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banalidades

por M.J., em 22.08.14

fui caminhar ontem à noite, depois do jantar. de sandálias e tudo. a noite estava amena, tranquila, com aquela cor típica das noites de verão, luzes espalhadas pela cidade, um certo silêncio. tomamos café em frente à ria, numa esplanada deserta onde um alemão, de mochila às costas, arranhava o inglês com o rapaz que servia na tasca, acerca da melhor maneira de chegar à caravana.

esta manhã custou-me levantar. saí da cama, ensonada, cara feia, depois da hora habitual. vesti uma roupa qualquer, nem sequer passada, ainda no estendal. na rua havia o deserto da manhã, uma aragem fresca a bater-me na cara. entrei no posto de combustível, com a marmita no banco do lado, que se virou porque precisei de fazer uma travagem brusca. nem a abri, não vá encontrar o almoço derramado no meio das maçãs. a bomba era de pré-pagamento, mas mal entrei a moça mandou-me embora, que aquilo estava empancado. demorei uns dez minutos a mais que o habitual.

na estrada, outra vez, alguém me fez um sinal de luzes. quilómetro depois a polícia manda-me parar. um deus que me acuda para encontrar os documentos, espalhados entre mala, carteira, porta luvas. o agente esboçou mesmo um sorriso de compreensão, mandou-me à minha vida depois de comparar a tromba dos documentos com a tromba com que o olhava.

quando cheguei ao escritório não havia vivalma. sentei-me, fiz um café quente, cocei os olhos, que pasme-se, tinham remela.

 

são dez e meia da manhã e não paro de pensar que devia comprar uma caravana e conhecer o mundo.

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publicado às 10:23