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banalidades

por M.J., em 16.06.17

tenho-me arrastado pelos dias.

ridículo. repito ri-di-cu-lo. há uma luta constante de que faço parte. melhor: que construo, persigo, decido, batalho e perco e ganho ao mesmo tempo, porque não podemos perder sem ganhar a nós próprios e vice-versa.

uma merda.

para começar detesto este tempo. trabalho numa espécie de penumbra com tudo fechado, ao género de igreja, cortinas corridas no objectivo de não entrar o calor que é uma bosta trabalhar-se com calor. talvez o problema seja da minha evidente obesidade mórbida que me faz transpirar mais do que os outros.

não sejas parva M.J. maria, diz-me a mamã quando lhe digo estas coisas, olha que deus castiga e ainda te engorda tanto que precisas de uma cadeira de rodas para arrastar a gordura e alguém que te limpe debaixo da banha nas costas.

eu já preciso! disse-lhe uma vez, absolutamente encantada com um deus que engorda pessoas como castigo - aposto que em áfrica daria um jeitaço -  e tenho a certeza que teria levado duas galhetas nas trombas se ela estivesse ao meu lado porque, cito, "com coisas sérias não se brinca".

para que conste: não preciso nada.

ainda. 

depois é impossível fazer as coisas normais:

vai lá tomar café com quarenta graus à sombra! vai lá ver a tarde a cair na varanda com o sol a bater de frente na rua deserta. vai lá beber um chá quente quando te apetecia era estar dentro de um cubo de gelo!

detesto pronto.

acredito que haja quem goste e talvez eu seja a excepção mas desde que me lembro que o verão é uma consumição - rimou! uma escritora nata - e este ano mantém-se a regra. fico rezingona, molenga, pegajosa, preguiçosa e todas essas coisas acabadas em osa, que todos somos mas que só alguns admitem.

uma merda.

o meu mau feitio tem sido tão evidente que evito ao máximo falar com pessoas. tarda nada deixo de conseguir comunicar.

- bom dia.

- mumblemjugnfleonmsw.

- tás bem?

- vai para a merda! tenho ar de quem parece estar bem?

confesso que entrar nos trinta foi uma ferroada. também não gosto. a ideia de imortalidade e de absoluto tempo da casa dos vinte esmiufou-se (sim, estou numa de inventar palavras). agora os dias são contados. começo a ficar velha para certas coisas. as pessoas à minha volta comportam-se como tem de ser. produzem pessoas. compram casa. medem as salas para pôr sofás novos. trabalham das nove às cinco (ou às nove, mas isso são outros quinhentos, cada um é que sabe até onde aguenta) e organizam baptizados.

baptizados meus senhores! 

baptizados (leva p ou não leva p?) água na cabeça de putos que produziram, a melhor roupa, o cabelo empeloucado (outra) com laca depois da visita ao cabeleireiro e um orgulho descomunal em mostrar ao resto do mundo que produziram uma coisa e são orgulhosamente ativos na continuação da espécie. e eu lá a ver e a acenar enquanto o rezo cinco avé marias para talvez ficar ali nos quarenta. 

senhores que mau feitio.

o que interessa é que percebi finalmente esta minha incapacidade de me inserir no tempo em que insiro.

há quem amadureça aos quarenta, quem seja adulto aos dez. eu vou saltando. vivo precoce ou tardiamente cada fase e por isso não entendo o resto do mundo. talvez esteja a baptizar putos aos cinquenta, depois de congelar óvulos. ou talvez peça conselhos ao ronaldo e compre um ou dois, que isto o impossível até agora, é só ressuscitar.

ou talvez não.

cristo ressuscitou ao terceiro dia.

vou perguntar-lhe como fez no baptizado.

e rogar-lhe que não me engorde até deixar de sentir as pernas, que isto mais vale jogar pelo seguro e o seguro morreu de velho.

 

morreu nada. 

ainda há dias o vi na tv!

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oh vai ver ali:

publicado às 11:05


1 comentário

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De Aninhas a 16.06.2017 às 17:07

O porquê das raparigas não gostarem de fazer 30anos? PORQUÊ? Eu então digo, aí kem me dera ter outra vez 30 anos! Tb tive os meus problemas, todos temos! Cada um sabe dos seus! Mas os meus 30 já lá vão há uns bons aninhos, mas eu kero pelo menos mais 30:-) os problemas vão se resolvendo! Eu não sou feia nem bonita, não sou gorda nem magra, não sou modernaça, mas olho-me no espelho e penso! Espelho espelho meu, há alguém melhor k eu? NÃO,NÃO, NÃO!

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