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banalidades

por M.J., em 06.02.17

acabei de ver um pássaro a voar de um dos galhos da árvore em frente e que toca nos vidros que servem de parede a esta sala.

não é nada de extraordinário mas roubou-me cinco minutos, de cabeça esticada a vê-lo saltitar enquanto permaneço sentada, sentindo os primeiros raios de sol da semana.

 

fiz uma trança no cabelo.

a avó fazia-me sempre uma trança que me caía pelas costas, nos parcos períodos de tempo em que o cabelo permanecia comprido. tenho tantas brancas que não posso adiar mais a conversa de circunstância do cabeleireiro, as revistas do ano passado e a difícil tarefa de mandar pintar, cortar, secar e todo o tédio que rodeia a tarefa.

é isso ou rapar a cabeça de vez, em casa, numa espécie de curto circuito cerebral à laia de britney spears.

 

não acendi a luz quando cheguei.

depois de um fim de semana cinzento e chuvoso o sol entra sala dentro e esqueci-me. fiquei sentada em frente ao pc a organizar a semana, tarefa a, b, c, resultado x, y, z. há uma taça fechada com muesli que deixei ficar na sexta feira, um termo com chá e frutos secos num pacote, que fui empurrando para o fim, visto que não gosto de avelãs. levei embora o calendário de mesa florido, por dó do pó que aqui apanha e não é limpo.

uma consumição.

 

passei parte da tarde de domingo a descascar e partir nozes para um bolo que não ficou grande espingarda. ao fim do dia, quando me sentei por dois minutos na varanda, a tiritar de frio e a beber chá, constatei que se pudesse ver aos quinze anos no que me tornei agora, rir-me-ia à gargalhada, quase até desmaiar, num desprezo seco.

sou então esta que pensa em jantares e almoços e perde tempo a escolher os amaciadores da roupa que a deixem mais cheirosa e macia. que faço sopa sem batata por causa das calorias e que organizo o congelador para não deixar alimentos tempo de mais a ressecar por ali. sou esta e não sei se gosto. 

algum dia sabemos?

 

acabei de ver um pássaro a saltitar de ramo em ramo. tenho uma trança a lembrar tempos em que não sabia fazer tranças. e vou tomar café. ali de uma máquina, limpa de ano a ano e que tem mais sujidade que um campo de futebol depois de cinco jogos. 

no meio disto tudo só penso na quantidade de saudades obtusas com que adormeci ontem  e acordei hoje.

de mim.

não sou lá grande coisa a ter saudades dos outros.

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oh vai ver ali:

publicado às 10:15


3 comentários

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De Charneca em flor a 06.02.2017 às 10:51

Este texto é tudo menos banalidades. Também não aprecio ir ao cabeleiro. Hoje tive que vir. Já não pintava o cabelo há mais de 2 meses.
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De M.J. a 06.02.2017 às 16:01

são só banalidades estas coisitas. se clicares na tag vais ver que há muitissimas mais.

e então? correu bem a pintura?

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