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banalidades

por M.J., em 28.03.18

não foi uma ausência decidida.

as coisas foram passando, os dias rolando e a vontade de esvaziar sentimentos diminuiu.

ou talvez não tenha diminuído mas deixou de haver vontade de o fazer em palavras veladas, dizendo sem dizer, na vontade de explicar não explicando. 

não leio blogues, talvez, desde o início do ano. ou pelo menos, não estes blogues, de gente que desabafa e fala da vida.

fui deixando passar.

os dias correram e correm e não sei onde se metem nas tantas coisas que tenho de fazer.

a minha vida profissional deu dois saltos e de repente estou cada vez mais atolada em coisas que cada vez gosto mais de fazer.

perdi a vontade de aqui vir, foi o que foi, ainda que esta noite tenha sonhado que aqui escrevia, um texto simples cheio do tempo em que eu comandava o tempo.

 

os tratamentos prosseguem.

há o sentimento entranhado de uma culpa cega, colada aos ossos, ainda que eu saiba que não há uma culpa evidente. 

no dia em que percebi que tínhamos de voltar ao mesmo, noutro ciclo, arrastei-me até à cama carpindo sem carpir, que não tenho tempo para o efeito, e senti o peso da culpa entranhado em cada centímetro de mim.

e se eu tenho centímetros!

é então assim, a vida, isto, eu, nós, as decisões.

e não há como sentir que não sou culpada.

sou, penso.

culpada de todas as vezes que jurei que não o faria. de todas as  vezes que pensei que comigo não. culpada de não poder decidir e não ver isto como é, mas antes uma tarefa.

o meu cérebro diz-me: não consegues. és apenas metade. és incompleta mesmo que, neste momento já não o seja.

a médica diz: um ano. casais que tentam dois anos. normal. nova. sem medos.

e eu sei mas o meu cérebro, sempre a lutar contra mim diz-me: é uma tarefa que não consegues. bem feita, não consegues. e ri-se muito alto, apontando-me os dedos que são meus.

e isso faz-me querer ainda mais, numa espécie de contrariedade. não quero aquilo que os outros querem nisto.

quero apenas saber que consigo. que não há um divino castigo. 

ou isso, ou esquecer. 

sei da pequenice deste sentimento. sei que estamos há tão pouco tempo nisto e é a minha ânsia da contrariedade que obriga a que saltemos dois passos. ou é ou não é. não há metades, ir vendo, um dia de cada vez e essas baboseiras a que nos habituamos para lidar com as merdinhas da vida.

 

vem aí a páscoa.

sonhei uma noite destas com procissões, gente antiga, pessoas que não vejo.

sonhei com velas na mão, o padre a apertar-me as bochechas, roupa nova, missas longas, flores cor de rosa, camélias no chão. 

 

o futuro é agora e eu só penso no que foi.

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publicado às 12:45


17 comentários

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De Gaffe a 28.03.2018 às 13:53

Não imaginas - mas sabes, que imaginar é diverso - como estou aqui. Não ao teu lado, mas à tua frente.
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De M.J. a 28.03.2018 às 14:09

quantos passos na frente? :)
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De M.J. a 28.03.2018 às 22:50

estamos lado a lado.
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De Quarentona a 28.03.2018 às 14:04

De uma forma diferente, acredita que senti exatamente isso que estás a sentir, e essa necessidade de provar a mim própria que conseguia fez-me não desanimar. Estou cá para o que precisares ;))))
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De M.J. a 28.03.2018 às 22:50

eu sei.
obrigada.
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De Psicogata a 28.03.2018 às 15:08

Tudo o que te posso dizer é que és mais forte do que julgas por isso força.
E esquece isso de castigos divinos, para quem acredita Deus é Amor não castiga.
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De M.J. a 28.03.2018 às 22:51

somos sempre um bocadinho mais forte do que aquilo que pensamos, não é? às vezes parecem só palavras mas é engraçado como a realidade nos mostra que não. :)
obrigado.
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De Sofia Marques a 28.03.2018 às 16:23

Tens muito mais força dentro de ti do que tu pensas... Vai tudo correr bem:-)
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De M.J. a 28.03.2018 às 22:51

é isso. vai tudo correr bem. :)
obrigado.
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De Ana Silva a 28.03.2018 às 16:54

Sê gentil contigo MJ. Um grande beijinho!
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De M.J. a 28.03.2018 às 22:52

ora aí está uma coisa que, ao longo do tempo, sempre tive dificuldade em fazer.
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De Joana B. a 29.03.2018 às 10:10

estou sempre por aqui
Força
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De Silent Man a 29.03.2018 às 12:10

Tá quase tudo dito pelos teus excepcionais leitores, por isso pouco tenho a acrescentar. Ainda assim, quero deixar aqui a minha forcinha. Se precisares de desabafar e não souberes com quem, já sabes. Estou aqui. Que às vezes aquelas pessoas que não nos conhecem pessoalmente são as que dão os melhores conselhos porque não têm os olhos "viciados" por nós próprios.

Beijo meu, Éme Jóta
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De Cristina M. a 30.03.2018 às 11:58

MJ, uma Páscoa Feliz!
Abraço para ti,
Cristina
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De Fernanda Dias a 06.04.2018 às 13:38

cá estou. sempre!
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De RC a 09.04.2018 às 04:01

Ja te disse que admiro a tua forca? Tambem admiro a tua coragem e forca de vontade.

Eu nem tenho duvidas que se decidiste que era esse o caminho, e' esse o caminho que vais fazer. E so quando te provarem que e' completamente impossivel ou o caminho estiver feito e' que vais parar.

Gosto de ti `a brava e sabes que teras sempre onde ficar onde eu estiver.
RC

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