Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




agosto

por M.J., em 23.12.15

agosto: mês de férias, constipação, mudança e casamento.

agosto foi um bocado triste.

garanto.

 

em agosto:

* continuei a dissecar o mundo das mamãs e suas crias: deus providencia fraldas, médicos, comida e educação. e quando manda uma doença séria também providencia o evento no facebook de angariar centenas de euros para levar o joãozinho à alemanha fazer a operação. e amamentação: e espetar com a mama e o puto a comer dela é uma maneira de ser amada e odiada, nestas coisas das internetessss. (ler ao jeito de jorge jesus). e o drama da mutilação da orelheira: vá, contem a mim: afinal quais os direitos dos pais consagrados na bíblia da parentalidade?

 

* fui à feira medieval: o espírito medieval está bem presente com uma senhora a mudar uma fralda a um bebé, pondo toalhas barradas a merda no chão, em cima de uma mesa corrida onde uma outra família come sandes de chouriço.

 

* continuei no meu regresso aos livros, com foco, força e fé:  os livros tornaram-se, novamente, de um dia para o outro, a certeza mais certa das coisas seguras, fixas, que permanecem, que me entendem mais que eu própria. sinto-me, novamente, num regresso a casa. e: absorvi o que podia, o que tinha, pegando em cada um como um pequeno tesouro, que me mostrava um mundo para além das serras que me asfixiavam. que me mostrava a vida para além da que eu tinha. e agora que lhes regresso entendo, outra vez, porque contava à minha avó, quando passava da escola primária da aldeia para a escola básica na vila, a minha grande motivação e o meu ar de felicidade: "é que lá tem uma biblioteca. daquelas grandes. daquelas a sério".

 

* continuei de volta dos preparativos do casório. quer no drama da escolha do fotógrafo: enfim, desisto. tenho meio mundo de orçamentos no e-mail e nenhum fotógrafo entende quando digo que não, não quero sessão pós nem pré casamento e que preciso apenas que captem o mais possível a simplicidade do dia, que andem ali despercebidos e que tenham inteligência para retirar a essência da coisa. acho que vou mesmo apostar pelos selfie sticks. quer no drama de escolha das lembranças: qual escolho? acham que era plausível fazer um pack com todas e entregá-las dentro de um cestinho a cada convidado? talvez os fizesse sentir mal, perante tamanha generosidade e grandiosidade da minha parte, e fossem ao multibanco mais perto levantar mais uns euros valentes. e ainda falei dos padrinhos: senti-me mais feliz por elas do que por mim e vivi as vitórias delas ainda mais efusivamente que as minhas: dela sou amiga vai fazer doze anos e dele vai fazer dezoito. serão os meus padrinhos de casamento e amo-os como os irmãos que nunca tive.

 

* fiquei doente. pelo que fiz um testamento: e por ser esta a minha vontade e estar de acordo com a lei dos homens e de deus faço constar aqui, depois de uma longa agonia com dor de garganta, corpo, náuseas e um entupimento constante na traqueia. amén. e partilhei pormenores ranhosos: (expectoração minha gente, expectoração é um problema grave.)

 

* informei que ia mudar de cidade: nunca gostei de mudanças. de não ter o próximo passo debaixo dos pés. e ainda assim, aí vem mais uma. aí vens mais um começo. não é recomeço desta vez. não preciso de recomeçar. só continuar. e afinal posso escrever em qualquer lado. e contei cenas de uma mudança: o que interessa, acabei por murmurar já meia a dormir, não é o caralho do carro onde faço a viagem, mas a pessoa que a conduz. mesmo que, por este andar, acabe a dormir debaixo de uma ponte, cantando serenatas à lua acompanhadas de vinho carrascão. por duas vezes: ainda que, depois de tudo o que toquei nesta semana, precisasse também eu, de mergulhar as mãos em diluente e acender um fósforo, para assegurar limpeza absoluta e decesso de tudo o que é germe e bactéria. 

 

* continuei no mundo fit: qualquer dia fazem tampões de proteína para que absorvam a proteína enquanto perdem ferro. afinal quem é que precisa de um fígado? e dei a minha opinião sobre gordos e magros: a minha família podia não saber, há vinte anos atrás, o que devia ou não comer. o que era ou não saudável até porque o que comia na altura, tendo em conta o trabalho que tinham, era efectivamente o correcto. mas eu tenho obrigação de saber mais.

18717046_oMQqQ.jpeg

 * e acabei por perceber do instragam: eu por mim tenho uma tag ou que lhe chamam, que vou criar agorinha mesmo:

#omundonãoregulaidetodosparaocaralho.

 

destaco, neste mês de sol e calor, a colega aqui da coisa:

 

Untitled.png

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:03


6 comentários

Imagem de perfil

De Miss Messy a 23.12.2015 às 11:49

Por mais que tente não consigo é deixar de rir com essa imagem...
Imagem de perfil

De M.J. a 23.12.2015 às 17:38

ahahahha
Imagem de perfil

De Filipa a 23.12.2015 às 12:39

Oh.

Cá beijinho.
Imagem de perfil

De M.J. a 23.12.2015 às 17:38

dois.

só aceito se forem dois.
Imagem de perfil

De Ana Rita 🌼 a 23.12.2015 às 13:39

Que imagem do inferno!!
Imagem de perfil

De M.J. a 23.12.2015 às 17:39

tadinha... foi do natal. engordou à conta dos doces.

Comentar post



foto do autor