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tens uma mão cheia de sonhos mas, por ser mulher, estás cinquenta passos atrás.

 

 

és tu que tens de engravidar e passar por nove meses de tortura (agora até estão na moda os posts acerca do que não te contaram sobre a coisa e que, ao contrário da última tendência que dizia que estar grávida eram só unicórnios, relatam horrores e torturas feias).

os homens, mesmo os presentes, não terão de ter mamas em sangue, nem levantar-se dez vezes por noite para servir de vaca leiteira.

és tu que ficas impulsionada, pelas hormonas, a te deixares ficar para trás em função da vida que deste.

és tu que te sentes altamente responsável pela organização, por manteres a casa, o lar e o diabo a quatro à deriva, porque és mulher e porque às vezes é inato e porque, porra, digam o que disserem, a maior parte de nós ainda é influenciada pela ideia da sociedade.

 

e um dia, olha que bem, acordas e o teu filho cresceu e tu tens mais rugas e o teu marido, sempre a tempo de recomeçar o que tu perdeste com a idade - a procriação -  deixou-te por outra de mamas mais firmes, menos cansada, menos velha, menos triste.

e se quiseres recomeçar estás mais amargurada, mais velha, mais desfeita, mais seca.

mais descrente.

e tudo o que resta é um ninho vazio, umas mamas descaídas e visitas ocasionais no natal e na páscoa para umas selfies de família feliz. 


olha que bela merda, não é?


morro de medo de ter filhos por este cenário.

(ponho as duas mãos no fogo de que comigo será diferente, mas não puseram todas?)


não tenho mesmo apetência para mártir.

(alguém tem?

a martirizar-me - como sempre foi - é pelas dores que são minhas e não controlo. 

que grandessíssima egoísta!

(é mesmo?)

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publicado às 10:30


21 comentários

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De Sofia Marques a 28.07.2017 às 11:24

Antes pintavam a maternidade de cor de rosa... agora de negro... Vivemos também numa sociedade que passa de um 8 a 80 numa fracção de segundos.
E como em tudo na vida existe um meio termo :-) Se a maternidade tem coisas muito boas? Tem, sim senhora! Se a maternidade tem coisas muito más? Tem, sim senhora. Mas existe o equilíbrio, existe sempre o meio termo e por isso a torna tão especial <3
Falo eu, que nunca quis ter filhos, que depois quis ter dois, que afinal só tive um e bem... também pôs as duas mãos no fogo e afinal separei-me.
A vida é uma montanha russa, dá voltas e voltas.
Acredita numa coisa, os bebés são os seres mais simples e nós é que complicamos as coisas!! Descomplicar é a palavra de ordem na maternidade :-) aliás como eu tudo na vida :-)
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De M.J. a 31.07.2017 às 12:56

a questão é que os filhos não são bebés a vida toda.
essa é, aliás, uma das fases mais curtas ;)
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De Sofia Marques a 07.08.2017 às 10:13

Bem... São duas grandes verdades!
É uma fase bastante exigente mas curta, muito curta :-)
Confesso que me assusto um pouco com o facto de não ser bebé a vida toda lol É tudo bem mais fácil nesta fase... Dizem que é quando crescem que dão mais trabalho mas quero acreditar que a educação que se dá quando são bebés influência o modo como vão ser quando crescerem... A ver vamos o que vai acontecer mas até lá é um caminho bem engraçado :-P
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De Alice Alfazema a 28.07.2017 às 11:26

Não é bem assim, provavelmente vamos todas ficar com as mamas descaídas tendo ou não tendo filhos, é uma questão de gravidade, mamas, braços, pescoço e por ai fora, ou então ginásio com elas.

Ser mãe é uma coisa intuitiva, e ainda tens cerca de nove meses para te habituares à ideia, por isso é que dizem "não me contaram", blá, blá...não me contaram porque o que é mau para uns é bom para outros, ou menos mau.

Se pensas nisso não deixes passar muito tempo até concretizar a ideia, porque o melhor de ter filhos é passarmos o testemunho e fazê-lo com a massa cefálica ainda relativamente jovem é deveras melhor.

De um modo ou de outro todos ficamos amargos, por um motivo qualquer que não nos satisfaça, temos objectivos diferentes e isso nos leva a diferentes direcções, não podes andar por todo o lado ao mesmo tempo, a vida é feita de escolhas, muitas vezes as pessoas estão amargas com o que têm porque pensam que aquilo que o outro tem é melhor.

Por vezes também me sinto assim, amarga, e penso poderia ser diferente, podia, mas aí tinha perdido tanta coisa boa que ganhei com os meus filhos, poderia viver sem eles, todos podemos, mas seria um vazio enorme.
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De Ana a 28.07.2017 às 15:18

Tão verdade, este teu comentário. Concordo com tudo.
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De M.J. a 31.07.2017 às 12:58

concordo com tudo mesmo não concordando.
nunca podemos saber o que sentirimos na vida sem o termos passado.
podes imaginar que sentirias um vazio enorme sem eles, se os perdesses agora (bati três vezes na madeira). mas não podes saber se sentirias esse vazio se nunca os tivesses tido ;)
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De Distraída e Pensadora a 28.07.2017 às 11:28

Eu nem chego a pensar nisso tudo.. já só penso é no facto de se o homem bazar ficamos nós com os encargos e o trabalho.. e que aquilo que geramos.. é PARA TODA A VIDA. Eu que sofro de ansiedade criar um filho ia dar-me um ataque de pânico de 5 em 5 minutos. Não obrigada.
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De M.J. a 31.07.2017 às 12:58

ansiedade é uma bosta.
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De Psicogata a 28.07.2017 às 11:39

Há quem ache que ter um filho é expoente máximo do amor entre duas pessoas, que é o culminar desse amor.
Eu acho que um grande amor não precisa de terceiros para ser enorme, intenso e infinito.
Morro de medo que me aconteça o que acontece à maioria das mulheres, de perceber que afinal eu achava que amava, mas que amar a sério só se amam mesmo os filhos e por isso tudo fica para segundo plano, inclusive a relação.
Tenho receio que prejudique a minha relação com o meu marido e já falamos várias vezes sobre o assunto. E se passamos a ser pais em vez de marido e esposa?
O que acontecerá quando os filhos abandonarem o ninho?
Acho que isto não é ser egoísta, é ser consciente.
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De Alexandra Martins a 28.07.2017 às 12:37

Psicogata, apenas posso falar da minha experiência. Tenho uma relação de dez anos que já teve muitos altos e muitos baixos e só aguentou até agora graças a muito amor. Temos hoje um filhote de dois anos e é sem dúvida a maior prova que um casal pode ter, já que toda a nossa vida muda, passamos a rodar em volta de um outro eixo também, temos de nos voltar a equilibrar.
Ainda assim, o meu marido continua a ser o amor mais estonteante que tenho na minha vida e ainda fico maravilhada com isto que sinto por ele. Chamo-lhe um dos meus amores maiores, mas é o que mais me encanta porque a minha irmã é minha desde sempre, o meu filho saiu de mim, agora o meu marido não me é nada e eu amo-o com esta intensidade toda. Sei que pareço tonta e piegas ao dizer isto, mas digo-o com toda a consciência. A nossa relação pode vir a não resultar no futuro, mas nunca duvidarei que ele é o grande amor da minha vida.
E quando o vejo com o filho então o meu coração inunda-se e transborda.
Apenas vocês podem decidir se filhos fazem parte dos vossos planos. Se querem acrescentar um novo amor ao vosso. Mas, pela minha parte, o nosso amor sobrevive e cresce e expande-se ainda mais com a chegada de um piolho :)
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De Alexandra Martins a 28.07.2017 às 12:28

Wow, até fiquei meio abananada com este comentário. Não porque os medos desta pessoa não sejam válidos, mas porque é o que se chama "sofrer por antecipação". A primeira coisa que a mulher deve pensar quando pensa em filhos é: quero tê-los ou não? Por mim, por que quero, porque me vou sentir mais realizada sendo mãe. Se a resposta for sim, então podem surgir outras questões, mas nunca nada será garantido. É como aceitar um novo emprego: até nos podem dizer maravilhas, mas não há trabalho sem tarefas chatas lá pelo meio. Podemos dar-nos bem ou não, mas só saberemos depois de já lá estarmos no meio.
Sim, é claro que do emprego podemos desistir e dos filhos não, mas também não quer dizer que tenhamos de nos sacrificar todas por eles como se de repente o nosso bem estar e a nossa felicidade deixassem de importar. Calma! Nós continuamos a ser importantes. E se não queremos acordar de noite para dar de mamar, então que vá lá o pai com o biberão e fica a coisa resolvida. Se não queremos ficar em casa e estagnar, então põe-se a criança na creche e volta-se ao trabalho. Se não queremos ser as responsáveis pela organização, então dividamos tudo com a pessoa que está connosco, que a casa e a criança afinal são dos dois. Que se foda a sociedade! Podemos ser mulheres, profissionais e mães. O que não podemos ser é mártires da maternidade que fazem tudo pelos filhos mas vivem vidas miseráveis e infelizes e um dia dão conta de que o filho cresceu, o casamento perdeu-se e tudo o que ficou foram coisas que continuam a ser apenas coisas e temos de as arrumar na mesma.
Os nossos filhos vão gostar igualmente de nós e admirar-nos muito mais se nos virem felizes e a tomar decisões que nos fazem felizes e mantêm o equilíbrio familiar.
Sei que nada é assim tão linear, há muitas fases e muitos altos e baixos, mas acredito mesmo que os cenários dantescos se podem evitar se, quando percebemos que estamos a seguir por um caminho que não queremos, pusermos as mãos à parede e arrepiarmos caminho. Afinal como digo sempre: mamã feliz, bebé feliz. E isso é tudo o que se quer :)
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De M.J. a 28.07.2017 às 12:55

hoje não é um bom dia porque não tenho o tempo que queria para dedicar ao blog. mas mesmo assim, não posso evitar responder ao teu comentário devido a esta afirmação:

" A primeira coisa que a mulher deve pensar quando pensa em filhos é: quero tê-los ou não."
desde logo avanças com o que é ou não é, que deve ser feito ou não. e as coisas não são nem podem ser assim. cada um pensa aquilo que pode, que quer, que consegue. não há uma biblia ou um manual que indique como regra o que se deve ou não pensar. sobretudo, porque por exemplo, eu não concordo que essa seja a primeira pergunta que EU - não sei os outros - deva fazer.
antes disso, eu e muita gente poderá ter que perguntar-se se pode: se tem as condições fisicas, emocionais, monetárias e afins para o efeito. querer não é a mesma coisa que poder, ainda que neste caso pareça que sim porque qualquer mulher saudável pode.
como se diz na minha terra "qualquer um pode parir. rico ou pobre. e fazê-los até é bom".

este post é um post de medos pessoais tendo em conta o que observo. se observo só o mais negro? não. mas se é sobre o mais negro que questiono? sim. porque o resto não é preciso. entra olhos dentro.
não é sofrer por antecipação. é um texto de constatação do que vou vendo. exagerado, tal como tantos outros que por aqui andam, mas só isso.
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De Alexandra Martins a 31.07.2017 às 11:56

M.J., longe de mim menosprezar os receios e medos pessoais dos outros. Cada um sabe da sua vida e todas as nossas ações têm consequências. Mas hoje em dia vê-se muitas mártires da maternidade e isso incomoda-me, confesso.
Podemos debater mais sobre isso, mas queria responder-te a outra coisa: na parque que aos filhos diz respeito, discordo de ti. Há acidentes, há gravidezes que se descobrem tarde de mais para interromper, há mil e um cenários pretos e cinzentos antes de se engravidar e depois também. Contudo, à parte a altura em que a vida nos tira a opção de escolha e nos dá um presente (envenenado ou não), continuo a afirmar que a primeira decisão tem de ser se queres ou não ter filhos. Porque se a mulher (e o homem, mas neste caso vamos focar-nos na mulher) não sentir qualquer desejo de ser mãe, de procriar e de criar uma prole, então todas as outras dúvidas ficam de lado. Agora, claro que pode haver indecisão, a pessoa pode não saber se quer ou não ter filhos. E mesmo que queira, pode pesar uma série de outras coisas, dúvidas perfeitamente válidas quando se pensa numa vida que dependerá de nós. A pessoa pode pensar: eu não quero ter filhos... agora, enquanto estiver nesta situação, não quero ter filhos com esta pessoa, neste emprego, enquanto estiver com esta doença, etc. etc. Mas também há as pessoas que pensam: eu não quero ter filhos. Ponto final. Sem justificações. E era dessas que eu falava.
Depois há todas as outras, que querem, ou acham que podem vir a querer com as condições certas, a pessoa certa, a idade certa. E tantas dessas que querem e não conseguem e não podem? Infelizmente, querer não é mesmo o mesmo que poder, sei-o bem. Mas antes de saber se consigo escalar uma montanha, tenho de ter a mínima vontade para a escalar (a menos que a vida me largue lá no meio e eu não tenha outra opção, que remédio).
Era esta a diferença que eu queria marcar no meu comentário.
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De M.J. a 31.07.2017 às 13:06

entendo.
desculpa se fui bruta no comentário. aquela sexta feira não estava a ser um grande dia e às vezes as palavras escritas têm uma dimensão que não teriam se faladas e acompanhadas de expressão facial.

quanto ao resto... bem, discordo concordando. continuo a achar que não vale de nada querer se não se pode. ouço muitas vezes coisas como " se vais esperar o momento ideal ele não chega" e "podemos quando quisermos" e por aí adiante.
não concordo.
creio que uma decisão tão importante como essa não pode ser baseada no querer mas sim, completamente, no poder. posso mentalmente? posso fisicamente? posso financeiramente? tenho as condições minimas que mo permitem? de que vale querer se não posso?
talvez seja um exagero, bem sei, mas não consigo pensar de outra forma.

o exemplo que vou dar agora deve ser um em milhares e é a minha tendência de só ver o negro, mas serve também (ainda que, cada vez menos ache que os exemplos são sinónimos seja do que for ou sirvam para grande coisa no que diz respeito às vidas de cada um):
num grupo de facebook uma miuda - era uma miuda - dizia que ia ser mãe e estava muito feliz por isso. tinha sido uma coisa decidida porque sempre quisera ter um filho. o problema? vivia numa casa sem as minimas condições: não tinha um fogão ou frigorifico e segundo ela, ninguém tinha nada a ver com isso a não ser a sua "assistente social".
aquela alminha quisera muito ter filhos e tinha. mas não podia.

existem tantos seres humanos no mundo completamente disfuncionais por infâncias de merda, pais incapazes de ser pais, gente que pensa que parir é fácil porque se pode que creio que o mais importante não é querer: é poder.
(mas também existem outros tantos idiotas parvos como eu que só insistem em ver o lado negro pelo que, pronto, não sei :D ).

olha, enfim, seja o que for ;)
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De Alexandra Martins a 31.07.2017 às 15:40

Não foste bruta, nada disso.
E em relação ao resto, na verdade estamos a falar de alhos e bugalhos, pois os dois pólos existem e são verdadeiros. Eu olhei pelo lado dos que não querendo se sentem pressionados a isso, tu olhaste pelo dos que querendo, nem pensam nas condições que têm. E isso é outro flagelo, na verdade. Sou muito da opinião de que um filho não precisa de ter tudo de marca e prefiro comprar-lhes ténis na feira e ter dois filhos (que ainda não tenho). Apesar desta minha opinião, e de querer desde sempre ser mãe jovem e ter mais do que um filho, só fui mãe pela primeira vez aos 28 e não faz ainda parte dos planos vir um segundo. Porque posso não lhes dar coisas de marca (que dou quando posso, claro), mas tenho de dar as condições básicas: uma casa decente, transporte adequado, todos os cuidados de saúde, alimentação equilibrada, condições para o ter na creche... E neste momento, não dá para ter dois. Há-de dar. Mas quando se pensa em ter um filho, temos de pensar que, apesar de o nosso desejo ser sempre egoísta - tenho um filho porque quero -, o ato em si tem de ser o menos egoísta possível - tenho um filho para lhe poder dar vida e tudo o que isso implica. É um equilíbrio difícil - e que não implica a anulação da mulher, nem ficar a presa a decisões que a deixam infeliz (isso é outra coisa).
A mim parece-me que uma mulher que pensa: "posso mentalmente? posso fisicamente? posso financeiramente? tenho as condições minimas que mo permitem?" já está a ser uma boa mãe. Porque está a pôr o bem estar do seu filho que não existe à frente do seu desejo egoísta. E ser mãe não é mais do que isso. Mesmo quando a resposta é não, não posso (neste momento, agora, nunca). É diferente de não desejar ter filhos nunca. Mas é igualmente válido.
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De A rapariga do autocarro a 28.07.2017 às 13:25

Eu só comecei a querer ter filhos depois dos 35, não me posso queixar muito, correu tudo muito bem, adorei estar grávida! mas nem sempre é assim, cada gravidez é diferente. Mas na hora de parir, fui xoninhas e escolhi cesariana!!!AH e as mamas ficaram mais bonitas depois de amamentar! Acho que se tivesse começado mais cedo, hoje em vez de um, teria mais filhos!!!
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De Silent Man a 28.07.2017 às 15:22

Bem... Acho que sou o primeiro PAI a falar, por isso venho dar o meu feedback...

Então é assim, quando eu e a minha mulher decidimos engravidar, estávamos juntos há sensivelmente 6 meses. Ainda nem sequer tínhamos pensado em casar. E engravidámos em aproximadamente 15 dias. O nosso plano não era esse, de todo. Contámos com pelo menos três meses em que o corpo se iria habituar após muitos anos de pílula, umas férias no paraíso e algum álcool antes da gravidez. Não aconteceu.

Felizmente, tivemos uma gravidez santa. Não houve enjoos, só ciática nos meses de maior calor e azia no último trimestre.
Fiz o curso de preparação para o parto (e aconselho-o a todos os pais e mães) e fiquei com o grosso da licença de maternidade porque a minha mulher é profissional liberal e se não trabalha... não recebe! 15 dias depois de sermos pais, lá foi ela trabalhar.

Em relação àquilo que nos aconteceu após sermos pais? Tivemos muito mais altos que baixos. Sempre tivemos discussões como todo e qualquer casal, mas passámos a ter menos após sermos pais. Passaram também a ser menos graves. E acima de tudo, eu cresci. Muito.

Normalmente, quando o homem da relação está preparado para ser pai e isso se torna uma realidade, as coisas melhoram. O Homem cresce. E a relação melhora. Se não está preparado, ou se durante a gravidez, ele não se mentaliza de que algo vai mudar e não se prepara, pode correr mal. Não vou defender os homens, coitadinhos, porque as mulheres mudam tanto e até faz sentido que eles pulem a cerca. Acho isso um acto execrável e cobarde e seria incapaz de faltar ao respeito à mãe do meu filho a esse ponto.

Posto isto, as mulheres também não são umas coitadinhas... Têm boca para falar, queixem-se, imponham-se, definam regras. Claro que há sempre aquela coisa do "As pessoas mentem". Pois é. Mas bolas, é suposto vocês conhecerem o homem com quem estão. Aqueles que contam a história da Carochinha e conseguem enganar as mulheres após tantos anos de namoro, contam-se pelos dedos, hoje em dia. É mais fácil reconhecer um pintarolas. E já a sabedoria popular diz que mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo.

Compreendo os medos mas, assumindo que somos todos crescidinhos aqui, não tomamos as nossas decisões impulsivamente e, mais importante que isso, conhecemos a pessoa com quem estamos e ela está no mesmo diapasão que nós, acho que não há grandes problemas.
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De M.J. a 31.07.2017 às 13:07

agora admiro-te ainda um bocadinho mais.
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De Silent Man a 31.07.2017 às 13:44

Obrigado Éme Jota, é bom saber isso. Seriously. No irony.

Há um factor que eu não mencionei no meu comentário. Quando a gravidez não é planeada.

Ah e tal estamos juntos e olha, engravidei. Nesse caso, é preciso um crash course daquilo que eu escrevi lá em cima. São apenas nove meses. Pode parecer muito, mas passa num instante. Normalmente, as gravidezes são detectadas entre a 5ª e 8ª semanas, o que significa que dos 9 já só sobram 7 e, a dois/três meses da criança nascer, é preciso que já esteja instalado o programa, mesmo que ainda não a funcionar em pleno. São três ou quatro meses em que ambos têm de perceber o que lá vem, o que pretendem e como vão abordar a situação. Não é fácil.

É nestes casos que na maioria das vezes acontece o que descreves no post. E é nestes casos que tanto o Homem como a Mulher merecem uns cascudos na tola. Porque azares acontecem, é certo, mas há formas de tratar do assunto e tempo para o fazer. Não estão preparados, não compraram o bilhete para a viagem mas estão dentro do comboio? Saltem antes da última estação e não olhem para trás nem se fiquem a sentir mal. Salvaram três pessoas de muitos problemas e chatices...

E mesmo nos casos em que levaram a gravidez até ao fim, em que o cenário que descreves aconteceu e agora aos quarenta e tal a vida parece que vos fugiu das mãos e está tudo desmoronado, olhem para o que resta da vossa vida, olhem à volta e lutem. Ficar parado em auto-comiseração é que não...
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De Anita a 28.07.2017 às 17:03

Essa é a realidade!
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De Cristina a 28.07.2017 às 19:15

o que vou escrever vai à origem do teu post, MJ.
o chegar a um ponto da vida e não ser senão o que outros querem que sejamos, ser a anulação de si mesmo.
o que aconteceu pelo caminho é um mundo de variáveis, absolutamente nada passíveis de julgamento.
ninguém ajudou quem chegou a esse ponto. e a ajuda a que me reporto é uma ajuda séria, comprometida.
no fim da linha, basta, para mim, pensar em duas realidades que comprovam a complexidade e a seriedade disto tudo:
a) a APAV existe,
b) o facto de o assunto "violência no namoro" já fazer parte das formações pontuais nas escolas.
e estas duas coisas existem porque têm público-alvo.

aprecio a tua verdade em não evitares estes assuntos tão tão graves, em não os colocares aqui com ligeireza.

have a nice weekend ☺

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