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banalidades

por M.J., em 30.06.17

na maior parte dos dias, não há dúvida, viver é uma perda de tempo em que caminho amarrada a uma pasmaceira igual às pasmaceiras de todas as vidas que não são dignas de nota.

não há acontecimentos fulgurantes a fazer vibrar as horas ou amontoados de excitação que causam borboletas no estômago e revolta na barriga.

não há o brilho da adrenalina, a sensação de estar vivo em pleno, num aproveitamento de cada minuto:

rotina, banalidade, dias triviais e vulgares que morrerão na história, como morreram todos os dias e banais de todas as pessoas corriqueiras como eu.

 

na maior parte dos dias, repito mesmo, viver é uma perda de tempo e seria bem mais agradável se pudéssemos, logo de manhã, ao acordar num dia fresco de neblina, as árvores em frente a pingar de choro nocturno, o ar frio que nos lambe a cara, as pessoas num caminho desenfreado de quem sabe ao que vai, ainda que o ir seja exactamente igual a ontem e tudo se transforme num nada claro, viver é, dizia, uma perda de tempo e seria mais saudável se pudéssemos desligar ao acordar, fazendo um boicote ao esperado.

 

não sei quanto a vós mas, tem dias, que se pegassem na minha vida e a dissecassem aos pedacitos, horas e minutos de um lado, acontecimentos e importâncias do outro, esfumava-me em ar e era só cinzas, mais pequenas de que os mosquitos que tirei, no fim de semana passado, da matrícula do carro. 

 

na maior parte dos dias, sei disso, a minha vida tem a grandeza de um funeral de mosquitos num carro a alta velocidade numa auto estrada deserta.

só é pena não ser tão magra como um mosquito com fome:

mal por mal, sempre tinha algo digno de nota.

 

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oh vai ver ali:

publicado às 09:40


2 comentários

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De Gorduchita a 30.06.2017 às 10:00

Sinto tanto isso... Vida desinteressante, rotineira...
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De a totó a 02.07.2017 às 00:04

Como me revejo neste texto, tantos dias que terminam e pergunto-me "de que me valeu o dia de hoje?" De nada. Nada de interessante aconteceu.

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