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banalidades

por M.J., em 07.06.16

adormeço mais vinte minutos depois de ele sair. invariavelmente. acordo depois estremunhada, aquele lado frio, ausente dele e levanto-me arrastando as pernas.

tenho sempre um péssimo acordar.

a manhã entra a jorros janelas dentro. tiro um café, ponho aveia e leite a ferver. a cozinha inunda-se de cheiros de canela, limão e café. olho pela janela. constato a necessidade de limpar os vidros e penso, pormenor por pormenor na possibilidade de o fazer durante o dia, num minuto roubado a outros afazeres.

nunca acontece e qualquer dia não vejo a rua.

lá fora há uma imensidão de tranquilidade. ouvem-se pássaros e a brisa a bater nos cedros. de longe em longe passa um carro e alguém usa uma tesoura de podar, ao longe, que faz eco.

é como viver na serra a dois minutos de coimbra.

olho as flores na varanda enquanto a aveia ferve. o rapaz desdobra-se em trabalhos para as trazer à vida depois do abandono em cabo verde. tirou os galhos secos da sardinheira, aparou os brincos de princesa e podou a orquídea, acabando por enchafurdar a roseira de um spray que mata piolhos.

ou pelo menos diz o rótulo.

acabo por me sentar a comer a aveia.

estamos em junho e parece que não saí de abril.

não sei porquê.

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publicado às 09:15