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na semana passada fui ao dentista.

não bastava o trump dar ar de sua graça nos destinos do mundo e eu ainda fui escarafunchar a boca, tratando de três dentes ao mesmo tempo e mantendo os maxilares abertos durante duas horas.

depois, no fim, muito mais leve da carteira e sentindo que precisava de comprar qualquer coisa para o jantar, fui num instantinho ao continente (vá, ninguém me paga para dizer que fui ao continente comprar um quilo de douradas mas vocês merecem este nível de detalhe).

 

sendo certo que pesar o peixe, esperar pelo amanhar do peixe, pegar na saca do peixe e ir para a caixa se revelou uma tarefa chata - visto que a minha bochecha esquerda tinha o mesmo nível de sensibilidade de um idoso incontinente quando molha a fralda - o pior estava para vir.

 

quando cheguei às caixas optei pelas automáticas

àquela hora o centro comercial estava repleto de pessoas de uma certa idade que se movimentavam em passeio pelos corredores (há-de chegar o dia em que o ponto alto da minha vida é ver quais as novidades do arroz, mas para já ainda não) e esse tipo de público é, por norma, avesso ao automatismo pelo que não havia fila.

 

e o que é que acontece?

a caixa encrava?

não há talão?

a funcionária de apoio não dava apoio?

aquela coisa gritava constantemente "por favor aguarde por um assistente"?

 

não!

o que acontece é que quando carregava no ecrã daquilo com garra, vejo aproximar-se um senhor - já do lado de fora do continente - de cinquenta anos no mínimo, calvice aguda, barba de cinco dias e um fétido hálito que me toca no braço e diz, em-jeito-de-repreensão-bamos-lutar-pelos-males-do-mundo-salvem-as-baleias-parem-o-bloqueio-a-cuba-acabem-com-a-fome-em-áfrica-deixem-de-comer-vacas-alimentem-se-de-relva o seguinte:

- sabias que quando usas estas máquinas estás a tirar lugar a um funcionário?

assim, do nada, tu cá tu lá, testa franzida, hálito nas minhas trombas, mãozinha no meu braço, pega-lá-ume-sermão-reza-duas-avé-marias-e-não-voltes-a-pecar.

 

e o que M.J. responde, do alto da sua boca torta, bochecha descaída e forte pontada num dos dentes recém-tratados?

(oh adivinhem)

 

a) sabia que quando vem ao fórum está a levar ao desemprego os comerciantes da baixa?

b) sabia que quando não corta a barba está a levar os senhores que vendem lâminas à penúria?

c) sabia que quando não vai ao dentista tira o emprego aos doutores?

 

assim, toma lá que já almoçaste.

foi mesmo uma delas (mas podiam ter sido as três).

resta saber se acertam. 

 

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publicado às 09:30


44 comentários

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De Maria a 25.01.2017 às 10:07

Resposta A...

por acaso gosto dessa teoria. Sim, há menos um operador de caixa mas há mais:
alguem que fabricou a máquina, alguem que a programou, alguem que faz a manutenção, alguem que fabrica os rolos, etc. etc. etc....
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De Anónimo a 26.01.2017 às 12:52

Só que esse alguém fabricou-a na China, foi programada nos EUA, manutenção um eventual português,rolos comprados em loja online da Tailandia e assim por diante.Os teus filhos, são convidados a emigrar e quando os anos te pesarem comes papas de Nestun com a excelente reforma descontada por este excelente avanço tecnológico, com os excelentes descontos feitos para a Segurança Social por esta maquina.
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De M.J. a 26.01.2017 às 13:00

portanto, a avanço tecnológico é sempre o papão.
cá por mim devíamos andar todos de cavalo e não de carro.
beber chás em vez de medicamentos.
comer animais que caçávamos com as nossas mãos.
viver em grutas e nunca mas nunca em casas.

o avanço tecnológico não é o culpado do que diz.
a culpa está sempre na maneira como os homens se organizam ou deixam ser organizados na vivência em sociedade. na maneira como deixam que a riqueza seja distribuída.
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De Maria a 26.01.2017 às 13:37

Sim, tens razão.
Quero tanto ver o copo meio cheio que "me esqueço" destas questões.
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De M.J. a 26.01.2017 às 13:38

tem nada razão.
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De Maria a 26.01.2017 às 13:40

Não gosto de alimentar este tipo de discussão, e não quero conflitos em blog alheio...
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De Olívia a 25.01.2017 às 11:16

:) Voto na c)
- Eu, estando no comércio local, diria a a) -
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:13

foi a a), pronto.
mas merecia era um estaladão por me ter tocado.
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De Maria das Palavras a 25.01.2017 às 11:56

AHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHA

Foi a a) no espírito da tua maior diplomacia dos últimos tempos. Mas que episódio delicioso.
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:14

foi sim.
mas tive que me conter e não desatar a rosnar.
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De Happy a 25.01.2017 às 12:15

Delicioso, mas também aposto na a), se bem que a c) deveria estar muito mais presente na tua mente!
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:14

(estavam as três. mas foi a a) )
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De Sónia Pereira a 25.01.2017 às 18:04

Eu acho que foi a opção A, mas tinha sido hilariante disparares as três respostas de rajada. O homem nunca mais voltava a ser o mesmo.
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:14

ahahahahahahahahahah

como é que não me lembrei disso?
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De José da Xã a 25.01.2017 às 18:32

Voto ma D. Aquela que pensaste mas não disseste.
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:15

o que pensei e não fiz foi o estaladão por me estar a tocar.
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De Mula a 25.01.2017 às 18:36

Voto A e uma lambada nas trombas! Que gente!
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:15

foi a a) sem a lambada ainda que me apetecesse mais do que as douradas do jantar.
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De A secretária a 25.01.2017 às 19:05

muito bom...
Fartei-me de rir a conta do que escreveste.
Aposto na c.
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:15

foi a a)
mas eram as três merecidas.
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De Maria Araújo a 25.01.2017 às 20:10

Excelente, MJ.
Eu voto na a).
Dói ver o comércio tradicional ser ultrapassado pelas grandes superfícies.

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De M.J. a 29.01.2017 às 00:19

as coisas são assim mesmo. o comércio tradicional aposta em ser tradicional e isso traz o que traz.
eu, por exemplo, gosto da baixa de coimbra mas nunca para fazer compras:
* é mais cara, na maior parte dos casos;
* tem gente muito esquisita sentada nos cantos;
* nunca há estacionamento em lado nenhum e mesmo os que se pagam têm dois arraumadores a fazer bicha.
* em dias de chuva é uma chatice;
* a acessibilidade para os centros comerciais é muito maior, têm sempre estacionamento sem pagar e sem arrumador. as pessoas são normais q.b - pelo menos não me pedem dinheiro para a dose dária - encontro todas as lojas que preciso e consigo fazer tudo muito mais rápido num único espaço.

o comércio tradicional é bonito para uma vez ou outra, no passeio. mais do que isso... lamento ficou para trás.
é aquela coisa: é muito giro ter um 4l mas para andar todos os dias só se sendo louco.
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De Alice Alfazema a 25.01.2017 às 21:01

Eu voto na b.
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De M.J. a 29.01.2017 às 00:21

:D

foi a a)

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