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banalidades

por M.J., em 14.03.15

acordei com uma brutal dor de garganta.

ontem à noite já tinha dado sinais de alerta. culpa minha que tenho a mania de andar ai ao vento, armada em parva. arrastei-me da cama, ainda de madrugada, para tomar qualquer coisa. acabei depois por adormecer. quando acordei outra vez estava tudo mais bonito.

 

tomamos o pequeno almoço numa pastelaria da cidade. a empregada estava mal disposta. serviu-me o pão integral como se lhe tivesse pedido cinco bolas de berlim com creme, depois de caminhar cinco quilómetros na praia. e disse-me, na cara, que nem sequer sabia que se vendiam ou faziam pães de alfarroba. foi engraçado. claramente estava num mau dia. acontece a todos, não a julguei. sorri sempre, amarela.

 

almoçamos tarde depois de passear, de carro, pelos arredores. sempre que queria abrir o vidro e apanhar vento nas trombas era proibida e amuei. uma pessoa já nem pode piorar o estado de saúde se quiser.

 

deixei cair umas meias, quando as apanhava das cordas da marquise. caíram redondas no chão e fui ao jardim de calças de pijama. desci as escadas sorrateiramente e não havia vivalma na rua. excepto a senhora da mercearia que me acenou. há séculos que não lhe compro flores. sorri-lhe de longe. quando cheguei a casa reparei que tinha as calças de pijama rotas no rabo.

lindo serviço.

 

passei o resto da tarde a enrolar lã, que andava ali, espalhada num armário. sou péssima a desfazer nós e desemaranhar fios mas entretive-me a tarde toda. deixei "os três mosqueteiros" no início (sim, já li, mas adoro reler livros) e fiquei em silêncio, pernas à chinês a enrolar fios. assimilei, por isso, que estou a perder uma fase importante (talvez a mais importante) da vida de uma pessoa que estimei muito.

demasiado.

estive a dois segundos de lhe mandar uma mensagem. não a pedir desculpas. ou a exigir desculpas. só a marcar um café. dar-lhe os parabéns. combinar uma tarde, só os dois, para falar de todas as banalidades possíveis. proibido falar de coisas importantes. passaram os sentimentos homicidas. as saudades venceram. mesmo assim desisti da ideia quando peguei no telemóvel. um pudor qualquer, num medo de rebaixamento, num orgulho de que sou feita, desde a ponta do pé à ponta do cabelo.

que se foda.

 

emagreci sete quilos e quatrocentas gramas desde início de fevereiro. não que isso interesse a ninguém. só a mim. mesmo assim ressinto-me pela falta de açúcar, de alguns hidratos. no outro dia, enquanto lavava pratos (coisa de pobre, eu sei) desatei a chorar, sem qualquer motivo senão a vontade absurda de chorar. estava sozinha. eu e os pratos. fiquei ali, uma torrente de água nos olhos e na torneira. quando consegui lavar o resto dos pratos saí à rua e apanhei ar nas trombas. não há ar melhor que este para acabar com dramas. resultou.

 

fui à costureira (obrigado Pandora - caso estejas a ler isto - pela tua ajuda. de coração) por causa do vestido do casamento. preciso do raio de um vestido e não encontro nada que goste em lojas. vou mandar fazê-lo. era suposto ser aí num atelier de alta costura. a costureira é melhor que qualquer atelier. vi vestidos dela fabulosos ainda que eu não perceba nadinha de vestidos.

 

 

vou acabar de enrolar o resto da lã.

e tenho sono.

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oh vai ver ali:

publicado às 22:50