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banalidades

por M.J., em 16.09.15

as árvores em frente à casa voam numa ventania alegre. não há folhas douradas pelo chão. são cedros gordos, alguns de um castanho velho que fazem barulho batendo uns nos outros. 

as plantas da varanda, que trouxe num carinho da casa antiga, desfolharam todas. há pétalas de flores rosa espalhadas em poças de água, misturadas com um vestido, que caiu das cordas. 

às sete e meia da manhã ainda é de noite, agora. tomei café, de nariz encostado aos vidros da porta que se abre gigante sobre a varanda. a cozinha estava quente e a orquídea rosa, que alguém me deu em tempos, contínua feliz em cima da bancada, sem desistir de viver. saí à varanda em pezinhos descalços, apanhando o vestido encharcado. tive vontade de o colocar dentro da máquina, mesmo sem o sacudir. 

demorei meia hora a arrumar tudo. já passava das oito quando reparei na ventania dos cedros em frente, nos carros repletos de rebentos verdes. o rapaz saiu apressado, pequeno almoço pelo caminho.

doeu sair de casa hoje de manhã. não pela casa. 

não por esta casa. 

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publicado às 11:27


2 comentários

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De Sarabudja a 16.09.2015 às 12:01

Guarda em caixas bonitas, atadas com laços de cetim, algumas memórias, que poderão ser desfiadas e até choradas em dias menos cinza. Esquece o pensar e sente, sente-te, sente o rapaz. Aquece o olhar com a água fria do rio que corre. Procura o café patusco, castiço, familiar, sei lá eu!
Arranja um lugar confortável onde possas ser mais tu.

(estou num gabinete decorado (?) por outras pessoas, para um fim que não ser local de trabalho de quem tem a criatividade como profissão. Arranjei um canto muito meu, no meu ouvido entra o que me faz lembrar quem realmente Sou. Hoje estamos assim: https://www.youtube.com/watch?v=aDDB4Vyk5ZQ
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De M.J. a 16.09.2015 às 15:38

estou a tentar. juro que estou tentar com todas as forças.
mas a minha anormalidade... ah, a minha anormalidade.

obrigado minha querida.

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