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acidente

por M.J., em 29.03.16

ao jeito da música do outro, do imigrante, morreram uns quantos nesta páscoa.

a todos os jantares com amigos a que fui, e foram bastantes este ano, na engorda para a matança, falou-se acerrimamente do assunto. as opiniões são para tudo e todos os gostos. que as pessoas nas saudades de casa arriscam; que quando se quer muito ver as origens não se pensa, com toda a força, no que pode acontecer; que com gente a mais ou gente a menos na carrinha, se tivesse que acontecer aconteceria (confesso que esta faz-me urticária); que o destino está traçado e não é o cinto de segurança que o altera (esta também, quase varicela); que se estivéssemos no lugar daqueles que saem de suas casas e das suas famílias também quereríamos vir a casa mesmo por três dias; que há sempre a ideia, no ser humano, que só acontece aos outros; e um sem número de outras coisas.

podia escrever aqui a música toda. haveriam muitas lágrimas, histórias e sensacionalismo a acrescentar. dá muito trabalho e não me apetece.

quero só dizer que me chateia, a sério que sim - que isto escrever mal de criancinhas é uma coisa, lidar com elas é outra - que não consigo não desprezar, com garra, pais/tios/avós/tutores/responsáveis ou outros, que colocam os seus filhos/sobrinhos/netos/outros nas garras da morte, seja por que argumento for. a decisão de um adulto cumprir - ou não - as regras de segurança cabe-lhe a ele e enfim, será ele (quando não outros) a sofrer as suas consequências. a decisão de colocar uma criança nessas mesmas garras, apenas porque se tem saudades, porque apetece ver a família, porque só acontece aos outros, porque o destino é que manda, é absolutamente mesquinha, desprezível e torpe.

há irresponsabilidades nossas. e há irresponsabilidades nossas que matam aqueles que juramos amar e proteger. 

colocar uma criança numa carrinha de seis lugares, onde vão o dobro dos ocupantes, com um miúdo de dezanove anos a conduzir numa viagem imensa é pedir que a matem. 

aí têm o que pediram. 

(atenção que hoje mimi fala ao mundo).

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oh vai ver ali:

publicado às 10:30


6 comentários

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De sarabudja a 29.03.2016 às 10:47

Sabes, concordo em absoluto contigo.

(há pais que só sentam os miúdos nas cadeiras adaptadas à estrutura deles porque a polícia multa, eu sento-os lá e aperto os cintos porque gosto muito deles e as cadeiras são o que de mais seguro lhes posso oferecer durante as viagens, por muito curtas que possam ser)
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De Teresa Almeida a 29.03.2016 às 11:01

Quando soubemos, aqui em casa, das condições em que viajavam essas pessoas, vi o meu marido quase «comer» a televisão; exactamente pela irresponsabilidade de quem, voluntariamente, pôs uma criança de sete anos em perigo.
Fico sempre com urticária, varicela, sarna e psoríase de cada vez que vejo «pais» a transportar crianças sem segurança nos carros - e ainda se vêem muitos, querem lá eles saber de leis e campanhas rodoviárias!

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De Silent Man a 29.03.2016 às 12:31

Por um lado, percebo e entendo que as pessoas queiram ver a família e que não seja fácil por motivosde custos. Por outro, especialmente porque sou pai e tenho que tomar decisões mais ou menos importantes tendo em conta que o meu filho existe, faz-me confusão esta cena do "a qualquer preço". Se ainda fosse para ir de minha terra a Lisboa (meros 25km...) eu compreendia. Agora fazer uma viagem desde wherever a mais de 2000km... Não me parece que entrasse nesse filme. Se por causa dele as minhas viajes até ao Algarve ou à terra da minha mãe na Serra da Estrela são limitadas, imagino o que seria da França (ou da Suíça, ou de onde quer que fosse). E no carro normalmente só vão três pessoas...
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De Joana B. a 29.03.2016 às 12:36

De tudo o que se possa dizer sobre o acidente, nunca irei perceber como é que os pais viajaram com a criança naquelas condições (acho que podiam ter vindo de autocarro) e como é que quem organiza as viagens deixa uma criança vir assim apenas pela ganância de ganhar mais dinheiro
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De Just_Smile a 29.03.2016 às 14:00

Não poderia concordar mais contigo e esta Páscoa este assunto foi discutido em tudo que era mesa e apenas tenho uma opinião 'há coisas em que não se pode facilitar' e esta é uma delas, quanto mais com uma criança!
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De Maria Araújo a 29.03.2016 às 18:47

Custa-me muito dizer isto, e sei que as pessoas sujeitam-se a tudo para pagar o mínimo possível, mas o rapaz que conduzia não teve culpa; estava a cumprir um dever, as pessoas deviam ter recusado viajar numa carrinha que leva nove pessoas; a empresa devia fazer um check up à carrinha e entregá-la a alguém mais experiente mas com este tipo de transporte, qualquer condutor estaria sujeito ao mesmo.
E se num transporte de passageiros há dois condutores para se substituirem durante uma viagem tão grande, quem viaja devia ter exigido isso.
Falamos nós dos refugiados que fogem dos seus países em barcos de borracha e embarcados como a sardinha na canastra, e por cá as coisas não são muito diferentes.


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