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banalidades

por M.J., em 09.08.16

às vezes tenho uma sensação maluca de ter morrido e não saber.

e ninguém saber.

continuo, ao jeito de filme, a comer, falar, dormir, beber, caminhar, lavar louça, trabalhar e afins mas não respiro e vou apodrecendo lentamente. sem ninguém dar conta.

só eu.

é uma absoluta sensação de nada. uma certeza de que a inutilidade transparece de cada gesto e nada do que se faça serve para algo. não para os outros. reviro os olhos no sentido dos outros. para mim. somente para mim. como se estivesse morta, apodrecendo lentamente de ideias, objectivos, certezas e continuasse porque, ao jeito de castigo eterno, permaneço.

olho todos e encontro na vidinha de cada um revirares de olhos e inutilidades. encolho os ombros à natureza das coisas, ao que se usa para quebrar a sensação de necessidade de ser maior. de ser diferente. seria engraçado se não fosse só deprimente e altamente arrogante. 

estou morta e ninguém deu ainda conta. e tenho medo que nesta morte acabe uma sopeira velha e gasta, com queixumes constantes, certezas de vítima e laivos de grandeza, sabendo de antemão que dediquei todo o tempo de respirar a nada. e querendo que esse nada me dedique tempo também porque, mesmo sendo coitadinha, sou maior e mereço.

há coisas piores do que morrer. 

 

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publicado às 14:29


4 comentários

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De MP a 09.08.2016 às 17:59

És tu e eu!
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De Anónimo a 09.08.2016 às 22:15

Louvado, como tu estás....
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De RC a 10.08.2016 às 12:06

Continuo a gostar tanto do que escreves :)

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