencer que não passaria dos vinte. 

e estou aqui. 

 

e que benção é estar aqui.

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oh vai ver ali:

Vim trocar a armação dos óculos

por M.J., em 19.05.17

Estou sentada, com ar de pânico à espera, quase cegueta, a ouvir despacito.

Bonita maneira de me despedir dos 29.

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publicado às 13:02

dúvidas

por M.J., em 18.05.17

aos 16 anos tinha certezas de tudo.

do que queria, do que não queria, quem era e quem não era.

certezas do que acreditava. do que estava certo e totalmente errado, sem meias medidas. o meu cérebro era um pedaço de água límpido, plenamente consciente de tudo. 

eu era e por ser sabia quem era.

 

aos 29 - ainda não tenho 30 e quero gozar esse facto o mais tempo que puder -  perdi totalmente essa capacidade.

o mundo deixou de ser transparente e claro.

as minhas convicções desapareceram e deixei de saber no que acredito. evidentemente que há coisas que claras, quase transparentes de tão lúcidas: onde vivo, como me chamo, que idade tenho, onde nasci. mas tudo o resto é uma continua aprendizagem, um completo reformular de coisas, um total e absurdo questionamento.

sei onde nasci mas não sei onde é a minha casa.

sei quem são os meus pais e o amor que lhes devoto, mas não o entendo na sua totalidade e completa essência.

sei quais são os valores por que me pauto, mas não todos e alguns perdem-se e outros encontram-se.

sei o que certo mas não sei o que é certo e sei o que é errado mas não sei o que é errado.

não há certezas de nada nem em questões tão fraturantes.

fui obrigada por uma data de circunstâncias a olhar sempre para o caso em concreto e não generalizar, mesmo que na maioria das vezes caia nessa falácia.

aponto o dedo ao Outro, em impulso e depois perco horas num questionamento do que faria no lugar do Outro mesmo nunca sabendo ao todo porque não o sou, nas suas particularidades e circunstâncias.

questiono muito mais do que afirmo e mesmo quando afirmo acabo por questionar.

 

aos 29 não sei bem o que que quero porque vou querendo e deixando de querer à medida que o tempo passa.

aos 29 as coisas são uma espécie de neblina que vou desbravando sem saber bem quem me espera do outro lado que sou eu.

 

não imagino o tempo ou a personalidade dos outros no que diz respeito a descobrir quem são e o que querem.

na maior parte das vezes, acredito até - sem certeza alguma - que grande parte das pessoas se vá deixando ir, dominada pelos traços de personalidade e circunstâncias sem pensar, raciocinar, perceber os motivos do que sente ou do caminho que optou. 

queria tanto ser mais do que isso e ao mesmo tempo não ser.

 

deus, como é difícil. 

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oh vai ver ali:

Caramba como estou velha

por M.J., em 18.05.17

Não me lembrava do quarto de hora académico.

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era uma vez uma história triste #7

por M.J., em 17.05.17

a rapariga, gorducha, feiinha, casada aos vinte, com quatro filhos aos vinte e cinco, está desempregada desde que estudou.

é o marido, balofo de álcool e gordura, cara imensa, que a mantém, e à prole, trabalhando fora do país, que dentro, dizem, não há dinheiro para um só manter cinco.

a rapariga entra numa espécie de depressão que alimenta no facebook com concentração.

espeta em fotografia de perfil as trombas maquilhadas do dia de casamento e em destaque a fotografia da prole, os putos todos, alinhados, muito direitos.

todos os dias escreve qualquer coisa:

que a vida é uma merda;

que tem saudades do marido;

que lhe apetece morrer.

em cada comentário destes alguém vem perguntar - por vezes a família, por vezes um conhecido - muito solícito e com palavras de amizade "pk coisa?" e "k s passa coisa?", "precisas de alguma coisa, coisa?"

na tentativa de saber, ver, bisbilhotar e contar que os anos passam mas os adros das igrejas permanecem. 

 

todo um rol de queixas:

que o país é feio;

que o marido está longe;

que tem de, sozinha, tomar conta de quatro crianças.

assim, ali exposto no facebook para os quinhentos e dez amigos.

para quê ler um drama ou ir ao cinema quando basta abrir o pc? 

a mulher prossegue e todos os dias é esta dor.

 

enfim, o marido volta a casa, depois de tanta queixa, tanta ânsia, tanta tristeza e decide levá-la com ele, juntamente com a criançada toda.

respiramos de alívio.

deixará de haver ameaças de morte, pensamos, frases de tristeza, concluímos, e citações brasileiras de saudade, suspiramos.

tudo está bem quando acaba bem.

 

mas não.

na última semana a senhora, cansada da rotina, dos dias claros, da ausência de comentários e actividade no facebook, decidiu retomar a ladainha:

tem saudades de casa,

não gosta de onde está,

que lá não se faz nada,

quer voltar para portugal.

retomam as ameaças de morte, concluímos, as frases de tristeza, constatamos, e as citações brasileiras de saudade, percebemos. 

 

 

tudo sempre com as trombas de casamento e a prole alinhada em fotografia de fundo.

 

tudo assim, ali escrito, com muitos ks e pks e estados e imagens de nossa senhora de fátima, rogai por nós, amem.

 

e toda a gente a perguntar, muito natural e inevitavelmente, um retomo ao habitual e normal, season dois, olha que saudades:

"pk coisa?" e "k s passa coisa?", "precisas de alguma coisa, coisa?"

 

não consigo evitar: fez-me lembrar aquela comparação do papel higiénico.

sabeis qual é?

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ponha a mão no ar

por M.J., em 16.05.17

quem aqui está com uma dor de cabeça tão grande que tem dificuldade em abrir os olhos:

 

 

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vou fazer trinta anos e lembrei-me

por M.J., em 16.05.17

esta manhã, enquanto fazia a cama depois de uma noite de insónias, que ainda não:

1. fiquei magra (a minha mãe jura que nasci magrinha, mas tenho para mim que sempre fui um pote);

2. ganhei um euromilhões. ou o totoloto. ou uma raspadinha;

3. comi lagosta. ou ostras. ou caviar;

4. descobri o meu perfume. aquele para usar sempre como cheiro irreconhecível;

5. corri a maratona. ou a meia maratona. ou um quarto de maratona;

6. pedi desculpa a duas pessoas com quem errei profundamente. ou três, vá.

7. perdi o medo de parir. ou de a coragem de não parir. ou as duas.

8. atravessei a nado o tejo. ou o mondego. ou uma piscina, vá.

9. descobri quem sou. 

 

lindo serviço.

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quotas de desgraças

por M.J., em 15.05.17

tenho andado com insónias recorrentes. 

o filme é sempre o mesmo: chego à cama e dói-me a vida, aliada ao braço que ficou bom depois da fisioterapia mas começou novamente a chatear-me há umas semanas. depois tudo se torna uma pequenita tortura. os lençóis dobram-se sobre o corpo, há calor a mais que se transforma em frio e um sem número de pensamentos recorrentes que me assaltam como num cerco desprevenido, causando a vulnerabilidade que insisto em pôr para trás das costas ao longo do dia.

uma consumição.

 

ontem fez um ano de casamento.

não trocamos flores nem juras e procurei à pressa uma foto do dia só para assinar a coisa sem grandes foguetes.

a nossa vida começou antes do casamento e passou muito para além daquele dia, na constante caminhada diária de viver na partilha. porque se há coisa que descobri este ano - isto as emoções são como são e nem sempre as controlamos - é a inevitabilidade da total partilha quando se decide uma vida em comum. ou em comunhão, diria o padre. a ausência de segredos, planos individuais ou o "eu quero". a ausência de uma tristeza egocentrista a causar uma dor apenas própria, ou uma alegria de vitórias vivida por um só.

uma partilha constante de sonhos, planos, objectivos, medos, inseguranças e incertezas. há uma partilha constante de receios e fantasmas mesmo quando me sento na varanda de madrugada, de cálice de vinho na mão - que se não fumo algo tem de substituir a mão vazia na lassidão - a ponderar se o que tenho me chega ou desisto de vez. 

há uma total partilha em igualdade de circunstâncias e às vezes, quando nos deitamos e chegam as insónias e os lençóis são carvão aceso no corpo e tenho frio e calor e há um gato que mia no jardim e um vizinho que caminha pela casa e mil fantasmas que voltam de fundo do passado onde os prendi, e mil situações que não fechei na fuga da personalidade que sou, e quando me dói a alma no sono que não chega e percebo, numa epifânia quase constante que ele ali está e dorme, na respiração pausada dos serenos, o corpo abandonado ao meu lado, a entrega total a quem sou mesmo sendo eu - como é possível? - mesmo nas minhas insónias e fantasmas e medos e eu, só eu como eu, toco-o ligeiramente para saber se é real

serei o rei que sonha que é borboleta ou a borboleta que sonha que é rei?

é esta mesmo a minha vida ou vou perceber, a qualquer instante, que tudo se desmorona e tenho de recomeçar outra vez, carregando traumas e medos, pedaços de mim desfeitos, novamente, tudo muito ruim e queimado, uma pequena selva de medo? 

é mesmo ele ali e esta é a nossa vida e somos dois mesmo que eu sinta, às vezes, que somos quase um, e vamos seguir e continuar e amanhã vamos estar ainda aqui, e os dias permanecem na paz de cafés de cevada e pão com manteiga ou há uma volatilidade que pode esfumar tudo isto num piscar de olhos?

 

tenho tanto medo, disse-lhe um dia, tenho tanto medo de estar a viver toda a quota de coisas boas disponíveis a uma pessoa, e tarda nada receba o que é suposto, na balança do equilíbrio karmico, mesmo que não acredite, e qualquer dia venha novamente a desgraça da dor para me lembrar que eu sou eu e eu não sou esta.

e ele, baixinho, a caminhada na tarde que caía, as primeiras flores de primavera:

não te preocupes. encheste já, no que ficou para trás, a tua quota de desgraças de vida. agora e o que aí vem é só e apenas para compensar.

 

é, não é?

 

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