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banalidades

por M.J., em 24.04.15

choveu grande parte do dia. pus uns brincos novos, de manhã, de um rosa pálido só para ver se animava o cinzento que amanheceu comigo. não resultou grande coisa. 

descobri o motivo das intensas dores de cabeça quando enfardei dois cafés de uma vez só. estou viciada em cafeína, com sintomas de abstinência sempre que não tomo. podia ser pior se fosse outro vicio, como heroína, por exemplo. pelo menos esta é uma droga barata, vendida em qualquer canto. não é mau. não preciso de assaltar velhinhas para o vicio ou vender os móveis dos papás. ou sequer prostituir-me para injectar coisas para a veia. devia dar-me por feliz. 

fui à pastelaria quando cheguei a casa, na tentativa que alguém reparasse nos meus brincos novos. não pedi café, que tinha bebido dois, mas o empregado trouxe-me logo, num sorriso gigantesco de quem conhece os amigos:

- ora então um cafezinho bem cheio, sem açúcar, para a menina mais simpática do bairro!

não fui capaz de recusar. apesar das falácias do homem. não sou menina, não sou simpática e já tinha bebido dois cafés. hoje ia beber mesmo um chá. engoli o café de uma vez só, com um sorriso amarelo que aquilo provoca e vim embora. com três cafés no lombo sinto-me capaz de dominar o mundo. e ele não reparou nos meus brincos.

vieram cá a casa quando pousava a camisa do rapaz, que trouxe da lavandaria, para o casamento de amanhã. era um senhor, muito moreno, a insistir que também no ano passado cá esteve, a falar com o meu marido, por causa de um peditório. achei que o mundo estava maluco hoje, cheio de erros incompreensíveis. além disso percebi que o homem mentia quando disse, com grande naturalidade, que o meu marido até lhe tinha pedido recibos e tudo. sorri, ainda com cafeína nos dentes. o rapaz não dá dinheiro para associações e não é meu marido, coisa que o homem devia perceber pela minha cara se fizesse bem o seu trabalho. acabei por lhe dar um euro, só para evitar que entrasse aqui dentro e me roubasse a televisão. não havia muito mais para roubar. depois percebi que estava a ser um pouco preconceituosa e fui à rua, outra vez, comprar fruta. a rapariga da frutaria é esquisita. fala ao telemóvel enquanto recebe os pagamentos e não cumprimenta ninguém. penso que se tivesse de passar o dia inteiro naquele lugar, tão vazio, tão escuro, com velhas que vão comprar tomates e falam sozinhas, também ia ser antipática. virei-me de lado e tudo, enquanto pagava, para pôr as orelhas em evidência. mas ela também não reparou nos meus brincos.

o casamento é amanhã. não consegui escrever texto nenhum sobre amor ou amizade ou deus que o valha. vou tentar agora ainda que me falte escrever alguma coisa sobre o vinte e cinco de abril para o tasco do lado. haveriam brincos destes, que tenho nas orelhas, na data da liberdade? acho que não.

está cinzento, choveu grande parte do dia e tomei três cafés hoje.

já vos disse que tenho uns brincos novos? ninguém reparou. 

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publicado às 18:02


5 comentários

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De Cris a 24.04.2015 às 19:17

Olha, que brincos giros os teus! Gosto dessa cor e ficam-te mesmo bem!
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De Cris a 24.04.2015 às 23:06

se há coisa que eu sou é fofa. ahahahahahah
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De Gaffe a 24.04.2015 às 21:07

Tu tens sempre brincos novos nos dias em que escreves.
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De M.J. a 24.04.2015 às 21:52

tão querida.
obrigado.

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