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sempre fui uma pessoa com traços depressivos. assumo-me até, na maior parte dos dias, como uma espécie de depressiva crónica.

 - as coisas são como são e só tendo noção delas conseguimos usar de estratégias para seguir com a vida.

tento, por isso, compreender, na sua essência, todos os tipos de doenças mentais. tendo a assumir como sendo o que são as dores provocadas pela descompensação, a loucura e as consequências que daí advêm. tento entender e, na maior parte dos dias faço-o com sucesso, na empatia pela dor alheia.

não consigo, no entanto, apesar de compreender a dor, assumir como apenas doença a entrega à morte de um filho.

não é, para além da doença, a suprema visualização do filho como um objecto que se possuiu?

não é o sentimento de posse elevado ao extremo, sem conseguir desvincular o cordão umbilical? sem conseguir desmarcar-se de que aquela coisa que se atira para morrer é, por si só, uma pessoa e não apenas um pedaço da continuação de si mesmo?

 

quão deturpada não é essa visão?

 

deus! e ainda mandam as pessoas parir!

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oh vai ver ali:

publicado às 12:29


14 comentários

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De Magda L Pais a 20.06.2016 às 12:43

não, não é presunção. é doença. É a doença que faz com que estes pais que matam os filhos o façam porque, no entender deles, a morte salva-os de sofrerem. de uma forma retorcida, fazem-nos porque amam demasiado os filhos, porque lhes querem evitar sofrimento. De uma forma estranha, retorcida e anormal, entendem que o sofrimento dos filhos é menor se morrerem juntos. Não os desculpa, de todo, mas é uma doença mental.
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De M.J. a 20.06.2016 às 12:47

não acredito no conceito "amar de mais".

pode ser doença. assumo e aceito a doença. mas mesmo as doenças mentais têm uma base. mesmo os comportamentos que se assumem no pendor da doença mental partem da personalidade de cada indivíduo.
e a personalidade daquele individuo assume que o filho só será feliz ao seu lado. despreza todas as potencialidades possíveis de vida daquela vida e retira-a acreditando plenamente ser o centro.
acredita que entendo doenças mentais. mas aquelas que prejudicam o outro gratuitamente dão-me um nadinha de nojo.
sobretudo quando prejudicar é matar.
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De Magda L Pais a 20.06.2016 às 13:00

Podes ler aqui um artigo sobre isso mesmo. Pais que matam os filhos por altruísmo, por amor aos filhos: http://lifestyle.sapo.pt/familia/pais-e-filhos/artigos/quando-os-pais-matam-um-filho

A primeira vez que ouvi falar nisto foi num programa de televisão em que falavam de duas doenças mentais que atingem os pais. o Síndrome de Münchhausen (que leva os pais a adoecerem propositadamente os filhos, com recurso a venenos ou outros meios para que eles precisem deles) e o amor em excesso que leva os pais matem os filhos para que eles não sofram

Volto a dizer, não aceito nenhuma das duas justificações, não as percebo e nem as desculpo. Mas são doenças mentais e precisam de ser tratadas atempadamente (se bem que algumas são complicadas de perceber)
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De Gaffe a 20.06.2016 às 13:57

O Síndrome de Münchhausen atinge muito mais gente do que aquela que pensamos.
Pode manifestar-se na recusa de administrar uma vacina ou tratar uma ferida no joelho do filho ou mesmo evitar que a criança tome um antibiótico e pode, em casos extremos, afunilar no infanticídio.

A doença mental é muitas vezes rasteira e silenciosa, outras vezes declara-se com um alarido horripilante. Há dezenas, talvez centenas, de factores que há que ter em conta nesta avaliação.
Tenho imenso pudor em falar destes casos.
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De Magda L Pais a 20.06.2016 às 14:20

claro. Claro que sim! Por isso mesmo, pelos imensos factores que se devem analisar nestes casos, sinto-me sempre com dificuldade em acusar ou desculpar estes casos
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De M.J. a 20.06.2016 às 14:28

entendo.
costumo ter empatia pelas dores alheias.

por este tipo de dor só sinto nojo.
sou uma parva.
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De Gaffe a 20.06.2016 às 15:34

Não és parva coisa nenhuma.

Eu é que sou profissionalmente obcecada.
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De Joana B. a 20.06.2016 às 16:37

não entendo esta parte, não consigo...

"fazem-nos porque amam demasiado os filhos"

amam demasiado os filhos e fazem uma coisa destas, não consigo perceber.

Sendo que neste caso em específico a família também tem culpa pois se ela no dia 10 já se tinha tentado atirar da ponte com os dois filhos e se na quinta-feira disse à sogra que andava maluca e que ainda ia fazer uma asneira a família não podia deixá-la sozinha com as crianças.
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De Magda L Pais a 21.06.2016 às 08:53

Joana, como eu disse é um amor doentio, um amor de uma forma estranha, retorcida e anormal. Acham que assim lhes evitam sofrimento, que é o melhor para eles. para estes doentes é um acto de amor ou de altruísmo. De uma forma doentia como já disse
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De Joana B. a 21.06.2016 às 16:19

não o consigo compreender como amor, essas pessoas podem considerar que o que sentem é amor mas para mim isso não é amor...

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De marta-omeucanto a 20.06.2016 às 15:26

Em toda esta situação, uma coisa é certa: a mãe, doente ou não, continua viva (ainda que com uma vida triste). O filho, está morto...
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De Anónimo a 21.06.2016 às 09:13

Desta vez vou ser socialmente incorreta, mas que se lixe vou dizer o que me vai na alma ! Puta que pariu a gaja, que fosse bater com a cabeça numa parede, que culpa tem uma criança de 6 anitos que se viu atirada de uma ponte pela cabra da sua mãe !Nem consigo imaginar ! Cabra do caraças , só me apetecia ir aquele hospital e chicoteá-la com o fio da eletricidade, e atira-la ao rio e deixa-la ficar por lá .... Isto irrita-me !
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De Gaffe a 21.06.2016 às 09:41

Porquê com o fio da electricidade?
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De Anónimo a 21.06.2016 às 09:38


Há imensas coisas que entendemos ou pensamos entender e muitas mais que nos ultrapassam.

Eu tenho um entendimento sobre como a dor e a perturbação mental que a maioria das pessoas que me rodeia não tem. Não sou melhor nem pior. Apenas "vejo" de forma diferente.

Sou mãe, amo o meu filho. Não consigo dizer desta água não beberei, porque sei que por vezes a vida nos coloca perante situações tão, mas tão difíceis e a nossa mente pode ser a nossa pior inimiga. É algo que vem de dentro para fora, que quem está de lado não entende e a maioria das vezes nem se apercebe nem tem como se aperceber.

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