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banalidades

por M.J., em 05.06.17

tivemos uma discussão idiota sobre coisas idiotas.

sem sentido.

parva e pequenina como são todas as discussões que temos. acabou em sushi e, para comemorar no dia a seguir, waffle com gelado. 

sim senhor! não bastava a discussão ainda nos encharcamos em açúcar.

um dois em um.

 

estou gorda (não creio que o verbo "estar" seja o mais adequado e tenho para mim que devia substituí-lo pelo "ser") e, como todos os gordos, de vez em quando tomo medidas desesperadas.

desta vez foi o ginásio.

vou inscrever-me hoje visto que o desgraçado não tem período de fidelização e, se perceber que foi só um escape, não preciso de voltar.

adianto já que não gosto da ideia de dar pulinhos e transpirar horrores, ficando vermelha e puxando os óculos para o sítio certo enquanto o suor me cobre de um cheiro pouco agradável. pagar por isso então dá-me uma certa náusea mas já percebi que não faço exercício sozinha e que, ultimamente, tenho descontado as merdices da vida na comida.

mesmo a que não tem açúcar e promete não ter gordura. 

a minha alma de gorda mantém-se, não importa o que faça, e vai ser uma imagem do demo eu a rebolar o rabo a fazer algo chamado zumba, numas calças de licra coladas a sítios que por norma deviam não ter nada colado, com t-shirts laranja néon que alertam "aí vem o hipopótamo".

ai.

 

concluímos há uns tempos que, estando a entrar na porra da idade adulta, as responsabilidades que temos não chegam.

que se há-de fazer?

dois idiotas parvos que gostariam de ter ficados perdidos na idade em que a maior responsabilidade era não perder um jogo de PS3 (na altura ainda não tinha saído a outra - deus, quão nerd estou a ficar?) ou estar à porta da livraria na noite da saída do potter, acham que ter contas a pagar, trabalhos a manter, dormir às vezes cinco horas por noite e manter uma vida minimamente decente - seja isso o que for - não chega, não traz pressão suficiente, e começam a pensar para aí além.

uma merda, digo-vos já.

primeiro, porque não me interessa nada crescer mesmo que seja inevitável. depois porque jurei a mim mesma não me meter em adultices típicas que estropiam a vida das pessoas quando a coisa corre mal (mesmo que, na altura em que o jurei isso, tivesse a perspectiva de uma galinha a esgravatar enquanto vê outra galinha a ficar sem cabeça para o jantar).

uma idiotice.

 

seja como for, o tempo não para e não ficamos para novos.

há uma urgência qualquer que nos obriga a tomar decisões desconfortáveis e meter-nos em alhadas.

vale a pena pagar renda? compramos casa? andamos a desperdiçar demasiado dinheiro em putas e vinho verde? (ainda que, enfim, não conheçamos nenhuma puta e eu só beba, muito de vez em quando, um cálice de vinho do porto) que tal canalizar orçamento para uma poupança maior em vez de sair tantas vezes? vamos ser pais ou avós? 

deus, uma consumição.

a ideia de assentar arraiais para todo o sempre num sítio, com imis para pagar, obras disto e daquilo, um jardim ao fundo com relva para manter, duas assoalhadas (ia escrever três mas não tenho bem a certeza do que seja uma assoalhada) e convivência com vizinhos, pessoas a produzir pessoas (sendo que eu serei a primeira pessoa), a impossibilidade de dizer "vamos sair para aqui", "vamos jantar ali", "onde vamos de férias?", "não me apetece cozinhar", "dormimos a manhã toda", aquilo que somos hoje posto de lado, a fuga do controlo (sobretudo esta) dão-me cabo da ideia.

 

fiz trinta anos ainda não faz um mês.

recuso-me a tomar decisões que me mandem directamente para os quarenta, mesmo que haja qualquer coisa que me diga que tem de ser e que a síndrome do peter pan não combina com a cor dos meus cabelos.

além de que, quando penso nisso, conclua, foda-se, que se tivesse sido mãe aos dezasseis só faltavam 4 para a criança atingir a maioridade e eu estar livre de pensão de alimentos, preocupações com bullying ou quartos desarrumados.

 

dormi praticamente nada esta noite.

acho que se nota. 

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oh vai ver ali:

publicado às 11:00


4 comentários

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De A rapariga do autocarro a 05.06.2017 às 11:32

Crescer é fodido! Mas voltando ao ginásio, aquilo que ganhamos depois das figurinhas que fazemos é infinitamente melhor que o que havia antes! Dá-lhe com alma.
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De Me, myself and I a 05.06.2017 às 12:12

growing up sucks!
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De Anita a 05.06.2017 às 14:35

Podemos dizer que a 2ª-feira não está fácil para esses lados!
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De Isabel Pires a 05.06.2017 às 14:58

M.J.
Já há algum tempo que leio o seu blog - é sarcástico, irónico e, por vezes, nostálgico (entre outros adjectivos). Obrigada pelos momentos em que dou uma gargalhada ou por aqueles em que me deixa a reflectir sobre determinado assunto.

Neste momento, decidi dirigir-me a si porque já percebi ao longo de muitas leituras do que publica, que o peso é um problema para si. Para mim também. Embora o meu filho me chame louca, eu acho sempre que tenho peso a mais (não sei se efectivamente ou psicologicamente - a verdade é que isso é um problema para mim). Bom, há uns dias estava a falar com o meu filho sobre isso e sobre as tentativas de fazer ginástica (que eu odeio, assim como ficar toda transpirada) e dos poucos resultados que via, quando o meu filho me alertou para o que comia a seguir. Então, segundo ele, devemos comer qualquer coisa, por exemplo uma peça de fruta e um pouco de pão, de forma a que o organismo não fique demasiado carente e "absorva" tudo o que comermos na refeição seguinte. Confesso que isso fez algum sentido para mim; como tal, partilho-o consigo. Se entender, faça alguma pesquisa sobre a alimentação mais adequada ao "pós-ginástica" porque, pelos vistos devemos comer alguma coisa mas não pode ser uma coisa qualquer. :) Boa sorte!

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