Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




ainda quanto ao assunto

por M.J., em 11.03.16

que mais controvérsia gera neste blog, e que eu uso porque quero, deixem-me só explicar uma coisa (que começou por ser comentário e passou a post):

 

sou exagerada no que diz respeito à maternidade (ou pelo menos tento sê-lo) pelo medo atroz que me provoca a responsabilidade de fazer, edificar e preparar para a vida um ser humano capaz, emocionalmente estável e útil. com valores e sem os desequilíbrios que a ausência de um pai/mãe maduro, racional provocam.
está estudada, avaliada aí mais que provada a importância fundamental de pais capazes na vida dos filhos. não digo perfeitos. digo capazes.
nunca entenderei a maternidade/paternidade de ânimo leve, como quem lava cuecas. com o sentido de "depois se vê", "se os outros são capazes eu também", "entre mortos e feridos algum há-de escapar", "se deus mo deu é porque eu sei o que fazer". por isso olho, observo, penso, exagero nas ideias, no que vejo e no que penso. não digo que os outros não o façam. o que digo é assisto diariamente aos malefícios, aos traumas, às incapacidades, ao fardo para toda a vida que os exageros dos pais podem provocar nos filhos.

estarei errada.

sa foda. 

pelo menos espero não carregar nos ombros a ideia de que sou responsável pela infelicidade de alguém por negligência ou falta de noção plena das coisas.

ou, mais não seja, por não ter reflectido em tudo com a noção daquilo que o pior é capaz de fazer no melhor. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:40


11 comentários

Imagem de perfil

De Filipa a 11.03.2016 às 14:48

Dizes tudo, e não percebo porque é que numa era como a nossa que tanto apregoa o respeito e igualdade há cada vez mais incompreensão com uma mulher, que seja por que razão for, não quer ter filhos. Nascer com um útero não é assinar um contrato vitalício em como se lhe vai dar uso.
Imagem de perfil

De M.J. a 16.03.2016 às 17:25

em portugal creio que se relaciona com a baixa da natalidade. acho que estamos mesmo no fundinho da tabela na europa e precisamos de sangue novo.
seja como for, sangue que eu crie é muitíssimo bem ponderado antes.
Imagem de perfil

De LadyVih a 11.03.2016 às 14:56

Desculpa mas eu só penso no parto...
Imagem de perfil

De M.J. a 16.03.2016 às 17:26

o quê? perna aberta, gritos, sangue, cortes na dita, hemorróidas e placenta a sair?
tão bonito.
tão mágico.
Imagem de perfil

De LadyVih a 17.03.2016 às 09:00

Maravilhoso... Isso e o cocó!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 11.03.2016 às 15:34

Não sei se todas as mulheres não pensaram já assim em alguma altura da sua vida. Podem não admitir, eu pensei e sempre senti o chamamento à vida de família com filhos incluídos no pacote...
E sim, hoje tudo é um exagero... ninguém se contenta com uma visão simplista da maternidade, convém ter filhos para "mostrar o que se vale", nem sempre é assim, mas há por aí muita fachada que esconde verdadeiras ruínas.
Um dia, se for essa a vossa vontade, serão excelentes pais, justamente por se preocuparem.
Imagem de perfil

De M.J. a 16.03.2016 às 17:27

obrigado.
a sério.
as pessoas tendem em não entender o que muitas das vezes quero dizer. creio que é por, exatamente, não o terem pensado antes.
Sem imagem de perfil

De Joana B. a 11.03.2016 às 16:57

Eu sempre pensei em ter filhos, quando era miúda pensava que por esta altura já teria um ou dois filhos.
Mas olhando para a minha vida agora não me sinto preparada para essa responsabilidade, para ter alguém que depende de mim. Daqui a uns anos sim, já poderei ter essa responsabilidade.
É como está num comentário acima, o útero é nosso e nós é que sabemos o que queremos fazer.
Está aqui um comentário um bocado atabalhoado mas acho que me fiz entender :)
Imagem de perfil

De M.J. a 16.03.2016 às 17:27

fizeste sim senhora!
Imagem de perfil

De Maria Alfacinha a 12.03.2016 às 14:42

Exagera os teus medos à vontade. Digo eu que optei por não ter filhos, não pelo acréscimo de responsabilidade/trabalho, não pelo medo do parto - que nunca seria natural se isso dependesse de mim, que não me passa pela cabeça que, em pleno sec XX ou XXI, haja necessidade de sofrer para ser mãe - mas pela simples razão de achar que é uma decisão que deve ser pensada e tomada em plena consciência da importância de colocar uma vida neste mundo. Com todo o devido respeito pelos que não pensam assim, não temos de ser mães apenas porque sim.
PS - No dia em que a MJ não exagerar seja o que for, vou achar que está doente...
Imagem de perfil

De M.J. a 16.03.2016 às 17:27

obrigada. a sério.
ás vezes sinto-me uma espécie de ser estranho por pôr a nu aquilo que vejo todos os dias mas que toda a gente insiste em não querer admitir apenas porque não fica bem.
não entendo.

Comentar post