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banalidades

por M.J., em 16.11.17

quem sou esconde-se de mim.

mascaro qualidades e mostro defeitos. aligeiro defeitos e publicito qualidades, numa espécie de adaptação ao que é esperado.

na maior parte do tempo, sou pequenina, medricas, vulnerável como o raio e cheia de não me toques.

 

se usasse isto a sério e mostrasse aos outros a fealdade que escondo, seria uma coisa digna de se ver.

como aquelas fulanas que saem todas as noites, com pestanas que não são delas, lábios embutidos, cabelos que se tiram e põem, rabos que se escangalham na saída da cueca, mamas que encolhem quando o sutiã é retirado e depois de devidamente desnudas são uma imagem pequenina e desenxabida, com um ar muito banal e comum cujos atractivos se esfumaram porque não eram. 

há os bons e os maus na linearidade. os pecadores, os perfeitos, os bonitos e os jovens. há pessoas que têm flores no cabelo, modulam as palavras como canções e se transformam em imagens que se seguem. com gosto. 

depois há os como eu.

pessoas cheia de vulnerabilidades, que ladram ao vento de dentes erguidos, um rosnar constante de irritação, num cérebro pequeno que se acabrunha ao confronto. 

são as que se devem evitar.

não que, ao estar com elas, se acabe mordido.

mas há o risco de se ficar com dor nas mãos de tantas festinhas que se lhes fazem na cabeça para as pôr a ronronar. 

 

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publicado às 10:39


12 comentários

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De VeraPinto a 16.11.2017 às 10:54

Quase sempre (senão sempre) arrepio-me quando te leio.
É tão bom.
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De M.J. a 16.11.2017 às 14:48

:)

(como estás? estou no sítio do costume. como sempre).
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De Quarentona a 16.11.2017 às 12:41

Olha lá, não somos todos assim? Uns disfarçam melhor que outros, mas somos todos imperfeitos e únicos e é exatamente aí que reside a beleza de cada um.
(Não! Não estive a ler Gustavo Santos, nem Pedro Chagas Freitas ;)))
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De M.J. a 16.11.2017 às 14:49

por minutos juro que achei que tivesses andado a snifar chagas :D
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De Olívia Batista a 16.11.2017 às 13:03

Tenho tanta coisa para aqui escrever que o melhor é aligeirar a coisa.

Se me dessem a escolher beber um café ou chá com meia dúzia de «pessoas que têm flores no cabelo, modulam as palavras como canções e se transformam em imagens que se seguem. com gosto» ou contigo, preferia mil vezes bebê-lo contigo, até levava uns analgésicos para «risco de se ficar com dor nas mãos de tantas festinhas»
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De M.J. a 16.11.2017 às 14:49

isso é porque és um doce.
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De Gaffe a 16.11.2017 às 14:09

É tão, mas tão cruel, o que acabas de escrever!
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De Gaffe a 16.11.2017 às 16:49

Às vezes tenho de ler três vezes trintaa vezes o que escreves. Às vezes arrepio-me. Às vezes fico sem tino ou entendimento.
Creio que a crueldade com que às vezes me esbofeteias é aposta agora nas tuas palavras. São nuas e descarnadas. Assustam-me.

"pessoas cheia de vulnerabilidades, que ladram ao vento de dentes erguidos, um rosnar constante de irritação, num cérebro pequeno que se acabrunha ao confronto."

Há pessoas exactamente enformadas assim, mas nunca as senti tão exactas como agora. Arrepia perceber que as conhecemos.
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De Fleuma a 16.11.2017 às 15:32

" pessoas cheia de vulnerabilidades, que ladram ao vento de dentes erguidos, um rosnar constante de irritação, num cérebro pequeno que se acabrunha ao confronto.

são as que se devem evitar.

não que, ao estar com elas, se acabe mordido.

mas há o risco de se ficar com dor nas mãos de tantas festinhas que se lhes fazem na cabeça para as pôr a ronronar. "


Posso entrar?

É só porque acabo de me sentir em casa e com imensa vontade de permanecer .

Sinceramente M.J., você deixa-me fraturado.

Vénia,
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De M.J. a 22.11.2017 às 14:31

entre e fique.
partilhemos uma chávena de cevada e pão quente com manteiga.
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De Sandra Dias a 20.11.2017 às 21:44

Todos somos diferentes só temos em comum 2 aspectos o nascimento e a morte são iguais para todos.
E todos somos únicos e é isso que nos distingue uns dos outros.
Não podemos avaliar ninguém com base em aparências físicas nem noutros aspectos, só temos de aceitar e respeitar a diferença e isso é a base de toda a sociedade. O respeito e o civismo são valores muito importantes que muitas pessoas não sabem, nem querem saber.

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