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disto do desporto

por M.J., em 13.07.16

a equipa que representa o país em futebol (pelo amor de deus não digam que a mesma é portugal porque da última vez que reparei ainda não vivia num mamilo do ronaldo nem o marcelo era presidente da pila do fernando) ganha uma competição europeia.

parece-me bem sobretudo pela parte dos não sei quantos milhões que origina de impacto no país. 

dá jeito que tantas bolas saltitantes e lágrimas de terror puro por um joelho partido encham assim os bolsos da nação ainda que, sejamos sinceros, haja quem afirme que em dois mil e quatro entrou uma dinheiraça da grande acabada por se perder nas cuecas metálicas que albergaram tanta bola e que agora estão a apodrecer ao vento (o desgraçado do estádio de aveiro, por exemplo, teve dias em que trocou a glória brilhante pela escuridão derivado de  não ter uns cêntimos para a electricidade).

é tudo muito subjetivo, diz-se.

juro que não me aqueceu nem arrefeceu a vitória. sou assim, uma espécie de pedante idiota que não consegue vibrar com a histeria de uma bola (se não soubesse que me iam fazer uma espera quase que confessava que num dos jogos queria que os heróis nacionais perdessem, só para eu poder escandalizar os vizinhos com golo alheio). irrita-me sobremaneira os gritinhos, as lágrimas e os cabelos suados em forma de arte de quem preferia perder as duas orelhas do que um jogo. não entendo e bem se vê que a culpa é minha porque tanta gente não pode estar errada. é como aquela coisa da religião. camandro! se os pastorinhos viram uma virgem em cima de uma árvore e se se construiu um império numa aldeola rural à conta disso, com milhares de pessoas a fazer calos nos pés a caminhar para lá, como podem todos estar enganados e eu certa?

está claro que a idiota sou eu!

o engraçado da coisa é que sendo o futebol um desporto deveria estar ali taco a taco com os outros, mesmo aqueles que não dão milhões a ganhar, no que diz respeito aos nossos representantes políticos. não me indigna nadinha que o marcelo salte com as duas bolitas e dê às mãos para apertar as ditas (mãos, vá) do herói nacional, esse portento de de salvação do país. mas já me irrita um tanto que o mesmo presidente, sempre com faladura, sempre tão disponível para estar e ser visualizado por aí, desde o camilo que morre à ágata de biquini, não dê um saltito aos sapatos para ir assistir ao ouro do triplo salto e da  meia maratona de atletismo ou o bronze da meia maratona e do lançamento de pesos.

não dizem os papás que os filhos são todos iguais, mesmo aqueles que lhes enchem os bolsos e os outros que, pobrezitos, só conseguem dar dedicação?

neste caso parece que não.

até no orgulho desportivo uns são filhos da mulher legitimada pelo santo matrimónio, deitadinha quietinha a fazer o amor e os outros da concubina, uma louca na cama com quem se pina e sem maneiras à mesa.

valha-me santa eufémia!

ou outra santa qualquer!

 

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oh vai ver ali:

- oh senhora doutora... então mas quer dar alta ao meu marido neste estado? então eu vou levá-lo assim, tão doente, para casa?

- não quer levá-lo para sua casa? deixe-o na casa da vizinha!

 

assim, num hospital perto de si.

 

há profissionais que de profissionalismo nem quando vão à casa de banho libertar o intestino da merda que lhes brota ao cérebro.

filha da putice!

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oh vai ver ali:

ah aquelas pessoas

por M.J., em 06.06.16

que quando querem contar o que aconteceu têm a história tão detalhada na mente que até os pintelhos que coçaram incluem como importante:

 

"então foi assim. eu tinha de ir para bragança e então peguei na mota e como o depósito de gasoile fica em caminho parei. estavam lá muitos automóveis, eu parei, cocei a pintelheira de baixo, saí da mota, ajeitei o material, sabe? o material, que a minha sogra quando eu digo material pensa que é as ferramentas das obras, e ó depois eu disse oh rapaz das bombas, atesta que eu vou para bragança e ele disse então e vais para bragança e vais por esta estrada. 

- olhe, olhe, sim, mas e quando é que foi o acidente?

- ah! isso? foi no dia a seguir. 

 

ainda dizem que a minha vida é fácil. 

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oh vai ver ali:

as coisas são como são

por M.J., em 02.05.16

e todos nós, de certeza, que passamos por isso, um dia ou outro.

 

há situações, pessoas, coisas, objectos, blogs, filmes, episódios que apesar de nos repugnarem, nos provocarem calafrios ou não os conseguirmos entender, conseguem com que acabemos lá colados, numa espécie de vício, a instruir-nos da total capacidade do ser humano em ser e manifestar-se.

a sério.

como aquelas pessoas que vão à casa de banho fazer cocó e por mais mal cheiroso que o dito seja (que não sei se existe algum bem-cheiroso) de um cheiro agreste e nauseabundo, ficam ali sentados, num trono de cerâmica, a marinar no cheiro, a apreciar o cheiro, enquanto dissecam o telemóvel, tablets, revistas ou livros.

no fundo, no fundo deve-lhes cheirar muito mal mas não conseguem resistir.

 

tem dias que sinto exactamente o mesmo. 

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portanto

por M.J., em 19.04.16

estão-me a dizer que o corpo é da mulher, a decisão de abortar ou não abortar é dela e a decisão de se ser pai ou não também passa por ela?

que no seu poder absoluto de útero e vagina tem total controlo sobre a sua pequena vida, a vida de quem decide parir e ainda a vida do desgraçado que decidiu, sem pensar muito bem, brincar aos papás e às mamãs com ela?

que ela pode ser nova de mais para parir mas que ele nunca é novo de mais para assumir a paternidade?

que ela deixou-se seduzir mas que como ele tem pila não?

 

se um dia tiver um filho faço-lhe uma vasectomia reversível aos onze anos. 

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telefone riscado.

por M.J., em 30.03.16

quando era miúda jogávamos a um jogo chamado telefone riscado. era mais ou menos como sentarmo-nos num círculo, dizermos palavras ao ouvido do colega do lado, que fazia o mesmo até chegar ao lado do que havia começado. a piada estava em não inventar mas reproduzir exactamente o que se ouvira. no meio dos hã? e o quê? chegava-se ao fim invariavelmente com uma palavra diferente do que se havia dito e era uma risada pegada.

evidentemente que fazíamos de propósito para o engano e o escandalizar. havia sempre quem começasse com a palavra ténis que acabava em pénis, em gargalhadas sonantes. ou a palavra fintar que acabava em pinar. todos muito corados, felizes por dizer asneiras em contexto permitido, alguns recusando-se a repetir o que haviam acabado de ouvir ou julgado ouvir.

momentos bem passados.

e acontece o mesmo na blogosfera.

o pessoal escreve um texto a dizer o que pensa de uma coisa e quem lê percebe que a coisa é exactamente para ele. escreve-se que ler apenas para aumentar números é um bocado triste e lê-se que "eu que leio muito sou triste". escreve-se que quem vive unicamente para os filhos é um pouco limitado e lê-se "sou limitada porque gosto dos meus filhos". escreve-se que quem diz palavrões constantemente é mal-educado e sem princípios" e lê-se "sou mal-educada porque de vez em quando escrevo palavrões".

na verdade, isto é mais do que um telefone riscado.

é aquela coisa do ver nas palavras dos outros o próprio julgamento, que se pensa e se assume mas não se pensa nem se assume que mais ninguém possa pensar ou assumir.

como aquilo do "dos meus eu posso falar mal mas atreva-se outro qualquer a fazê-lo".

 

não é engraçado?

 

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exageros.

por M.J., em 11.03.16

um dos meus maiores medos de parir é o exagero.

o exagero que a situação coloca. o cair no exagero que vejo, todos os dias por aí, em gente que não disfarça e ainda se orgulha.

o exagero de viver para e por (o meu filho é a minha motivação, a minha força, o único sentido de vida). o exagero de não querer saber e o puto aparecer morto numa ribanceira.

o exagero de moldar todas as rotinas a um pedaço de carne feito por ti (e depois tenho de ir levá-lo à escola, comprar os iogurtes que mais gosta, almoçar a correr porque ele está a fazer birra, ver o panda só, que ele quer, pô-lo a dormir na minha cama que ele tem pesadelos passar o fim de semana em casa porque ele chora em público, estar duas horas ao pé dele a fazer os trabalhos da escola, que ele não faz sozinho e por ai adiante). o exagero de não moldar nenhuma rotina e esperar que o outro faça (vou sair com os meus amigos, ela que fique a tomar conta dele. trabalhei o dia inteiro e preciso de tempo para mim que nem fui eu que o pari).

o exagero de não respirar mais nada a não ser o cheiro, a roupa, o corpo do ser que se pôs ao mundo (e depois o menino disse que gostava de mim e então eu partilhei cinquenta e duas fotos dele no facebook e no instagram e ainda um snap e contei a história aos meus amigos todos e depois liguei à minha mãe para lhe contar isso e quando fui à escola até disse à educadora e mostrei-lhe que ele tem muita sabedoria e é muito inteligente e toda a gente devia saber isso). o exagero de não querer saber do cheiro, da roupa ou do corpo do ser que é um pouco de nós. (o quê? eu? vejo-o aos fins de semana, de quinze em quinze dias. mas mando o dinheiro todos os meses, ouviste? além disso a mãe enche-lhe a cabeça e ele não quer estar comigo pelo que, eu também não faço grande questão. quando chega aqui a casa passa o tempo a gritar pela mãe. era só o que faltava ter um filho maricas).

o exagero de se achar que aquele ser é nosso, porque veio de nós (e também já lhe disse, foi para a universidade mas não pense que não me vai ligar todos os dias, que eu vou lá e trago-o por uma orelha, era só o que faltava. lá por ter mais de dezoito anos acha o quê?). o exagero de se achar que não nos é nada para além disso mesmo: foi parido. (já paguei a pensão até aos dezoito, agora quer continuar a estudar e eu tenho de manter o menino até ele ter quarenta querem ver? quer estudar vá trabalhar que tem bom corpo!).

 

tenho medo do exagero porque é só exagero que vejo nos que me rodeiam. nos que me rodearam. porque lido com ele todos os dias, seja no mais, seja no menos. porque assisto de camarote, ainda que as cadeiras sejam desconfortáveis, ao pior desse exagero, seja pela tentativa do bom seja pela tentativa do mal. 

é esse o meu maior medo e não consigo não desprezar quem cai nestes exageros.

tal como eles devem desprezar-me por os sentir sem motivo.

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às vezes, quando preciso de me distrair leio os comentários dos jornais. deviam experimentar. é altamente terapêutico e ajuda a perceber o mundo que nos rodeia. estes que deixo abaixo são do JN à noticia de que o casalinho in-amoroso-com-piada-giraço-que-unia-nerds-e-boazonas se vai separar.

atentai na qualidade, no esgrimir de argumentos, na fabulosa troca de palavras que se segue:

 

senhor a: Com tanta merda com interesse aparecem estes artistas com a vida pessoal de cada um. 
senhor b: Calate estúpido
senhor a: estúpido foi o teu Pai quando montou a puta que te pariu.
senhor c: um verdadeiro senhor!
senhor e: para um basico que vem para aqui chamar estupidas ás pessoas, que apenas manifestaram a sua opinião sem ofender outrem............o senhor respondeu logo como deve ser, sem papas na lingua. concordo.
 
senhor f: quero fazer um comentário sobre o nome do jornal: Jornal de Notícias. Pergunto: existe algum jornal que não seja de notícia. Me parece falta de criatividade. (altamente pertinente esta questão. algo que se devia ponderar. a pensar pessoas, a pensar).
 
senhor g:Que interesse tem esta gente e esta pagina Gente no JN ?
senhor b novamente: Calate estúpido
senhor h: calate
senhor i: cala.te estupido
senhor b outra vez: Ide mandar calar a grande puta que vos pariu
 
senhor h: Muita gente divorcia-se após o 1º filho. Azar. Fizessem outro de seguida. (percebem o conselho?)
 
portanto agora tenho dúvidas:
escrever calate em vez de cala-te pode significar a ânsia de escrever muito rápido, não tendo tempo para o devido hífen. já escrever cala.te quer dizer o quê?
que consumição minha gente. 
(ia escrever meus senhores mas alterei).

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a gente temos.

 

mais um nadinha, e tendo em conta o problema do mos, era "a gente te-mos"

 

ca dores!

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ah, eu por acaso, sou gorda!

por M.J., em 24.02.16

engordei um quilo. e não é, como diz a mamã, erro da balança. engordei o filho de mil pegas de um quilo e fui a culpada disso. que uma pessoa não pode nunca aliviar um bocadinho e tumbas, pega lá que já almoçaste, literalmente, e se almoçaste engordas.

uma merda.

em todas as coisas há possibilidades de fazer uma escapadinha menos na obesidade. até paulo coelho é apologista disso, exultando as maravilhas do adultério e escapando impunemente. por que raio uma pessoa gorda em perda de peso não pode fazer uma pequena ou maior asneira e não sair impune também? hum, hum? por que não pode comer um prato de massa, meio galo com arroz, batatas fritas com hambúrguer ou bolo rei com manteiga e não engordar? que descriminação é esta? o bill clinton pode ser alvo de felatio da outra e continuar casado! o armstrong pode enganar uma geração inteira, carregadinho de dopping até ao cérebro e mesmo assim ninguém lhe arranca as camisolas da parede. o carrilho pode arrear na mulher e ver os filhos a dizer que a mãe é bêbada! e eu, eu meus senhores, eu que não faço mal a um sapo não posso comer decentemente num fim de semana que engordo como uma lontra e em vez de ter braços começo a ter rolos de gordura com as mãos a servir de garrote.

uma conspiração.

estou portanto, sem a mínima paciência para aturar boquinhas foleiras. "tadinha, engordaste um quilo? eu cá posso comer tudo o que quiser que não engordo absolutamente nada!"

pó-raio-que-vos-parta!

é que é uma tremenda falta de consideração. de sensibilidade. de dor alheia. é a mesma coisa que dizer a um refugiado, a sair de mar alto "oh, estás todo molhado? eu por acaso, quando vou nadar na minha praia privada, tenho sempre um servente à minha espera com uma toalha de feltro macia e a cheirar a jasmim!". ou a alguém com cancro "oh, estás careca? eu por acaso não tenho queda de cabelo apesar de não ter cuidadinho nenhum com ele". ou ainda a um senhor em cadeira de rodas "oh, estás sempre sentado? eu por acaso até passaria mais tempo no sofá mas gosto mesmo de mexer as pernas".

é que não há pachorra!

não andam por aí a dizer coisas destas, pois não? são todos muito solícitos e compreensivos com todo o tipo de desgraça alheia (ia escrever alheira e tudo, que isto uma pessoa até se perde). então por que demónio mais feio andam aí a dizer aos gordos do mundo que podem comer todo o tipo de morcelas, mortadelas, caramelos, cogumelos, rojões, mexilhões e não engordam?

hum?

digam-me!

esclareçam-me se forem capazes! 

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