Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




banalidades

por M.J., em 04.04.15

fiz um folar gigante.

andámos meia hora à procura de amêndoas, que eu queria só para pôr na sala ao jeito de enfeite, até desistirmos quando eu disse que não as ia comer. o rapaz trouxe para casa um chocolate milka e eu fiquei desconsolada, a olhar a mesinha sem cores vivas, naperon de renda, cravos numa jarra e envelope cerrado. acabei por fazer o folar porque ele disse que lhe lembrava a infância, nas manhãs de páscoa, a esperar o padre, amolecido com manteiga.

quando dei conta tinha no forno uma broa doce, descomunal, que cresceu à bruta. cheirava a canela doce por toda a casa e não resisti a provar, ainda quente. agora tenho uma espécie de pneu, em cima da mesa, pousado num pano bordado a ponto cruz, que não combina com nada da divisão e parece caido ali pelas mãos de uma velhinha, triste, à espera dos netos. ainda assim, olho-o toda contente porque as tradições são respeitadas, nas lembranças de onde vimos.

mesmo que, muitas vezes, nos esforcemos para esquecer.

 

tenho um calo num pé. andou a doer-me no dedo e por largos meses só me lembrei dele quando corria. pensava que eram frieiras ou outra maleita qualquer. afinal é um calo e tenho motivos, mais que justificativos, para não dar à pernas nos próximos tempos, enquanto o dito não passar.

 

as árvores do bairro floriram todas, na chegada de uma primavera quente. e a minha orquídea, na fidelidade aos meus princípios, murchou.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

oh vai ver ali:

publicado às 20:42