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agora que me ouves #7

por M.J., em 20.10.15

pior que ser meramente comum, como eu, é ser nada mais que comum pensando sempre ser extraordinária.

andei uma vida toda enganada. como que coberta por um pedaço normalíssimo de inteligência, a destacar-se num mundo de labregos e particularmente iguais aos outros todos. julguei, numa ingenuidade triste só concedida aos tolos, que era um pouco mais. um pouco mais sensível. um pouco mais objectiva. um pouco mais inteligente. um pouco mais liberal. um pouco mais culta. e alimentei isso, como a minha vizinha de baixo alimenta os gatos vadios da rua, na procura da sobrevivência de mim mesma.

uma merda muito triste.

a verdade, que dói como mil putos aos gritos na hora antes da sesta, é que sou banalíssima, sempre fui banalíssima e nunca tive motivos para acreditar no contrário.

nunca ninguém me mandou um postal de amor. fui sempre das últimas a ser escolhida nas aulas de educação física. o meu primeiro amor adolescente trocou-me pela melhor amiga. o namorado que jurou amar-me para sempre mandou-me um valente tacho de óleo a ferver nas trombas quando fiquei doente. sou completamente obtusa nas relações com pessoas. quer as conheça bem ou mal. agarro com força gente que gosto até as empurrar vida fora numa espécie de bungee jumping. tenho vontade, às vezes, de atirar contra paredes miúdos irritantes que guincham aos meus ouvidos em situações inusitadas. ou as suas mamãs. detesto frases feitas. detesto livros da treta e vejo reality shows e todo o tipo de tv do mais baixo nível, só para me rir, como uma labrega, a boca toda aberta, da estupidez humana. não gosto de fazer exercício. não gosto de gente que me manda fazer exercício. ou que inunda o facebook com fotos de exercício. se tivesse uns halteres mandava-lhes com eles nas trombas até se deixarem disso.

 

sempre achei, por isso, que estava condenada à incapacidade de tocar(-te) o extraordinário.

e isso fez doer. 

talvez ainda me/te faça.

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publicado às 12:02


21 comentários

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De Di Art Blogger a 20.10.2015 às 12:30

Não creio que alguém tao banal tenha a capacidade de se conhecer tão bem, tenha a capacidade de ser tão sincera consigo própria e com os outros, de se aceitar e falar sem pudor.

Não existe o certo ou o errado, o bem ou mal. A M.J. faz-nos perceber isso pelos seus textos.
Existe a extraordinária capacidade de se ser sincera. E se todos fossemos assim?

Não é fácil lidar com pessoas extraordinárias, não! “sou completamente obtusa nas relações com pessoas. quer as conheça bem ou mal. agarro com força gente que gosto até as empurrar vida fora numa espécie de bungee jumping” HAHAHAH

Desculpe o comentário, parece assim meio "frase feita", não me atire um tacho de óleo a frever as trombas (ME-DO)!
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De M.J. a 20.10.2015 às 14:21

ahahahahahahahahahaha

não uso óleo agora, só azeite :P

obrigado. sabe sempre bem ouvir estes elogios mas creio que é bondade da sua parte.
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De Gaffe a 20.10.2015 às 12:57

Estás longe de ser banal e eu nunca recebi uma carta de amor.

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De Corvo a 20.10.2015 às 14:05

Ninguém tem culpa da menina nascer numa época muito adiantada.
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De M.J. a 20.10.2015 às 14:20

não é por falta de eu tentar.
todos os dias.
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De Paula a 20.10.2015 às 14:02

A banalidade não está a passar por aqui (lá diz a canção)!
Nunca tive um amor adolescente!
Mas o coração esteve sempre aberto, caso alguém quisesse entrar!
Comuns até podemos ser todos e, de repente, acontece algo de extraordinário e apreciamos muito mais!
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De M.J. a 20.10.2015 às 15:06

nunca tiveste um amor adolescente?
eu tive tantos...
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De Paula a 20.10.2015 às 15:09

Retribuído, não! TIve que esperar, esperar, esperar e acertar no jackpot (por isso é que não vale a pena fazer o euromilhões, a minha quota de jackpots tá gasta!)
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De M.J. a 20.10.2015 às 20:24

não interessa ir ganhando pequenos prémios. interessa é acertar no grande!
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De Paula a 21.10.2015 às 08:55

Obrigada! Assim foi/é!
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De Corvo a 20.10.2015 às 14:32

Pois eu não vejo nada disso e muito pelo contrário. De comum, da banalidade comum não tem nada.
Recrimina-se de quê? Pelo que conta depreende-se que teve uma vida preenchida como, a meu ver, pai de filhas, acho que todas as raparigas deveriam ter.
Recrimina-se por não ter sido aquela menina muito acertadinha, muito bem comportadinha, bem vestida e com os lacinhos muito arranjadinhos no cabelo? Aquela menina sempre certinha? Isso não é vida que se deseje a ninguém, e muito menos a uma rapariga :)
Se não a iam chamar para exercícios físicos é porque o instrutor era um incompetente. Se o primeiro amor a trocou pela melhor amiga é porque ela era uma cabra e ele um estúpido dum puto. Se o namorado que lhe jurou amor eterno lhe jogou com um tacho de óleo a ferver, (ainda não sei se efectivamente isso aconteceu ou se se serve de uma figura de retórica,) mas se deu o fora foi ele quem perdeu e deve agradecer ao Crucificado a saída do traste da sua vida, que seguramente só lhe ia trazer infelicidade.
Se, eventualmente, alguém lhe disser ou der laivos de não gostar de si, a MJ não deve nem pode acreditar que provavelmente possa ter agido mal e daí tentar modificar certos comportamentos seus, e tem a obrigação de pensar que quem não gosta de si é porque tem mau gosto
E mexa, menina; mexa, use e abuse do mexer que não se vai magoar e muito menos magoar.
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De M.J. a 20.10.2015 às 15:09

gostava, de facto, de ter sido uma menina arranjadinha, com laços e tranças embutidas ao invés de esfolar joelhos na rua e fazer a primeira comunhão com o pescoço esmurrado, que aparece em todas as fotografias.
não me chamavam nas aulas de educação física porque corria pouco. dava caneladas em vez de ir à defesa e caía nas alturas de fazer o golo.
a minha melhor amiga à época, era mesmo uma cabra. mas não invalidou que toda a gente achasse que era ela que devia ficar com ele, pois que magra e elegante e eu gorda e caixa de óculos.
o namorado não jogou, literalmente com o óleo a ferver. jogou pior: desprezo, desprendimento e ausência na fase mais critica da minha vida.

e eu também sou tudo isso :)

(mas hei-de mexer. faz parte :)
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De Corvo a 20.10.2015 às 17:36

Ai eu disse mexer?
Enganei-me, era tocar.
Então e isso. Toque e deixe-se tocar. Se medo nem dúvidas que vai ver que nem magoa nem sai magoada.
A vida, o passado, tem sempre a utilidade de nos ter ensinado qualquer coisa. Depois morreu, passou e não se pensa nem se fala mais nele.
Com as lições que dele trazemos, aproveitemo-las para um presente em pleno.
O importante não é cair, nem isso é prejudicial se ao levantarmo-nos trouxermos alguma coisa na mão.
Joelhos esfolados sempre é melhor do que roubar o carro ao pai, enchê-lo de malta, de menor idade e sem carta e estampá-lo na avenida da Boavista. Prisa com ela, telefonema ao pai, de madrugada, para resolver o assunto e trazer a sua menina da cadeia.
O importante é viver!
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De M.J. a 20.10.2015 às 20:25

essa história do carro... é real?
ora bolas, no meu caso bem que ia ficar a arder na prisa...
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De Corvo a 21.10.2015 às 00:03

Se é real?! E se fosse só isso!
Na verdade ou eu não nasci para pai ou fui o pai mais levado da história dos progenitores. Levado no sentido em darem-me a volta em meia palavra.
Riquezas do meu coração. Minhas filhas, meus amores!
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De Sarabudja a 20.10.2015 às 16:07

Olha eu a meter nojo.
Recebi tantas, mas tantas cartas de amor.
Ter sido adolescente 10 anos antes de ti permitiu que a correspondência de alguns adolescentes amores tivesse sido feita por carta.

Tacho com azeite a ferver também levei. Caraças que doi. Felizmente não foi no meu pior momento, mas temo que tivesse despoletado o dito. Faltava-me o saber quem era e sou. Por isso desmoronei. (pascácia, como se eu tivesse nascido com o coração noutro peito, queres ver?)

Irritam-me as pessoas constantemente felizes, as que abraçam quem acabam de conhecer, as que abraçam quem conhecem desde sempre com falta de sentimento ou quando sabem que o abraço não é correspondido de igual forma por recato. Irritam-me as mãezinhas dos filhinhos mal educados que não ousam parar a "brincadeira", que deixam que outros filhinhos de outras mãezinhas sofram nas mãos de pequenos exterminadores. Irritam-me sériamente os "sempre em baixo". Esses que têm o litium em níveis bons, que não têm condição física que os obrigue a ser deprimidos mas são revoltados por carolice, com o que não veio, o que está para vir e, principalmente, com aquilo por que não fizeram um esforço por ser diferente.

Sarabudja também se irrita muito. Sarabudja nunca vai ser extraordinária aos olhos de alguns a quem gostaria de encantar. Sarabudja e Ême Djay são extraordinárias nos corações de algumas pessoas e tomam-no por garantido e natural - erro crasso de quem às vezes se esquece do Viver.
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De M.J. a 20.10.2015 às 20:25

Sarabudja e Ême Djay são extraordinárias nos corações de algumas pessoas e tomam-no por garantido e natural - erro crasso de quem às vezes se esquece do Viver.


tudo dito. :)
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De marta a 20.10.2015 às 23:52

Minha querida de banal não tens nada, sabes disso, mesmo que alguém algures te tenha dito o contrário.
Quanto sumo dos post, como já te disseram antes, não recebeste cartas porque és "pikena" e os azeites a ferver nas trombas (prefiro as batatas sempre e mais limpinho) já nos calhou a todos, embora a uns mais que a outros, de qualquer forma, a esses dois, que sejam muito felizes e tenham filhos burros a condizer.
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De M.J. a 21.10.2015 às 12:46

ahahahahahahahahah

(obrigada :) )

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