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banalidades

por M.J., em 16.09.14

toda a casa ficou, inevitavelmente, a cheirar a carne grelhada. abri as janelas da cozinha, da marquise, na tentativa inglória de fazer desaparecer o cheiro. mas não.

sentei-me no sofá, com a janela da varanda completamente aberta. tenho flores estranhas nos vasos que se abrem apenas e só, pasme-se, durante a noite. chovia e ainda assim, apesar do vento e das janelas abertas, ficou o cheiro do jantar a inundar-me a casa.

passei pelos canais da televisão, peguei num livro, pousei o livro. percorri o facebook na procura de qualquer coisa. abri o youtube, na televisão. bebi um chá. troquei mensagens. 

continuou o cheiro do jantar. no enjoo da noite, da escolha, da opção.

quando ele entrou e me perguntou se queria, hoje, fazer parte da festa de anos do outro, que sim, agora é o outro, o cheiro tornou-se, incrivelmente, demasiado forte. entrei na casa de banho, vomitei passo por passo todo o jantar.

e só depois, quando me deitei já altas horas da noite, senti que o cheiro se desvanecera nas recordações de outros aniversários do outro.

como a puta da vida muda.

 

hoje, já não havia cheiro algum. 

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publicado às 10:03



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