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ansiedade

por M.J., em 10.11.15

o ribombar de pancadas no meu estômago é sempre sinónimo de ansiedade.

uma tempestade de ondas invisíveis que rola entre o estômago e o esófago ficando quieto mesmo à entrada da boca, num nó apertado que impede de respirar. a letargia associada às mil dores que assume um inicio de ansiedade, que provoca lágrimas incontáveis e um medo irracional de respirar e de ver passar os segundos que nos levam, irremediavelmente para o evento da vida que se quer evitar.

evitar. a palavra de ordem. evitar o problema, o assunto, o medo que provoca centenas de agulhas a espetar o corpo na certeza de alerta, de aviso, o corpo todo de supetão preparado para o instinto mais básico de sobrevivência em situações que apenas exigem meia dúzia de testa e um pouco de cabeça fria. adiar é palavra de ordem. adiar prazos, compromissos, problemas. não querer dormir porque amanhã começa um dia novo e com ele trovões e ondas, salitre enfiado nas veias a queimar de dor, de pânico. viver o agora na certeza da necessidade absoluta de sobreviver ao agora porque amanhã será irremediavelmente o fim. 

a ansiedade é física e transforma corpos em sacos de pancada. transforma dias em torturas gigantes de abismo, onde apetece espetar com facas nos olhos para não ver. transforma sentimentos em pedaços de cimento, em bloco, ao qual nos atiramos para que doa menos o medo físico de seguir, de ver o relógio andar. ansiedade torna-nos cobardes pequenos, com medo do próximo passo ou sei lá, penso às vezes, a cobardia de que somos feitos transforma pessoas em blocos pálidos de medo, sempre à espreita, fechados num quarto escuro a evitar todo e qualquer tipo de confronto que possa gerar ansiedade.

tenho medo da ansiedade que me mata e a ansiedade que me mata causa-me medo. é um ciclo vicioso de que me esqueço, agora, num mundo que construí á custa de quem me ama e me protege dos dias em que conduzir todas as manhãs para enfrentar o medo era sinónimo de pensar quão forte precisava ser para não me atirar ribanceira abaixo e não enfrentar o medo que me esperava do outro lado. e quando me lembro, por um pedaço, dos estragos da ansiedade física na mente, no corpo, no esgotar de quem somos, sinto vontade de erguer os braços ao céu e perguntar, num cliché com justificação: porquê eu?

nunca me vou livrar dela. 

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publicado às 10:17


3 comentários

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De ana a 10.11.2015 às 10:39

Pergunto-me o mesmo. Será para sempre?
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De M.J. a 10.11.2015 às 10:55

para mim é. ou tem sido. a única forma é fugir da fonte de stress.
cobardia, bem sei, mas não consigo fazê-lo de outro modo.
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De Psicogata a 10.11.2015 às 11:24

A ansiedade é das piores coisas que podemos sentir especialmente quando começamos a sintoma-la e senti-la como dor.
Existem medicamentos, mas existem também terapias alternativas com bons resultados, outras vezes basta apenas mudarmos de atitude.
Sei que não é fácil, existem coisas que não controlamos, a nossa mente é traiçoeira mas existem formas de a guiarmos.
A última moda é o Mindfulness, não sei se resulta mas a filosofia parece-me interessante e colorir mandalas é realmente relaxante.

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