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banalidades

por M.J., em 16.08.17

às vezes percebo que não consigo chorar.

é raro mas acontece. há um aperto apertado apertadíssimo no peito, na garganta, nos olhos, nos dedos enquanto extensão de sentimentos, e não consigo chorar. seca de lágrimas. repleta de sentimentos corrosivos, que queimam num constante loop, numa constante ebulição.

queimo sem queimar. 

o mal de não conseguir chorar é que sem o pranto impulsivo de cinco ou dez minutos não há, inevitavelmente, a bonança após a tempestade e a sensação de perda de norte intensifica-se durante muito tempo.

sei que a maioria das pessoas não sobrevive desta forma, numa constante procura de qualquer coisa, numa constante insatisfação, num constante desconhecimento, numa constante incerteza, numa constante incapacidade de ser. a maioria das pessoas vive. arranja uma série de refúgios, subterfúgios, coisitas que permitem a continuação de cada amanhecer.

eu não consigo e galgo as horas como um rafeiro perdido e carracento, que morde quem lhe dá comida e abana o rabo à ideia de algo que parece brilhar mas é pechebeque em vez de ouro. galgo as horas como uma espécie de abutre na espera dos restos que me possam acalentar os minutos. 

a minha constante insatisfação diária é legendária e demonstra o ponto em que me encontro, o que sou e o que tenho. e em minutos em que não consigo chorar o meu azedume gritante berra em prantos que chega de ser. 

estou tão cansada. 

 

e quem não está? repete-me o reflexo ao espelho. 

quem não está?

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oh vai ver ali:

publicado às 20:40


2 comentários

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De Cristina (Maria) a 17.08.2017 às 00:05

será o choro como o riso: se é de dentro, aparece quando quer.
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De Miss Winter a 17.08.2017 às 11:46

Em momentos felizes nunca choro como vejo muita gente...
Em tragédias... levo o meu tempo para descer à terra e ver que é real...
Cansados estamos todos de uma maneira ou outra mas temos que aprender a lidar e esquecer o cansaço, com a idade, tudo se vai aprendendo a mal ou a bem.

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