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banalidades

por M.J., em 27.08.16

cheira a terra molhada mas não choveu. sentei-me na varanda a tomar café com duas bolachas. habituei-me a contrapor o amargo do café com algo doce e percebo que tudo serve para enfardar açúcar. 

os vasos com as sardinheiras foram regados há pouco. esteve cinzento toda a manhã, uma neblina a varrer o dia, a amolecer a pele e agora o sol chegou, numa espécie de esplendor a iluminar as horas.

o cinzento matinal servia de melhor banda sonora ao filme dos meus pequenos dramas. 

levantei-me relativamente cedo. não haviam carros na rua, ainda, e dir-se-ia que dormiam os pássaros. sinto oscilações de humor com mais frequência do que antes. compreensível que as sinta agora visto que só estabilizei emoções muito recentemente. não podemos perceber os seus distúrbios se todos os dias forem elásticos soltos de impressões emaranhadas.

não fiz cevada. não fiz chá. li um livro com impaciência e descrença. 

agora cheira a terra molhada em sardinheiras secas, quase mortas na varanda, na resistência pela vida.

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publicado às 14:11



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