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banalidades

por M.J., em 05.05.17

tenho deixado isto um pouco ao abandono.

não é que me sinta desmotivada ou que tenha perdido o interesse mas nem sempre há uma vontade de trocar o tempo em função do tempo da escrita.

é como em todas as fases de vida, que nos dedicamos a algo mais ou menos e isto tem ficado pelo menos.

uma pena. 

 

a empregada nova veio hoje pela primeira vez.

gostei. é desembaraçada, faz as coisas com garra e, tirando o ligeiro receio que andasse ao murro à mobília atento o barulho, correu tudo bem, acabando até por partilharmos as duas um café na varanda. 

 

choveu grande parte da manhã e escureceu o dia.

organizei trabalho e tarefas e percebei que estou atolhada até às orelhas em afazeres.

 

li dois livros esta semana.

o olx é fantástico e comprei uns quantos que andava de olho há meses mas que achava demasiado caros. ficou tudo resolvido através do magnifico mundo online pelo que, senhores da fnac, desculpai lá, mas ainda não é desta a comparticipação do meu orçamento, a não ser claro, naquelas vezes que passo por aí horas a cirandar enquanto o rapaz me convence da necessidade - urgente - de coisas com fichas que eu acho inúteis.

 

o livro secreto tem corrido bem.

toda a gente tem cumprido prazos e, no geral, creio que a maioria lê os livros, mesmo quando os livros fogem à zona de conforto e não são bem o que se esperava.

falou-se num encontro e poderá ser uma coisa a decidir, num futuro próximo, visto que as minhas trombas não são assim um segredo tão abismal.

 

entre casamentos, londres, carro e merdinhas que não eram assim tão necessárias, este mês foi um rombo no orçamento.

fiz contas, muito por alto ontem à noite, e senti um ligeiro desconforto no estômago com a certeza de que, se fossemos uma família classe-média baixa, com dois putos e dois créditos - casa e carro - bem que podíamos esquecer metade das coisas a que nos propomos, incluindo cenas que são - para mim - de necessidade, como consultas regulares no dentista (incrível a falha abismal do sistema de saúde neste campo), lazer que incluiu viagens, e a senhora (ou senhoras, no plural, atento a rodagem anterior) que me põe a casa a cheirar a flores.

sei da minha sovinice (sou mesmo) que me foi inculcada à força de contar cêntimos durante muito tempo e da necessidade do meu trabalho para comprar algo que ultrapassava comida e necessidades básicas. mas percebo que, mesmo com esse controlo e análise, seria extremamente difícil se um de nós não ganhasse ou, se ganhássemos aquilo que o nosso governo instituiu como suficiente de vida. 

e quando penso nisso e vejo os sacrifícios que as pessoas fazem, a luta constante para chegar ao final do mês contando cêntimos, as coisas que não podem fazer e que eu assumo como essenciais para uma vida completa (seja lá isso o que for) sinto uma raiva cega por um país que se abespinha com um terço gigante mas que enche santuários aos magotes enriquecendo bolsos brancos e nada imaculados.

uma raiva gigante por gente que se mata por causa de futebol mas faz manifestações à porta da cadeia por um político alegadamente acusado de roubar milhões de todos.

uma raiva cega por pessoal que anda quase à porrada por quem canta no festival da canção, assumindo que sabe o que é, ou não uma canção festivaleira, mas que não faz a mínima ideia do que é um "spread" referente ao empréstimo que assumiu ou o que será o "beneficio de excussão prévia", naquela coisa que assinou enquanto fiador.

sinto - sobretudo - uma raiva cega por um estado que assume que pouco mais de quinhentos euros por mês chegam para uma vida digna, quando um quilo de peixe custa cinco euros e o gasóleo está quase ao preço do ouro.

dá-me uma raiva cega e sinto-me mal com o que gasto e não devia gastar, com um baque surdo como o de ontem ao fazer contas à vida. 

 

era um texto sobre banalidades, num desfolhar de coisitas que tinha para anotar.

fico por aqui.

falar de dinheiro acaba-me sempre com qualquer vontade de fazer seja o que for. 

 

vou ali partilhar outro café com a empregada. 

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oh vai ver ali:

publicado às 14:30


6 comentários

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De Happy a 05.05.2017 às 14:57

Tão, mas tão verdade. Até quando queres escrever banalidades, apontas as farpas ao essencial, mas importante.
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De M.J. a 05.05.2017 às 15:28

obrigada (o objetivo não era esse mas deixei-me levar...).
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De Outra a 05.05.2017 às 15:08

estas banalidades não têm nada de banal...em especial a parte de fazer contas à vida...
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De M.J. a 05.05.2017 às 15:27

é terrivel.
pensar em dinheiro é terrivel.
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De Olívia a 05.05.2017 às 15:23


- "falou-se num encontro e poderá ser uma coisa a decidir, num futuro próximo" é de facto uma ideia interessante... adorava receber de volta o meu livro rascunhado num encontro com toda a gente, p.ex.

- "seria extremamente difícil se um de nós não ganhasse ou, se ganhássemos aquilo que o nosso governo instituiu como suficiente de vida" nem imaginas quanto...


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De M.J. a 05.05.2017 às 15:27

um casal com filhos, mesmo os dois a trabalhar mas a ganahrem o salário mínimo... é uma vivência quase hercúlea

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