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banalidades

por M.J., em 13.06.17

depois de jantar, ontem, fiquei extremamente mal humorada.

não há uma explicação lógica.

o jantar estava bom, fomos tomar café, consegui arrastar o rapaz até à sacoor para comprar pólos que lhe estavam a fazer falta e às nove e meia já estávamos em casa, numa penumbra de dia-noite.

o mau humor começou aos bocadinhos, como quase sempre, em crises inexplicáveis de fastio pela vida.

basta uma ideia persistente que, ao género de transtorno compulsivo, se intromete na cadeia de pensamentos normais. ontem começou com o ginásio. o ginásio a que - supostamente - devia ir hoje. revi mentalmente todos os passos. acordar cedíssimo. pegar no carro. transpirar durante uma hora e pouco. perguntar ao pessoal com camisolas do ginásio o que raio são aqueles exercícios que me estão marcados no plano de treino. sentir-me mal por ter de perguntar. sentir-me mal por estar, claramente acima do peso. sentir-me mal por ter de perguntar estando acima do peso, vermelha e transpirada. sentir-me mal por estar fora da minha zona de controlo num sítio que não gosto, com pessoas que não conheço, numa situação que me põe, mentalmente, num estado de vulnerabilidade.

sentir-me mal, pronto, é isto.

a ideia arrancou daqui e foi-se propagando como um vírus.

é sempre assim. há quem lhe chame personalidade, feitio, resquícios de doença - que não acredito que seja - compulsão, sentimento doentio. começou por aqui e alastrou-se a todos os pontos da minha vida, enquanto lavava a louça e via a noite inundar-me a cozinha. continuou por ali adiante mesmo quando tomava banho e me sentava, de cabelo molhado, a ver a lua na varanda. continuou por ali adiante quando me sentei no sofá, desistindo de trabalhar no serão, à procura de um filme no (ou na?) netflix. continuou por ali adiante quando vi e acabei o filme e me deitei. continuou por ali adiante na insónia terrível culminando num tremelicar físico e numa convicção, quase total, de que não valho absolutamente nada e, em todos os campos da minha vida, falho anormalmente.

eu sei que é diferente.

conheço agora estas tempestades mentais que, sem saber muito bem porquê, me consomem às vezes.

conheço a fixação numa ideia, mesmo que saiba que é uma fixação e que não corresponde à total realidade das coisas.

conheço a minha falta de perspectiva nesses momentos e sei, perfeitamente, que é só uma questão de tempo.

 

mesmo assim, não mata mas mói e foi um serão e uma noite perdidos.

foi um serão e uma noite numa constante luta contra aquele pedaço do cérebro que me fez crer na minha incapacidade e frustração. que pegou numa pequenita parte do meu dia, numa característica minha (ia dizer pequenita mas, tendo em conta a quantidade de gordura, tenho de dizer grandona) e a assoberbou ao ponto de eu ser só aquilo.

em tempos idos mascarei a minha insegurança - física e psicológica - numa máscara de arrogância e rigidez.

aos olhos dos outros eu era uma arrogantezita nojenta, aos meus olhos eu era uma gorda nojenta sendo que, o resultado das duas, foi uma arrogante gorda. resultou muito bem, não foi? mas não serviu de nada. as características que me traziam a insegurança mantiveram-se e tive, com o tempo, de aprender a viver com os seus resultados.

vistas bem as coisas, não me dei assim tão mal mas, em momentos que não controlo há um turbilhão de coisas que não domino e que me fazem dormir mal.

oh senhores!

que consumição. 

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oh vai ver ali:

publicado às 14:00


12 comentários

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De Just_Smile a 13.06.2017 às 17:41

Sabes? Nunca tinha posto os pés num ginásio até recentemente começar a ioga... Sou magra e tal e sempre achei desnecessário. Cheguei a frequentar uma aula de zumba na junta de freguesia onde só tinha velhas para me fazer sentir bem, porque a minha resistência era bastaaaante reduzida. Fartei-me da zumba e fui para a piscina, hora perfeita cheia de velhos em aula de hidroginástica, até que me apercebi que precisava de mais... Comecei a ioga há cerca de três meses e ainda me sinto um alien, sinto-me velha ao lado das velhotas que fazem melhor que eu e sinto-me velha porque não vou toda quitada e XPTO como as pessoas da minha idade...
Se deixo de ir? Não, mas sempre que vou sinto essa insegurança, prefiro é simplesmente ignorá-la...

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