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banalidades

por M.J., em 05.04.16

tem dias que fico absolutamente imprópria para convívio humano. são mais dias do que o que era suposto mas muito menos do que já foi um dia pelo que o saldo não é totalmente negativo.

nestas alturas consigo, de uma assentada só, sentir-me absolutamente indecente para falar seja com quem for porque sei do sarcasmo, ironia e falta de empatia na ponta da língua a arriscar-me a uma ostracização total e completa.

não é bonito. 

o truque está na percepção disso e tirar as tropas da guerra, muito de mansinho, esperando que a coisa acalme e possa novamente ser uma pessoa.

são dias ridículos e obtusos em que me arrasto pelas horas encontrando defeitos em cada pedaço de mim, do que sou, das minhas escolhas e vida. são dias em que respiro fel que depois destilo por entre longos silêncios e ferradelas bem atiradas a quem se ousar aproximar.

perco a total capacidade de sentir a mínima empatia pelo que for e esparramo-me a rir de boca aberta, que nem o mauzão do filme, por tudo o que mexe e cai. não tenho paciência para os sorrisos de quem me estende a mão ou as confidências e encolho os ombros, sem qualquer sentimento de compaixão pelas tragédias do mundo. 

tem dias em que decididamente não sou humana e não percebo o motivo dos dias me transformarem nesta coisa. 

há quem diga que é somente o que sou, a transparecer todo num dia só, pois que as más pessoas não mantêm sempre a máscara.

estou tentada a acreditar. 

 

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publicado às 15:35



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