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acerca do sexo

por M.J., em 16.10.15

nascida e criada na serra, onde há coisas que não se dizem, palavras que não se pronunciam, pecados sérios, missas aos domingos, e aos sábados, confissões, romarias, procissões, o credo ensinado desde pequena, a comunhão e o baptismo fui ensinada que há coisas que não se falam.

falam. mas no recato do lar. na intimidade.

é evidente que uma pessoa cresce, sai, aprende e fala. fala de sexo, porque não? é normal. poderá ser banal às vezes. faz parte. mesmo assim nunca me habituei a tratá-lo só por tu. uso mesuras quando falo dele. houve dias, embriagada - que toda a gente se embriaga - que falava naturalmente da coisa com as amigas. as melhores. as mais intimas. nunca fui de andar a espalhar aos quatro ventos pormenores da intimidade.

que é intimo. é algo nosso. algo profundo (não comecem a avacalhar que me passo já), numa ligação muito de cada um com quem o querem partilhar.

não são, na minha opinião de pessoa ingénua, só dois corpos (ou três, cada um é quem sabe), em algo mecânico.

merece mais que textos carregados de palavras feias. de palavras ordinárias. uma relação com alguém, seja de que teor for, merece mais do que ser exposta ao mundo, com tentativas de erotismo falhado, como algo tão banal como ir comprar um quilo de batatas. 

merece ser sublimado. mesmo quando não é. merece ser íntimo. de cada um. ser falado com seriedade. sobriedade. sem tabus mas sem atirar palavras só porque sim, só porque se é muito à frente.

há coisas em que não sou nada à frente. sou mesmo da idade da pedra.

e orgulho-me tanto disso!

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publicado às 12:33


6 comentários

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De Filipa a 16.10.2015 às 14:32

Acho que anda por ai muita confusão sobre o que é falar de sexo, lá por não se falar com amigas ou conhecidas não quer dizer que se seja antiquada. Eu falo muito de sexo sim, mas com o meu gajo, falamos de tudo a sério e a brincar, mas como só a nós e á nossa relação diz respeito fica só entre nós.
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De M.J. a 16.10.2015 às 18:03

há uma clara confusão entre falar de sexo com naturalidade e avacalhar. entre achar ter piada com o assunto e ser-se porco e ordinarão. entre pensar que é erótico e é só pornográfico.
e sobretudo há gente que pensa quem quem escreve palavrões, propositadamente, entra nesse clube automaticamente.
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De Sarabudja a 16.10.2015 às 15:04

Concordo em absoluto contigo neste ponto. (Vês, não sou tão tinhosa e ranhosa quanto queres que eu seja?!)
Não acho que seja uma Wilma Flinstone por isso.
Para além dos teus argumentos, eu não cresci na serra, nem nos arrabaldes do burgo, mas fui educada com o recato que uma menina nascida no fim dos 70's deveria ser, o sexo (o que me envolve) requer uma outra pessoa, que, com toda a certeza, não se sentirá bem se souber que relato ao infimo e intimo pormenor enquanto beberico um chá com as amigas.

Há toda uma vida que se vive e não se conta.
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De M.J. a 16.10.2015 às 18:04

sobretudo isso: há toda uma vida que se vive e não se conta.
e quando a vida é com outra pessoa há que respeitar os pontos da vida com essa outra pessoa que são apenas dos dois.
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De Paula a 16.10.2015 às 16:50

Não sendo da serra (e tenho sempre pena, porque gostava de ter dito, uma vez que fosse: vou para a terra, numa saída da zona alface), aí está um assunto que é só meu e do meu rapaz (no limite)!
Quanto mais se fala (no bla-bla, não na verdadeira informação), na minha opinião, pior o dito vai!
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De M.J. a 16.10.2015 às 18:05

sabes que tendo a concordar contigo?

(parece melhor a ideia de viver na serra do que realmente é.)

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