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que a minha cor favorita é o azul e que o uso, constantemente, numa coincidência inconsciente, em roupa e objectos, acessórios e dias.

que não gosto de perfume e que apenas consigo manter no olfacto odores. que retiro deles lugares e pessoas e que absorvo, também eu, o cheiro a limão como salvação das coisas certas nos dias passados.

que não bebo vinho, numa renúncia a épocas distantes em que a vida me sufocava por entre as árvores e pedras e que vejo no álcool não só o que é mas dias longínquos de amargura e desespero.

que retomei a leitura e em hábitos antigos rabisco frases, dobro páginas e lembro-me, em cada livro que pego, do amor da minha avó por folhas e letras e palavras numa espécie de salvação da vida.

que como para confortar a alma e me sinto culpada quando percebo desse velho vício.

que nunca fui a paris e sempre achei, ingenuamente, que seria mais feliz lá do que em qualquer outro sítio.

que desisti mesmo do que me matava em medo e descobri que sou muito mais feliz agora.

que sei ter alguém que matava por mim. e que me ama mais que a ele próprio. e que não sei que fiz para merecer tamanha afeição.

que a minha avó paterna tinha um cordão, de ouro, muito fraco, mas que olhava para ele como um tesouro e a coisa mais valiosa que possuía. que apenas se mantêm as alianças, de ouro, tradicionais, grossas, no dedo anelar, no orgulho da família.

que a casa da minha avó é a recordação mais longínqua que tenho e o primeiro odor que me lembro é o da palha seca, em dias sufocantes de verão.

que nunca te disse as vezes suficientes o tamanho da admiração por ti, no mesmo nível da amizade que queria que me sentisses. e que nunca julguei que me pudesses aceitar como sou, porque nem eu o faço.

que sei agora, tal como creio sabia antes, que as minhas inseguranças doem mas isso não invalida o amor que sinto. 

e que lamento. muito.

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publicado às 16:00


2 comentários

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De (des)Esperança a 03.10.2015 às 21:41

Se soubesses como adoro este teu texto..
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De M.J. a 05.10.2015 às 11:31

isso é porque és um doce.

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