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casa

por M.J., em 10.08.17

as minhas incursões nocturnas pela casa costumam ser mais frequentes quanto mais tarde me deito.

normal.

agora que estou de férias - uma semana antes do rapaz - tenho praticamente os ciclos de sono trocados.

nunca fui uma pessoa amplamente matinal mas, levantar-me às onze ou ao meio dia - como ontem - é invulgar e não me põe bem disposta.

pelo contrário.

 

esta noite fiquei a ler até bem depois das duas.

há um lugar no sofá especialmente destinado para as minhas leituras, uma lista de música destinada ao efeito, uma caneca de chá na mesinha de apoio e um candeeiro que amortece o ambiente, numa espécie de cenário de igreja. 

gosto.

na rua o vento batia nas janelas, na cadeira da varanda, na roupa na corda, nas plantas nos vasos. as árvores moviam-se na velocidade de uma pequena corrida de cinquenta metros e ouvi voar qualquer coisa. 

às três da manhã fui à varanda:

uma lua gigantesca no céu e um ar frio.

uma ventania ao género de temporal sem chuva.

um silêncio arrebatador com dois ou três grilos e o som do vento nas árvores, nas casas, nas ruas e no meu cabelo.

a vista sobre a cidade era minha e sobre a lua também.

2017-08-10 03.07.46.jpg

 

pela primeira vez, vai fazer dois anos, numa quinta feira às três da manhã, descalça numa varanda a tremer de frio, um vento a lembrar-me a serra e o mar, o silêncio que percorria a vida, senti-me em casa.

estou finalmente em casa. 

 

na cama o corpo dele quente descansava.

encostou-se a mim, quando me deitei, o vento a brincar nas paredes, o som de um temporal sem chuva na rua.

e apercebi-me então que já estava em casa antes de saber que estava. 

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oh vai ver ali:

publicado às 11:00


1 comentário

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De Quarentona a 11.08.2017 às 12:05

Não imaginas o quanto este teu post me deixa feliz :))))

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