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aposta

por M.J., em 31.01.18

ontem enquanto esperava que o rapaz saísse do dentista, entrei na primark.

para além da imensidão de trapos que aquilo tem encontrei também, ao fundo, perto do sítio onde se compram tralhas para a casa, uma criança e os respectivos progenitores.

a criança berrava, o pai encolhia os ombros e a mãe perguntava insistentemente, numa obsessão quase doentia, onde estava o brinquedo que ele acabara de perder. 

o miúdo, que não devia ter mais de dois ou três anos, não sabia responder e, perante o questionamento da mãe gritava. 

cinco minutos depois daquilo, a mãe ajoelhada no chão a segurar o puto, o puto agarrado à mãe num gritaria desmesurada,

mas onde é que o puseste?

e o pai,

não te compro mais nenhum, podes crer,

e o puto a berrar,

e eu pensar

que catano, com tanta porcaria nesta loja é só darem cinquenta cêntimos para uma treta qualquer e acabar com o circo,

e a mãe,

onde é que o puseste? não está aí, onde é que está?

e o pai,

é que não compro mais nenhum mesmo,

e eu a pensar, 

se calhar escondiam droga no brinquedo, tal a importância e o escabeche feito,

e o puto cada vez a berrar mais,

a mãe termina levantando-se, pegando no braço do puto e exclamando, sem pejo nem medo

(e eu seja cão se não é verdade)

rais parta o miúdo!

 

vamos fazer uma aposta:

esta seria das que dizia mal do programa da sic que educava crianças em horário nobre, como um treinador a um canídeo, ou das que acharia que programas destes são necessários?

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publicado às 10:31


4 comentários

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De F. a 31.01.2018 às 11:08

Eu apostaria numa terceira hipótese: Estes pais (e no fundo a criança seria a que mais benefícios com isso teria) seriam daqueles que necessitavam de ajuda urgente, sem que para isso tivessem de ser expostas todas as suas fragilidades e incompetências parentais.

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